segunda-feira, 8 de novembro de 2010

“Favor, Recompensa e Controlo Social: Os Bairros de Casas económicas do Porto (1935-1965)”

Agenda, muito importante:
O jornalista Paulo Almeida defende, no próximo dia 12 de Novembro, às 10h30, no Anfiteatro 1, Piso 1, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), a sua - e muito importante - tese de Mestrado em História Contemporânea intitulada “Favor, Recompensa e Controlo Social: Os Bairros de Casas económicas do Porto (1935-1965)”.

A dissertação, explica Paulo Almeida no convite para o acontecimento, inscreve-se no domínio da História Local, abordando a temática da Habitação durante o Estado Novo.

As casas económicas foram uma iniciativa habitacional que visava o controlo e alargamento da massa de apoiantes do regime autoritário, através da entrega de casas a famílias nucleares, pela concessão da propriedade dos imóveis, que compreendiam uma vivenda unifamiliar, com quintal e logradouro. No Porto foram construídos 12 bairros de casas económicas, entre 1935 e 1965, facilmente identificáveis na paisagem urbana graças à aplicação de um estilo arquitectónico que ficou conhecido por “casa portuguesa”.


(A fotografia refere-se ao Bairro do Amial, 1938 (1.ª fase), casas da Classe B; fonte: www.monumentos.pt)


A dissertação, que se insere no Curso de Mestrado em História Contemporânea (2008-2010) da FLUP, foi orientada pelo Prof. Doutor Gaspar Martins Pereira e terá como arguente o Prof. Doutor Virgílio Borges Pereira, coordenador científico do Centro de I&D do Instituto de Sociologia da UP. O Júri será presidido pela Prof. Doutora Conceição Meireles Pereira, directora do curso de Mestrado em História Contemporânea.
Tendo o privilégio de privar com o mestrando e de ter testemunhado de alguma maneira o seu labor apaixonado, de resto muito apaixonante, posso assegurar que temos obra!
E aproveito para recomendar, nas minhas Outras Naves o seu quase anónimo blogue - Meios de Produção
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domingo, 7 de novembro de 2010

Senhor papa, Gaudí pode continuar a ser apenas génio?





Sou completamente incompetente para discutir os fundamentos canónicos da beatificação em curso do arquitecto Antoni Gaudí. Mas a ideia perturba-me. Preferia continuar a achá-lo simplesmente um génio, sem ter de discutir outras coisas.

sábado, 6 de novembro de 2010

pportodosmuseus.pt

Apresenta-se como uma "uma plataforma de difusão de informação no âmbito do Património Cultural" e é uma plataforma de embarque para espaços e acontecimentos. Aliás, muito bem informada, e mostrando como a blogosfera ganha qualitativamente terreno aos media convencionais. Recomendo o pportodosmuseus.pt, nas minhas Outras Naves.
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Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, tomo III

Agenda:






Lançamento no dia 11 de Novembro, pelas 18 horas, no Centro de Trabalho da Boavista, Porto, do Partido Comunista Português. Apresentação por Jaime Toga, da Comissão Política do Comité Central do PCP, e Francisco Melo, director das Edições "Avante!".
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

RTP, Lusa, sinergias e... água no bico

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, diz que o Governo está "disponível para reflectir e até partilhar a reflexão sobre se haverá formas que permitam criar uma racionalidade mais acrescida à participação do capital do Estado no sector público da comunicação social" e que está a estudar "soluções de agregação" visando "racionalidade e economia de custos" entre a RTP e a Lusa.
"Não escondo que poderá haver sinergias entre aquilo que é a rede de actividades da agência noticiosa (Lusa) e da RTP que eventualmente se poderiam compensar numa maior qualificação da actividade noticiosa no nosso país", disse aos jornalistas, segundo o despacho da agência replicado em vários órgãos de informação em linha.
Receio que esta "reflexão" e que esta ideia das "sinergias" tragam água no bico.
A Rádio e Televisão de Portugal, RTP, SA é uma empresa de capitais exclusivamente públicos e assim deve continuar. É um imperativo constitucional: o povo tem direito a um serviço público de rádio e a um serviço público de televisão. Por outro lado, a Lusa, sendo uma empresa de capitais maioritariamente públicos, tem quase metade de capital privado.
Ora, perante a anunciada "reflexão", não será legítimo recear que entre mexidas na "racionalidade" e o incremento de "sinergias" possa estar à bica outra coisa qualquer?
Nota final: As sinergias são geralmente um eufemismo para despedimentos. A questão não é corporativa - é mesmo de liberdade e de pluralismo.
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Sobre os jornalistas e a greve geral

Ler uma interessante contribuição do Paulo F. Silva, aqui.
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É oficial: Jornalistas aderem à Greve Geral

A Assembleia Geral do Sindicato dos Jornalistas decidiu apoiar a decisão da Direcção do SJ de aderir à Greve Geral de 24 de Novembro.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Esquinas da crise?

As fachadas do prédio da velha Livraria Bertrand, na Rua Garrett, em Lisboa, estão em obras, "encadernadas" com publicidade a outros negócios.
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Colóquio: Migrações, Minorias e Diversidade Cultural

Agenda:
Colóquio
Migrações, Minorias e Diversidade Cultural

11 de Novembro de 2010
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 2

Organização
Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República
Fundação Calouste Gulbenkian

ENTRADA LIVRE

RESUMO: Inserido nas Comemorações do Centenário da República Portuguesa, o colóquio "Migrações, minorias e diversidade cultural" fará uma retrospectiva dos últimos cem anos de migrações em Portugal e discutirá a actualidade e o futuro da mobilidade dos portugueses no mundo. No mesmo dia, será lançado o "Atlas das Migrações", coordenado pelo Centro de Investigação e Estudos em Sociologia do ISCTE, um compêndio que através de mapas e gráficos de fácil leitura esquematiza e explica cronológica, geográfica e sociologicamente não só a emigração portuguesa , como a imigração que tem tido como destino o nosso país, ao longo dos últimos cem anos.

PROGRAMA

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vejo com muita apreensão a twitterização da discussão política

Está a causar furor mediático uma afirmação - uma simples frase - do ainda Presidente da República e candidato ao mesmo cargo lançada no seu espaço de campanha na rede social Twitter: "Vejo com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates".
Eu, porém, vejo com muita apreensão esta twitterização da discussão política estimulada pelo próprio Presidente da República, que o é ainda, mesmo que se nos dirija envergando as vestes de candidato.
Essa frase e outras contidas no referido espaço, largadas de forma desgarrada, desprovidas de qualquer coerência discursiva e arredias de qualquer lógica de contextualização, não passam de frases-choque para consumo mediático e para alimentar o estéril pingue-pongue de declarações e contra-declarações do costume.
Talvez alguns teóricos da propaganda e da comunicação política considerem a coisa um achado. Cá por mim, que sou um bocado antiquado, digo que a coisa é intelectualmente abaixo de medíocre e civicamente nefasta.

PS: Depois disto não se queixem dos jornalistas que "retiram as frases do contexto", está bem?

Aditamento: Reparei entretanto na acertada pergunta que Estrela Serrano faz aqui
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

SJ rejeita agravamento do IVA sobre revistas

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) rejeitou hoje o eventual agravamento do IVA, de 6% para 23%, aplicável a revistas especializadas - que parece resultar da Proposta de Lei de Orçamento do Estado -, pois pode constituir um entrave ao desenvolvimento e mesmo à manutenção de muitos títulos.
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Proezas dos Media, descobertas de editorialistas e práticas jornalísticas

A associação francesa ACRIMED - Action-Critique-Medias - acaba de publicar, a pretexto das importantes mobilizações em França, um importante dossiê sobre as proezas de certos Media, as descobertas dos melhores editorialistas e estranhas práticas jornalísticas.
Recomenda-se a leitura atenta. Tal como a visita regular ao seu sítio, que faço constar "Noutras naves".
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

20 medidas para a crise orçamental

A Assembleia da República começa amanhã a discutir a Proposta de Lei do Orçamento do Estado. Como habitualmente, o circo político-mediático andará essencialmente à roda do que propõe o Governo, do que o PS apoia e do que o PSD contrapõe.
Como se nada mais houvesse alguém do Bloco Central e da querela artificial que tem alimentado a agenda político-mediática dos últimos tempos, inclusivamente quanto à magna questão de saber como arranjará o Governo a cortar 500 milhões de euros na despesa pública.
E como se não houvesse ideias e propostas de medidas concretas que muito mais longe. Por exemplo, já em 12 de Outubro o PCP anunciou nada menos de 20. Ei-las:  
  1. A criação de um novo imposto, (o Imposto sobre as Transacções e Transferências Financeiras, ITTB), que taxa em 0,2% todas as transacções bolsistas realizadas no mercado regulamentado e não regulamentado e que taxa em 20% as transferências financeiras para os paraísos fiscais. (receita adicional mínima de, respectivamente 260 milhões de euros e 1500 milhões de euros;

Terramoto de Lisboa

Passam hoje 255 anos sobre o sismo seguido de maremoto e de não sei quantos incêndios que ficou conhecido por Terramoto de Lisboa, devido à destruição da maior parte da cidade, mas que também teve efeitos noutras zonas do país, incluindo no Porto. Foi a 1 de Novembro de 1755.
Passado todo este tempo, um dos aspectos mais interessantes da funesta ocorrência é a enorme divergência quanto ao número de vítimas mortais, que vai dos dez mil aos 100 mil. Ainda hoje o despacho da agência Lusa relativo às efemérides do dia apontava 20 mil mortos enquanto notícias sobre um documentário no Canal História indicava 100 mil.
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domingo, 31 de outubro de 2010

Como eles se entendem

Li, enfim, o texto integral do famoso Acordo - ou Entendimento - entre o Governo e o PSD, que pode ser encontrado aqui.
Como documento político, é de fraca qualidade; como compromisso político, deixa demasiada margem para que os dois partidos continuem a fazer de conta que estão em desacordo no essencial; como entendimento político, confirma como o PS e o PSD se entendem facilmente.
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Aviso

Hoje muda a hora, mas não se deixem adormecer.
É preciso estar alerta.
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sábado, 30 de outubro de 2010

Terá razão?

Terá razão Medeiros Ferreira ao escrever que, no PSD, alguém anda a enganar-se sobre a forma como lidar com Pedro Passos Coelho?
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Alvíssaras pelo texto do acordo Governo/PSD

São 15 horas e ainda não encontrei o texto do celebérrimo acordo entre o Governo e o PSD - ou entre o PSD e o Governo, conforme quem reclame vitória - nem nos meios de informação em linha nem nos sítios do Governo, do PS e do PSD. Alvíssaras pelo acordo, pois.
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Sobre as imagens de um acordo

Num registo de exultação quase infantil, mas remetendo para a importância do simbólico em política, como na vida privada, como na História, o chefe das negociações entre o Governo e o Partido Social Democrata, Eduardo Catroga, fez questão de mostrar aos jornalistas, ao final da manhã de hoje, na Assembleia da República, a fotografia, obtida por um discreto telemóvel (leia-se, sem o testemunho profissional de jornalistas, na privacidade da sua própria casa, onde decorreu a ronda final das negociações), do "momento histórico" - rigorosamente às 23:19, como fez questão de sublinhar várias vezes - em que ele e o ministro das Finanças, assinaram o acordo entre o Executivo e o PSD.
Com a devida vénia, copio do Expresso online a foto do momento em que Catroga exibe o telemóvel:

Com a devida vénia, reproduzo também a fotografia publicada no Publico on line, no que parece ser um aparente exclusivo do jornal, já que à hora a que consultei as edições electrónicas dos restantes, nenhum outro a exibia:

Ambos os momentos encerram significados e mensagens muito importantes, sobretudo se tivermos em conta que os protagonistas do caso acabaram por não participar em conjunto no momento de ritualização que chegou a estar preparado. O "Jornal da Tarde" da RTP mostrou aliás a sala, a mesa, as duas cadeiras, a bandeira nacional e a bandeira da União Europeia que serviriam de cenário à assinatura, esta manhã, na Assembleia da República, do referido acordo.
Como se fora um troféu, o negociador do PSD exibiu o telemóvel aos jornalistas para assinalar o "momento histórico" registado na privacidade da sua casa; escassíssimos minutos depois, falando também aos jornalistas, o negociador do Governo lamentou que o outro não quisesse uma "fotografia a dois" para mostrar ao país, isto é, registada em público.
Percebe-se que os dois atribuem valores e significados simbólicos ao registo para a posteridade, expresso em imagens, da celebração de um acordo que ambos reputam importante: um preferiu limitar-se ao ambiente privado, discreto, quase secreto do momento crucial do pacto; o outro preferiria manifestamente a sua ritualização pública.
As declarações que ambos proferiram e as opções de comunicação (distintas) protagonizadas pelos dois dizem também muita coisa:
  • Catroga enunciou os pontos essenciais do acordo e, numa gabarolice escusada ("já participei em milhares e milhares de negociações"), veio vangloriar-se de que "as metas essenciais do PSD, embora cedendo", foram alcançadas, designadamente quanto ao não agravamento fiscal para a maioria das famílias.
  • Teixeira dos Santos, mais contido e mais firme (o objectivo do défice em 2011 correspondente a 4,6% do PIB deve ser alcançado custe o que custar), veio dizer que o acordo "restaura a confiança dos mercados financeiros", mas alijou o ónus de custos de 500 milhões de euros para cima da contraparte do acordo - o PSD - e deixou claro que este não poderá deixar de ser cúmplice do PS da adopção de "medidas adicionais" na discussão do Orçamento na especialidade .
De facto, na Lei do Orçamento, como em muitas outras leis, é na discussão na especialidade, tantas vezes longe das câmaras e dos registos dos jornalistas, e sem que os jornalistas e os cidadãos se dêem ao trabalho de consultar as respectivas actas, que o Bloco Central se perpetua.
No fundo, no fundo, eles estão de acordo quanto ao essencial e o que acontece para jornalista ver é encenação - com ou sem "foto de família".
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Jornalistas na Greve Geral

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas tornou hoje pública a Resolução na qual decide propor aos jornalistas a adesão à Greve Geral convocada pelas duas centrais sindicais e que já conta com um amplo movimento de adesão de organizações sindicais - filiadas nas CGTP e na UGT e também independentes.
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Escutas

Escuta de conversa de almoço sobre a candente questão do Orçamento de Estado:
- ... De qualquer maneira, aquilo passa. Com voto contra ou com abstenção, eles estão de acordo no essencial.
- O essencial é o sistema. Neste sistema, claro que o Orçamento deve passar. O que é preciso é mudar o sistema, abrir a ruptura.
- Pois... Ah! Está uma chuva do caraças.
- É tempo dela...
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Jornalistas da RTP aderem à greve geral

Jornalistas ao serviço da RTP, SA, reunidos em plenário a 27 de Outubro, em Lisboa, decidiram aderir à greve geral de 24 de Novembro como forma de luta contra o corte nos salários e de outras cláusulas de expressão pecuniária que o Governo pretende impor.
Leia mais aqui.
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Obra de tradutor anónimo

Uma das sensações mais estranhas que já me assaltou, como leitor, e que é cada vez mais frequente, quando leio livros de autores estrangeiros, é a de estar a jogar às escondidas com uma pessoa que, ainda por cima, nem sequer conheço. Refiro-me ao tradutor.
Cada vez com mais frequência, publicam-se em Portugal livros sem que certas editoras tenham a decência de indicar o tradutor, nem mesmo na ficha técnica em corpo pequenino... Mesmo que a obra contenha, aqui e acolá, notas do... tradutor!
Ora, tal prática traduz um desrespeito pelos direitos dos tradutores e até um enorme desprezo pelo seu labor. Mas também representa uma indiferença pelos direitos dos leitores. Um dia destes, deixarei de comprar livros com tradutores anónimos.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ainda o ranking dos RSF

Pela presente e para os efeitos tidos por convenientes, reitero e mantenho o que aqui declarei sobre o ranking dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) relativo à liberdade de imprensa.
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Sobre as corridas dos jornalistas

Uma crítica provavelmente justa:

De: xxxxxxx xxxxxxx

Enviada: xxxxx, xx de Xxxxx de 2010 17:24
Para: xxxxxxxxx; xxxxxxxxxs
Assunto: FW: xxzxzxzxzxzx xxxxxxxxxxx
Importância: Alta

Caros amigos,
Reenvio este e-mail para o caso de poderem dar uma resposta. Eu não prometi nada ao jornalista que, como é habitual neles, só se lembram em cima do acontecimento do que precisam.
Trata-se da reprodução de mensagem no seio de uma instituição à qual um jornalista pediu informações para um trabalho que teria de escrever no dia seguinte. Vá lá, poderia ser para o próprio dia...
Na correria do dia-a-dia, tantas vezes determinada pelo imediatismo dos acontecimentos e pela necessidade de enquadrá-los com dados complementares, é muito frequente pedir-se a muitas entidades o fornecimento de elementos "para ontem". Mas acontece que, por muito competentes e solícitos que sejam os funcionários, nem sempre é possível satisfazer em tempo útil os pedidos.
A crítica é provavelmente justa, porque provavelmente se trataria de um trabalho que poderia ter sido planeado de outra forma, especialmente quanto ao recurso atempado à ajuda de terceiros. E aqui vai, por isso, uma autocrítica!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Alexandre Herculano

Agenda: A Associação Portuguesa de Escritores conclui amanhã, terça-feira, dia 26, o ciclo de iniciativas dedicada ao bicentenário de Alexandre Herculano (28 de Março de 1810), com um colóquio sobre a consciência política do escritor e historiador e o seu contributo para a cidadania.
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Um "garganta funda" chamada WikiLeaks

Salvo melhor opinião, o WikiLeaks não é um sítio informativo nem faz jornalismo.
Como bem o designou Jorge Almeida Fernandes (Público, 24/10/10), é uma máquina de colecta de informações baseada em informadores decididos a denunciar escândalos ou injustiças.
Essa acertada designação marca bem as diferença entre um mero estendal electrónico de documentos e o jornalismo, que deve verificar a autenticidade dos documentos, avaliar a sua importância - relativa e contextual - cotejá-los com outras fontes, etc.
Feitas as contas, o WikiLeaks é um verdadeiro "garganta funda" à disposição do sistema mediático planetário, disponibilizando informações que coligiu mas que não tratou jornalisticamente (enfim, tanto quanto pude perceber até agora).
Note-se uma particularidade muito interessante, justamente numa altura em que se discute, até com mais intensidade por causa deste "caso", o problema de saber se sítios como este vão substituir os órgãos de informação (independentemente do suporte) e se outros Julius Assanges vão destronar definitivamente os jornalistas: a divulgação dos cerca de 400 mil documentos no WikiLeaks foi precedida da prévia disponibilização de uns quantos ficheiros a um conjunto muito importante de jornais de referência de prestígio mundial.
Esse elemento é muito importante. E a sua importância não se resumiu à obtenção de publicidade - de atenção - prévia à divulgação dos documentos; nem se circunscreveu à relação de um "garganta funda" (um informador) global com vários jornais para fazer passar informações explosivas. Fundamentalmente, constituiu um processo de credibilização do próprio sítio, alavancada e garantida pela credibilidade e prestígio dos jornais que acolheram as suas informações, ao mesmo tempo que via garantida a reacção oficial de vários governos ao seu conteúdo.
Há quem veja nestes processos um novo fôlego para o jornalismo, quer porque muitos jornalistas podem sentir-se estimulados com a competição de "amadores" mais capazes do que eles de obterem e divulgarem documentos comprometedores para os poderes, quer porque há quem veja neste tipo de sítios "aliados" do jornalismo, porque dispostos a partilhar com os jornalistas o resultado das suas recolhas ou porque se transformem em nascentes de onde jorram mananciais de dados e de informações prontos a replicar.
Modestamente, encaro como mais um problema para o jornalismo e receio que, mais tarde ou mais cedo, se multipliquem sítios na Rede de denúncia de dados, documentos, "factos" e "histórias" cuja autenticidade não sejamos capazes de verificar pelo menos em tempo útil e postos a circular em circuitos armadilhados ao serviço de interesses obscuros, pequenas e médias conspirações ou inconfessável mesquinhez. Oxalá me engane...
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domingo, 24 de outubro de 2010

Dia das Nações Unidas

Antes que acabe. Hoje é o Dia das Nações Unidas. Celebrado desde 1948, assinala o aniversário da entrada em vigor da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), em 24 de Outubro de 1945. A celebração deste ano é dedicada aos oito objectivos de desenvolvimento do Milénio.
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Manuel Alegre a greve geral de 24 de Novembro

O candidato a Presidente da República Fernando Nobre manifestou ontem o seu apoio à greve geral de 24 de Novembro, secundando o candidato Francisco Lopes, e acusou o candidato Manuel Alegre de não se ter pronunciado abertamente sobre o assunto, isto é, de não declarar o seu apoio à jornada convocada pelas duas centrais sindicais.
Não sou dado a jogos de pingue-pongue de declarações públicas, mas creio que é importante que Alegre se pronuncie sobre a matéria. De facto, não basta dizer que a greve é um direito dos trabalhadores e que compreende os trabalhadores e os sindicatos e outros lugares-comuns.
Em todo o caso, há algumas afirmações interessantes na entrevista a Manuel Alegre que o "Diário de Notícias" publica hoje. Sem comentários (mas com um ou outro sublinhado) e com a devida vénia, transcrevo este trecho:
Compreende os motivos dessa greve?
Compreendo. É um facto sindical, político e democrático novo. As duas centrais têm tido dificuldade de convergência e de entendimento, e agora apresentaram as duas juntas o aviso prévio. Acho que os sindicatos têm um papel muito importante, como têm os outros parceiros sociais! Sou favorável à concertação social e ninguém tem falado com eles. Andam os banqueiros, mas ninguém fala com os sindicatos e ninguém fala com os parceiros sociais. Deveria ouvir-se os trabalhadores, respeitar os trabalhadores e ter em conta que é uma greve geral pelas duas principais centrais sindicais. Noutras situações e noutros tempos, isso seria uma coisa tremenda. Hoje liga-se menos, hoje essas coisas valem menos do que valiam. Mas acho que valem muito, que é preciso ouvir a voz dos sindicatos, a voz da rua e a voz dos trabalhadores. Eles representam milhões de trabalhadores que são aqueles que mais vão sofrer com esta crise, e é preciso pensar nas pessoas. E estou, política e democraticamente, do lado desses.
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Trajectórias Profissionais e Participação das Mulheres na Vida Pública"

Talvez ainda seja cedo para anunciá-lo, mas seria útil que fosse tomado nota desta importante iniciativa: o Seminário Internacional que o Movimento Democrático de Mulheres / Núcleo do Porto realiza no dia 13 de Novembro, no Clube Literário do Porto, entre as 10 e  18 horas.
O Seminário insere-se no âmbito do Projecto "Uma Vida de Trabalhos? Trajectórias Profissionais e Participação das Mulheres" e tem como objectivo a discussão e partilha de experiências sobre as questões do trabalho e da participação na vida pública.
São oradoras:
  • Eva-Britt Svensson - Eurodeputada e Presidente da Comissão dos Direitos da Mulher e Igualdade dos Géneros.
  • Ilda Figueiredo - Eurodeputada e relatora ao parlamento Europeu do relatório de Avaliação de resultados do roteiro para a igualdade entre mulheres e homens 2006-2010 e Recomendações para o futuro.
  • Isabel Vilalba - Responsável da Secretaria das Mulheres do Sindicato Labrego Galego.
  • Milena Fiore - Representante da Associação de Mulheres da região do Mediterrâneo (Itália).
  • Regina Marques - Dirigente nacional do MDM e da Direcção da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM).
  • Ana Gonçalves - Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas.
  • Marta Santos - Representante da Comissão para a Igualdade de Género/ Região Norte. Membro do Grupo de Investigação do Projecto.
  • Márcia Oliveira - Dirigente nacional do MDM e Coordenadora do Projecto:"Uma Vida de Trabalhos? Trajectórias Profissionais e Participação das Mulheres".
Inscrições: mdmporto@gmail.com ou 919626325
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