sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Balsemão e as honoráveis contingências

Se um professor catedrático diz isto
que posso dizer eu, que sou um modesto prático do Jornalismo e um sindicalista recalcitrante, a não ser que recuso e eufemização do despedimento de 15 jornalistas no "Expresso" e da "Cosmopolitan"?
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Balsemão despede para manter lucros

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considera indigno que o Grupo Impresa, de Pinto Balsemão, se queira descartar de cerca de duas dezenas de trabalhadores, não porque esteja em situação económica difícil, mas para obviar uma redução de lucros provocada pela diminuição da publicidade.
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Todo o carrasco terá um dia o seu algoz

Jornalistas doentes ou até convalescentes de intervenções cirúrgicas recebem telefonemas de directores comunicando-lhes a inevitabilidade do corte do seu salário e o concomitante despedimento mascarado de "rescisão por mútuo acordo";
Trabalhadores de uma empresa de actividades aeroportuárias recebem e-mails comunicado-lhes o despedimento;
Trabalhadores de uma têxtil receberam há tempos a comunicação por SMS de que a fábrica estava fechada e de que escusavam de comparecer no dia seguinte, por estarem despedidos.
Já em tempos tinham tentado explicar-me que é mais cómodo e higiénico tratar destas  minudências sem olhar as pessoas nos olhos. Mas também sei de outros casos em que a notícia é dada na cara do trabalhador com a maior frieza, e nalguns casos com requintes de sadismo moral. Mas sei que todo o carrasco terá um dia o seu algoz...
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O discurso incómodo de Aminetu Haidar

Não sei, escrevendo estas palavras ainda no início da madrugada, o que dirão os jornais de hoje sobre o discurso de Aminetu Haidar, ontem, na velha Universidade de Coimbra, cuja medalha recebeu, e do qual extraio, como se fosse um lead-citação, as seguintes palavras:
"Ce  lundi 08 novembre 2010, à l’aube,  l'armée marocaine assistée par des hélicoptères a organisé un assaut violent pour démanteler le campement en utilisant les bombes lacrymogènes et les lanceurs d’eau chaude. C’était un massacre de la population civile sahraouie qui avait eu lieu. Des centaines de civils sahraouis ont été sauvagement tabassés. Des centaines de blessés, et les blessés par balles sont nombreux.  Des centaines ont été arrêtés ; et des dizaines sont disparus, ou peut être décèdes!"
O "caso" dura desde 1975, e desde então este povo reclama o direito à sua autodeterminação, negada perante a complacência de países como Portugal.
O discurso de Aminetu Haidar, distribuído pela Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental, merece leitura atenta, pelo que o transcrevo na íntegra abaixo:

Dia Mundial da Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento


Hoje é o Dia Mundial da Ciência ao Serviço da Paz e do Desenvolvimento.
Lançada em 2001, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), na sequência da Conferência Mundial da Ciência realizada em Budapeste, na Hungria, a comemoração reafirma a busca de um novo contrato social com a Ciência.
Dedicada este ano - o décimo - ao tema "A Ciência como factor de aproximação dos povos e das culturas, a jornada põe em evidência a persistência de "muitas desigualdades entre os países e, cada vez mais, dentro deles", como assinala a directora-geral da agência, Irina Bokova, na sua mensagem alusiva à efeméride.

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Camarada, se fizeres greve...

...não tens de dizer ao patrão se vais ou não aderir!
Em 2010, ainda é preciso fazer avisos destes!
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RTP e Agência Lusa não são “agregáveis”

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) acaba de tornar pública uma posição muito clara sobre as intenções de "agregação" entre a RTP e a Lusa ou de simples partilha de sinergias avançadas na sexta-feira pelo ministro dos Assuntos Parlamentares e logo louvadas pelo presidente da Administração da Lusa.
No comunicado, o SJ não só defende que a RTP deve continuar a ser de capitais exclusivamente públicos mas também avisa que nenhuma "agregação" ou "sinergia" pode servir de rampa de assalto de capitais privados. Por outro lado, lembra o carácter muito especial da Agência Lusa - empresa de capitais maioritariamente públicos mas com quase outro tanto de capitais privados, que deve tratar todos os seus clientes por iguais, pelo que a sua autonomia e identidade própria devem ser preservadas.
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Jornalismo do patrão

Há dias em que...
... me apetece reler prosas do meu velho amigo e camarada Oscar Mascarenhas como esta:
(...) E, mais próximo no tempo, apareceu uma terceira patologia, decorrente das mega-empresas multimédia: o jornalismo sinergético, nome mais tecnocrático para o velho e relho jornalismo do patrão, como contraposição ao jornalismo dos jornalistas.

E o que é o jornalismo sinergético - ou sinérgico, se preferirem? Sinergia, amigos!, essa é a palavra de ordem multimédia: é a estratégia de fazer repercutir, em vários média, o que é produzido por um deles. Numa primeira fase, pareceu simpático - afora o discreto surripiar dos direitos de autor... Tratava-se de aumentar a dimensão da mensagem jornalística. Mas bem depressa se percebeu que a ideia dos proprietários tinha pouco a ver com tal filantropia cultural. Não. O que se pretende, essencialmente, é mobilizar o poder de credibilidade da estrutura jornalística para promover os produtos de entretenimento que, por sua vez, são os melhores caçadores de receitas publicitárias.
 

que pode ser lida na íntegra aqui
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Direito de resposta e de rectificação e cortesia na blogosfera


Ora aqui está um exemplo de como se pode resolver essa questão, aparentemente irresolúvel, do que se pode designar direito de resposta e de rectificação na blogosfera. Antes de mais, é uma questão de cortesia e de educação. Reconhecer que se errou não desonra, antes enobrece.
Agradeço à Paula Cordeiro, do NetFM, não só a pronta correcção do seu lapso, mas também a contribuição para esta causa. 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Pragmatismo de mercado

A notícia sobre despedimentos numa empresa dá má imagem junto dos fornecedores, que receiam pela sua solvabilidade e pela capacidade em satisfazer compromissos; uma notícia sobre despedimentos numa empresa cotada em Bolsa pode fazer subir o valor das acções.
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SJ contra despedimentos no "Expresso"

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) exigiu hoje a suspensão do despedimento de 15 a 20 trabalhadores, incluindo um número indeterminado de jornalistas, que a Impresa, de Pinto Balsemão, pretende fazer no semanário "Expresso". Em comunicado, o SJ sustenta que a medida pretende apenas aumentar os lucros e não se deve a dificuldades na empresa.
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“Favor, Recompensa e Controlo Social: Os Bairros de Casas económicas do Porto (1935-1965)”

Agenda, muito importante:
O jornalista Paulo Almeida defende, no próximo dia 12 de Novembro, às 10h30, no Anfiteatro 1, Piso 1, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), a sua - e muito importante - tese de Mestrado em História Contemporânea intitulada “Favor, Recompensa e Controlo Social: Os Bairros de Casas económicas do Porto (1935-1965)”.

A dissertação, explica Paulo Almeida no convite para o acontecimento, inscreve-se no domínio da História Local, abordando a temática da Habitação durante o Estado Novo.

As casas económicas foram uma iniciativa habitacional que visava o controlo e alargamento da massa de apoiantes do regime autoritário, através da entrega de casas a famílias nucleares, pela concessão da propriedade dos imóveis, que compreendiam uma vivenda unifamiliar, com quintal e logradouro. No Porto foram construídos 12 bairros de casas económicas, entre 1935 e 1965, facilmente identificáveis na paisagem urbana graças à aplicação de um estilo arquitectónico que ficou conhecido por “casa portuguesa”.


(A fotografia refere-se ao Bairro do Amial, 1938 (1.ª fase), casas da Classe B; fonte: www.monumentos.pt)


A dissertação, que se insere no Curso de Mestrado em História Contemporânea (2008-2010) da FLUP, foi orientada pelo Prof. Doutor Gaspar Martins Pereira e terá como arguente o Prof. Doutor Virgílio Borges Pereira, coordenador científico do Centro de I&D do Instituto de Sociologia da UP. O Júri será presidido pela Prof. Doutora Conceição Meireles Pereira, directora do curso de Mestrado em História Contemporânea.
Tendo o privilégio de privar com o mestrando e de ter testemunhado de alguma maneira o seu labor apaixonado, de resto muito apaixonante, posso assegurar que temos obra!
E aproveito para recomendar, nas minhas Outras Naves o seu quase anónimo blogue - Meios de Produção
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domingo, 7 de novembro de 2010

Senhor papa, Gaudí pode continuar a ser apenas génio?





Sou completamente incompetente para discutir os fundamentos canónicos da beatificação em curso do arquitecto Antoni Gaudí. Mas a ideia perturba-me. Preferia continuar a achá-lo simplesmente um génio, sem ter de discutir outras coisas.

sábado, 6 de novembro de 2010

pportodosmuseus.pt

Apresenta-se como uma "uma plataforma de difusão de informação no âmbito do Património Cultural" e é uma plataforma de embarque para espaços e acontecimentos. Aliás, muito bem informada, e mostrando como a blogosfera ganha qualitativamente terreno aos media convencionais. Recomendo o pportodosmuseus.pt, nas minhas Outras Naves.
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Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, tomo III

Agenda:






Lançamento no dia 11 de Novembro, pelas 18 horas, no Centro de Trabalho da Boavista, Porto, do Partido Comunista Português. Apresentação por Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central do PCP, e Francisco Melo, director das Edições "Avante!".
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

RTP, Lusa, sinergias e... água no bico

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, diz que o Governo está "disponível para reflectir e até partilhar a reflexão sobre se haverá formas que permitam criar uma racionalidade mais acrescida à participação do capital do Estado no sector público da comunicação social" e que está a estudar "soluções de agregação" visando "racionalidade e economia de custos" entre a RTP e a Lusa.
"Não escondo que poderá haver sinergias entre aquilo que é a rede de actividades da agência noticiosa (Lusa) e da RTP que eventualmente se poderiam compensar numa maior qualificação da actividade noticiosa no nosso país", disse aos jornalistas, segundo o despacho da agência replicado em vários órgãos de informação em linha.
Receio que esta "reflexão" e que esta ideia das "sinergias" tragam água no bico.
A Rádio e Televisão de Portugal, RTP, SA é uma empresa de capitais exclusivamente públicos e assim deve continuar. É um imperativo constitucional: o povo tem direito a um serviço público de rádio e a um serviço público de televisão. Por outro lado, a Lusa, sendo uma empresa de capitais maioritariamente públicos, tem quase metade de capital privado.
Ora, perante a anunciada "reflexão", não será legítimo recear que entre mexidas na "racionalidade" e o incremento de "sinergias" possa estar à bica outra coisa qualquer?
Nota final: As sinergias são geralmente um eufemismo para despedimentos. A questão não é corporativa - é mesmo de liberdade e de pluralismo.
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Sobre os jornalistas e a greve geral

Ler uma interessante contribuição do Paulo F. Silva, aqui.
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É oficial: Jornalistas aderem à Greve Geral

A Assembleia Geral do Sindicato dos Jornalistas decidiu apoiar a decisão da Direcção do SJ de aderir à Greve Geral de 24 de Novembro.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Esquinas da crise?

As fachadas do prédio da velha Livraria Bertrand, na Rua Garrett, em Lisboa, estão em obras, "encadernadas" com publicidade a outros negócios.
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Colóquio: Migrações, Minorias e Diversidade Cultural

Agenda:
Colóquio
Migrações, Minorias e Diversidade Cultural

11 de Novembro de 2010
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 2

Organização
Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República
Fundação Calouste Gulbenkian

ENTRADA LIVRE

RESUMO: Inserido nas Comemorações do Centenário da República Portuguesa, o colóquio "Migrações, minorias e diversidade cultural" fará uma retrospectiva dos últimos cem anos de migrações em Portugal e discutirá a actualidade e o futuro da mobilidade dos portugueses no mundo. No mesmo dia, será lançado o "Atlas das Migrações", coordenado pelo Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do ISCTE, um compêndio que através de mapas e gráficos de fácil leitura esquematiza e explica cronológica, geográfica e sociologicamente não só a emigração portuguesa , como a imigração que tem tido como destino o nosso país, ao longo dos últimos cem anos.

PROGRAMA

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vejo com muita apreensão a twitterização da discussão política

Está a causar furor mediático uma afirmação - uma simples frase - do ainda Presidente da República e candidato ao mesmo cargo lançada no seu espaço de campanha na rede social Twitter: "Vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates".
Eu, porém, vejo com muita apreensão esta twitterização da discussão política estimulada pelo próprio Presidente da República, que o é ainda, mesmo que se nos dirija envergando as vestes de candidato.
Essa frase e outras contidas no referido espaço, largadas de forma desgarrada, desprovidas de qualquer coerência discursiva e arredias de qualquer lógica de contextualização, não passam de frases-choque para consumo mediático e para alimentar o estéril pingue-pongue de declarações e contra-declarações do costume.
Talvez alguns teóricos da propaganda e da comunicação política considerem a coisa um achado. Cá por mim, que sou um bocado antiquado, digo que a coisa é intelectualmente abaixo de medíocre e civicamente nefasta.

PS: Depois disto não se queixem dos jornalistas que "retiram as frases do contexto", está bem?

Aditamento: Reparei entretanto na acertada pergunta que Estrela Serrano faz aqui
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

SJ rejeita agravamento do IVA sobre revistas

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) rejeitou hoje o eventual agravamento do IVA, de 6% para 23%, aplicável a revistas especializadas - que parece resultar da Proposta de Lei de Orçamento do Estado -, pois pode constituir um entrave ao desenvolvimento e mesmo à manutenção de muitos títulos.
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Proezas dos Media, descobertas de editorialistas e práticas jornalísticas

A associação francesa ACRIMED - Action-Critique-Medias - acaba de publicar, a pretexto das importantes mobilizações em França, um importante dossiê sobre as proezas de certos Media, as descobertas dos melhores editorialistas e estranhas práticas jornalísticas.
Recomenda-se a leitura atenta. Tal como a visita regular ao seu sítio, que faço constar "Noutras naves".
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

20 medidas para a crise orçamental

A Assembleia da República começa amanhã a discutir a Proposta de Lei do Orçamento do Estado. Como habitualmente, o circo político-mediático andará essencialmente à roda do que propõe o Governo, do que o PS apoia e do que o PSD contrapõe.
Como se nada mais houvesse alguém do Bloco Central e da querela artificial que tem alimentado a agenda político-mediática dos últimos tempos, inclusivamente quanto à magna questão de saber como arranjará o Governo a cortar 500 milhões de euros na despesa pública.
E como se não houvesse ideias e propostas de medidas concretas que muito mais longe. Por exemplo, já em 12 de Outubro o PCP anunciou nada menos de 20. Ei-las:  
  1. A criação de um novo imposto, (o Imposto sobre as Transacções e Transferências Financeiras, ITTB), que taxa em 0,2% todas as transacções bolsistas realizadas no mercado regulamentado e não regulamentado e que taxa em 20% as transferências financeiras para os paraísos fiscais. (receita adicional mínima de, respectivamente 260 milhões de euros e 1500 milhões de euros;

Terramoto de Lisboa

Passam hoje 255 anos sobre o sismo seguido de maremoto e de não sei quantos incêndios que ficou conhecido por Terramoto de Lisboa, devido à destruição da maior parte da cidade, mas que também teve efeitos noutras zonas do país, incluindo no Porto. Foi a 1 de Novembro de 1755.
Passado todo este tempo, um dos aspectos mais interessantes da funesta ocorrência é a enorme divergência quanto ao número de vítimas mortais, que vai dos dez mil aos 100 mil. Ainda hoje o despacho da agência Lusa relativo às efemérides do dia apontava 20 mil mortos enquanto notícias sobre um documentário no Canal História indicava 100 mil.
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domingo, 31 de outubro de 2010

Como eles se entendem

Li, enfim, o texto integral do famoso Acordo - ou Entendimento - entre o Governo e o PSD, que pode ser encontrado aqui.
Como documento político, é de fraca qualidade; como compromisso político, deixa demasiada margem para que os dois partidos continuem a fazer de conta que estão em desacordo no essencial; como entendimento político, confirma como o PS e o PSD se entendem facilmente.
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Aviso

Hoje muda a hora, mas não se deixem adormecer.
É preciso estar alerta.
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sábado, 30 de outubro de 2010

Terá razão?

Terá razão Medeiros Ferreira ao escrever que, no PSD, alguém anda a enganar-se sobre a forma como lidar com Pedro Passos Coelho?
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Alvíssaras pelo texto do acordo Governo/PSD

São 15 horas e ainda não encontrei o texto do celebérrimo acordo entre o Governo e o PSD - ou entre o PSD e o Governo, conforme quem reclame vitória - nem nos meios de informação em linha nem nos sítios do Governo, do PS e do PSD. Alvíssaras pelo acordo, pois.
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Sobre as imagens de um acordo

Num registo de exultação quase infantil, mas remetendo para a importância do simbólico em política, como na vida privada, como na História, o chefe das negociações entre o Governo e o Partido Social Democrata, Eduardo Catroga, fez questão de mostrar aos jornalistas, ao final da manhã de hoje, na Assembleia da República, a fotografia, obtida por um discreto telemóvel (leia-se, sem o testemunho profissional de jornalistas, na privacidade da sua própria casa, onde decorreu a ronda final das negociações), do "momento histórico" - rigorosamente às 23:19, como fez questão de sublinhar várias vezes - em que ele e o ministro das Finanças, assinaram o acordo entre o Executivo e o PSD.
Com a devida vénia, copio do Expresso online a foto do momento em que Catroga exibe o telemóvel:

Com a devida vénia, reproduzo também a fotografia publicada no Publico on line, no que parece ser um aparente exclusivo do jornal, já que à hora a que consultei as edições electrónicas dos restantes, nenhum outro a exibia:

Ambos os momentos encerram significados e mensagens muito importantes, sobretudo se tivermos em conta que os protagonistas do caso acabaram por não participar em conjunto no momento de ritualização que chegou a estar preparado. O "Jornal da Tarde" da RTP mostrou aliás a sala, a mesa, as duas cadeiras, a bandeira nacional e a bandeira da União Europeia que serviriam de cenário à assinatura, esta manhã, na Assembleia da República, do referido acordo.
Como se fora um troféu, o negociador do PSD exibiu o telemóvel aos jornalistas para assinalar o "momento histórico" registado na privacidade da sua casa; escassíssimos minutos depois, falando também aos jornalistas, o negociador do Governo lamentou que o outro não quisesse uma "fotografia a dois" para mostrar ao país, isto é, registada em público.
Percebe-se que os dois atribuem valores e significados simbólicos ao registo para a posteridade, expresso em imagens, da celebração de um acordo que ambos reputam importante: um preferiu limitar-se ao ambiente privado, discreto, quase secreto do momento crucial do pacto; o outro preferiria manifestamente a sua ritualização pública.
As declarações que ambos proferiram e as opções de comunicação (distintas) protagonizadas pelos dois dizem também muita coisa:
  • Catroga enunciou os pontos essenciais do acordo e, numa gabarolice escusada ("já participei em milhares e milhares de negociações"), veio vangloriar-se de que "as metas essenciais do PSD, embora cedendo", foram alcançadas, designadamente quanto ao não agravamento fiscal para a maioria das famílias.
  • Teixeira dos Santos, mais contido e mais firme (o objectivo do défice em 2011 correspondente a 4,6% do PIB deve ser alcançado custe o que custar), veio dizer que o acordo "restaura a confiança dos mercados financeiros", mas alijou o ónus de custos de 500 milhões de euros para cima da contraparte do acordo - o PSD - e deixou claro que este não poderá deixar de ser cúmplice do PS da adopção de "medidas adicionais" na discussão do Orçamento na especialidade .
De facto, na Lei do Orçamento, como em muitas outras leis, é na discussão na especialidade, tantas vezes longe das câmaras e dos registos dos jornalistas, e sem que os jornalistas e os cidadãos se dêem ao trabalho de consultar as respectivas actas, que o Bloco Central se perpetua.
No fundo, no fundo, eles estão de acordo quanto ao essencial e o que acontece para jornalista ver é encenação - com ou sem "foto de família".
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