quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vejam como eles se entendem

Como previ designadamente aqui e aqui, eles entendem-se: cumpre-se a eterna aliança entre os partidos "com vocação governativa", para usar a expressão do líder parlamentar do PS, Francisco Assis; e confirma-se o que toda a gente já sabia e que ainda ontem os jornais sintetizavam numa frase do ministro Silva Pereira, segundo a qual o "PSD é o parceiro natural". Claro, quem havia de ser?! Conclusão: o Orçamento de Estado está garantido pelo Bloco Central; e o PSD ganha peso negocial para a revisão constitucional que quer fazer e à qual o PS vai ficar mais uma vez atrelado. Apostamos? 
.

Sacrifícios para os do costume

Aqui estão as medidas que nos vão penalizar ainda mais, com a previsível cumplicidade PS/PSD mal disfarçada atrás do biombo de arrufos das útimas semanas...
.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Miguel de Cervantes





Assinalando-se hoje o suposto aniversário de Miguel de Cervantes Saavedra, em Alcalá de Henares, Madrid, e como forma de lembrar quantas iníquos atentados contra a liberdade de ler, saber, pensar, ousar ir mais longe, tantas vezes justificados pelas "melhores razões", aqui deixo um trecho da minha predilecção da sua obra-prima:

Do engraçado e rigoroso escrutínio
que o cura e o barbeiro fizeram a biblioteca
do nosso engenhoso fidalgo

que ainda estava a dormir. O cura pediu à sobrinha as chaves do aposento onde estavam os livros causadores de tanto mal e ela deu-lhas de bom grado. Entraram todos lá e a governanta com eles, e acharam mais de cem volumes enormes, muito bem encadernados, e outros pequenos; e logo que a governanta os viu, saiu do aposento a toda a pressa, e voltou com uma escudela de água benta e um ramo de hissope, dizendo:
- Tome vossa reverência, senhor cura; asperja este aposento, para o caso de estar aqui algum fazedor de encantamentos, dos muitos que contêm estes livros, e nos enfeiticem, para nos castigarem pelas penas que queremos aplicar-lhes ao expulsá-los do mundo.
O cura riu-se da ingenuidade da governanta e mandou o barbeiro ir-lhe passando aqueles livros um por um, para ver de que tratavam, pois podia achar alguns que não merecessem o castigo do fogo.
- Não - disse a sobrinha -, não há nenhum que mereça ser poupado, porque todos foram malfeitores; o melhor será arremessá-los pelas janelas para o pátio, fazer um montão com eles e pegar-lhes fogo; e, se não, levá-los para o terreiro, e ali fazer a fogueira, e o fumo não incomodará ninguém.
(Miguel de Cervantes, D. Quixote de la Mancha (vol I, pág. 67), na belíssima tradução de José Bento editada pela Relógio D'Água)
.  

terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fwd: SJ apela a participação na jornada europeia de 29 de Setembro

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) exorta os jornalistas portugueses a participar nas iniciativas da Jornada europeia de 29 de Setembro contra a austeridade e pela prioridade ao emprego e ao crescimento.
Leia mais aqui.
.

domingo, 26 de setembro de 2010

Cinco perguntas a propósito da crise política e do regime parlamentar

Ainda que mal pergunte:
1.º - A coisa pública discute-se no Parlamento (legitimado pelo voto popular, parece-me, segundo os rudimentos de Direito Constitucional que conheço), ou entre cúpulas partidárias (leia-se: entre o secretário-geral do PS e o presidente do PSD)?
2.º - Por que razões será assim tão estranho que o padrinho de Passos Coelho, Ângelo Correia, tenha vindo desafiar que a discussão seja feita "às claras", ou seja, no Parlamento (cito do "Público")? 
3.º - Por que razões o presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista vem dizer (cito do "Público") que o entendimento para o próximo Orçamento de Estado deve ser feito entre partidos "com vocação governativa", excluindo, portanto, o PCP e/ou o BE, ou vice-versa?
4.º - Será que os deputados do PS e do PSD são uns "verbos de encher" (socorro-me da expressão popular) deveriam ponderar o papel real que representam ou preferem continuar a fingir que são efectivos titulares do principal órgão de soberania?
5.º - Se o Governo se demitir por um eventual (mas muito pouco crível!) chumbo parlamentar do Orçamento, abrirá uma crise política ou proporcinonará uma verdadeira (e necessária) ruptura política?

Desculpem o incómodo. está bem?
.  

sábado, 25 de setembro de 2010

Um libelo contra a América

"Tinha 41 anos e um QI de 72 - o limite legal da deficiência mental é 70. Foi executada na Virgínia quando passavam poucos minutos das duas da manhã de ontem em Lisboa."
É assim que Sofia Lorena começa a notícia de hoje, no Público, sobre mais um caso (singular, decerto) de consumada condenação à pena capital na democracia, a americana, que "continua a matar os seus cidadãos em nome da 'justiça'" (citação da abolicionista francesa Sandrine Ageorges no comentário publicado ao lado da notícia).
Por dois pontos de quoficiente de inteligência e por não ter sabido negociar a sentença (sim, os seus dois cúmplices e os executores materiais do duplo homicídio do marido e do enteado confessaram a culpa em troca da garantia de que não seriam condenados à morte), Teresa Lewis perdeu a oportunidade de salvar a vida. E a América perdeu mais uma para ser justa e civilizada.
Ao deixar o edifício penitenciário onde Teresa foi executada, o seu advogado, James Rocap "defendeu que a sua morte ilustra 'um sistema incapaz de ser justo'", conclui a notícia, cujo título recupera esta afirmação. Como se fosse um libelo contra a América.
.

"Vai e Vem" para a liberdade de expressão

Às vezes acerto. Pelos vistos tinha razão quando escrevi aqui sobre o blogue de Estrela Serrano, considerando que o "Vai e Vem" constituiria um espaço de liberdade, mas também de combate e de causas para levar a sério. Confirmou-se plenamente. Assim como previ aqui o aumento de interesse pelo blogue com o reforço traduzido na entrada de Azeredo Lopes. Mais uma vez confirmou-se.
É fácil perceber por que razões isso acontece.
O presidente e a vogal do Conselho Regulador da ERC são os membros que, desde o início do seu funcionamento, têm enfrentado as críticas e mesmo a hostilidade, respondendo-lhes "taco a taco" na Imprensa. Além de considerarem, julgo, que a sua intervenção no espaço público corresponde a mais a um dever do que a um "simples" direito, têm evidente prazer nisso: vê-se que polemizam "com gozo".
Vencida a primeira etapa de disputa do território "reservado" aos jornalistas (melhor, à elite jornalística que detém o monopólio da opinião nos media...) e aos opinadores de turno, era inevitável uma investida num espaço mais amplo - na realidade, praticamente ilimitado - que é a blogosfera, passando a uma nova e mais ampla fase (fase superior de luta?) da sua intervenção.
Percebe-se que incomode. Há até quem sustente que S. Exas. não deveriam entrar por esse caminho e que, com "senso", deveriam limitar-se estritamente ao múnus da Regulação formal e deixar-se de tricas na blogosfera. Tenha paciência quem assim pensa e tal proclama através deste orbe incomensurável. Afinal a terra prometida da liberdade cibernética não é para todos? 
Cá por mim, preferia que os reguladores pudessem concentrar-se mais na sua missão (na sua missão formal), mas compreendo que não possam nem devam ficar calados nem diminuídos, nem deixem sem resposta ataques à sua honra, nem aceitem vender a sua liberdade de expressão e de opinião, mesmo que os critiquem por falarem no espaço público
Finalmente, este "caso" ajuda a comprovar quanto os jornalistas e os fazedores de opinião (enfim, tal como os Poderes, a Administração, as instituições...) estão cada vez mais cercados por múltiplas e difusas "instâncias" de escrutínio. Mas isso não é um problema (no sentido de ameaça): é um desafio. O problema reside apenas em saber se estamos à altura dele...
.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Uma medalha para o ministro

Ainda a tempo, a medalha para Mariano Gago, sem mediação jornalística e sem o ministro propriamente dito na imagem:

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Jornalistas em luta na Lusa

Os jornalistas ao serviço da agência Lusa decidiram hoje cumprir uma greve em Novembro, como forma de luta contra a teimosia da Administração, que recusou a proposta do conciliador do Ministério do Trabalho de actualização dos salários em 1%, anunciou o Sindicato dos Jornalistas.
.

Estatuto do Trabalho Nacional

Passam hoje 67 anos: em 23 de Setembro de 1933, foi publicado o Estatuto do Trabalho Nacional (Decreto-Lei n.º 23 048), um dos esteios do corporativismo fascista do Estado Novo, neutralizando por longas décadas o sindicalismo livre e impondo a colaboração entre as classes e proibindo e reprimindo penalmente a greve. Para que não esqueçamos que existiu.
.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dia portuense com fiscalização

Até há momentos (14:20) utilizei hoje quatro vezes o Metro do Porto. Outras tantas vi a fiscalização activa. Será má língua perguntar se caçava eventuais borlistas à boleia do Dia Europeu sem carros?
.

Dia sem carros

Hoje é o Dia Europeu Sem Carros, dizem. Não consta que amanhã, ou mesmo hoje, as cidades sejam melhores. A mudança não vai com folclores.
.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Doença de Alzheimer

Hoje é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.
.

Dia Internacional da Paz

Hoje é o Dia Internacional da Paz. Proclamado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1981 e celebrado pela primeira vez no ano seguinte, pretende afirmar-se como uma convocatória geral para o cessar fogo e o promover o fim da violência. Este ano, a jornada é dedicada ao tema "Jovens para a Paz e o Desenvolvimento".
.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Jornalista-assistente: uma importante contribuição

Ainda em referência a este problema, chamo a atenção para uma nova e importante contribuição para o debate sobre a figura do jornalista-assistente dada pelo Provedor do Leitor do Público, José Queirós.
.

Reforço no "Vai e Vem"

O presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, Azeredo Lopes, passou a escrever no blogue criado por Estrela Serrano, "Vai e Vem". É um reforço que aumenta o interesse deste espaço. A seguir atentamente.
.

domingo, 19 de setembro de 2010

Jornalistas: duas propostas de lei e um projecto de lei importantes

É bom que não passe em claro nem despercebido. A Assembleia da República aprovou na generalidade e está a apreciar na especialidade duas importantes propostas de lei do Governo - uma de nova Lei da Rádio; outra de revisão da Lei da Televisão. Sobre ambas as propostas se pronunciou formalmente o Sindicato dos Jornalistas.
Sobre a primeira, destaca-se a preocupação do SJ com a excessiva concentração de rádios (os limites passam de cinco licenças para nada menos de quatro dezenas!), a substituição de jornalistas por colaboradores e o fim da garantia formal de que o serviço público de rádio é assegurado por uma empresa de capitais exclusivamente públicos.
Sobre a segunda, destaca-se a grave omissão quanto à natureza da empresa que assegura o serviço público de televisão, abrindo teoricamente caminho, tal como na Lei da Rádio, à privatização do serviço.
Finalmente, também está para discussão - ainda sem discussão na generalidade - um projecto do Partido Comunista Português (PCP) de revisão do Estatuto do Jornalista. Também sobre ele se pronuncia o SJ. Por razões antigas e justas.
Está tudo explicado aqui.
.

sábado, 18 de setembro de 2010

Castro Laboreiro a partir de dentro


Um espaço a não perder - o Núcleo Museológico de Castro Laboreiro. Para se compreender a partir do seu próprio interior.
.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Espaço Memória e Fronteira, onde a memória nos interpela

Memória e Fronteira. Assim se chama o Espaço, para poderia chamar-se Museu. Já corri algum Mundo e já vi muitos museus, dentro e fora de Portugal. Alguns impressionaram-me, outros impressionaram-me muito. Não necessariamente pela riqueza das suas colecções, mas muitas vezes pela singeleza das suas "mensagens". Conheci hoje o Espaço Memória e Fronteira, em Melgaço.
Instalado no antigo matadouro municipal (aproveitamento do património imobiliário do Município, apenas documentado pelo aproveitamento físico-arquitectónico da fachada que nada aproveita ao conteúdo do Museu - ou do Espaço), fala-nos, numa linguagem directa e às vezes quase brutal, de duas realidades muito complexas que fazem parte da nossa história contemporânea - a emigração (a legal e a clandestina) e o contrabando.
Por coincidência, ao regressar ao hotel após a minha jornada, os telediários debitam um debate parlamentar sobre a expulsão de cidadãos ciganos (e depois?!) pela República Francesa. Soou-me mal. Parece-me que devo mesmo aconselhar os deputados do PP, do PSD (quase todos, pelos vistos) e do PS (muitos, a começar pelo líder parlamentar e pelos oradores de serviço) a revisitarem o nosso passado. Algures, em Melgaço, onde a memória nos interpela... 
.

Processo Casa Pia: um caso paradigmático

O Comunicado sobre o processo Casa Pia do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas na íntegra:

A cobertura jornalística do caso Casa Pia é, desde a sua origem, paradigmática do pior que se faz em jornalismo. É uma cobertura que questiona a quase ou mesmo a totalidade dos princípios do Código Deontológico.
Constitui exemplo de equívocos vários relativos, designadamente, à investigação jornalística, à relação com as fontes, à confidencialidade, à presunção da inocência, ao tratamento discriminatório, à recolha de declarações e imagens e ao estatuto de independência.
São bastos os exemplos em que a competência jornalística está ausentes nas peças. Em muitos casos a função de jornalista foi postergada e cedeu lugar ao exercício de mediação de mensagens. Nessas práticas está ausente demasiadas vezes a interpretação, a comprovação e a verificação dos factos.
Seria estultícia negar a responsabilidade individual de jornalistas. Mas também seria inépcia ignorar que há factores que carreiam os modelos de comunicação que configuram essas coberturas jornalísticas.
A tematização e dramatização dos casos, a concorrência desenfreada e frequentemente inescrupulosa, a confiscação de audiências captadas pelo espectáculo, a abdicação de princípios básicos justificada pela urgência do fecho constituem traços de práticas empresariais e de direcção que afectam, ofendem e desacreditam a profissão.
A cobertura do desfecho do processo Casa Pia não destoou do tom que alimentou anos de comunicação baseada na ausência de uma informação investigada, isenta, equilibrada e credível.
Dois aspectos perpassam esse tipo informativo: uma prática ilusória de verdade justiceira, que funciona tanto para condenar como para absolver os mesmos arguidos, e uma prática redutora da expressão das partes com interesse no caso, o chamado contraditório, que ignorou e se serviu sempre das vítimas apenas como pretexto noticioso.
Quaisquer destas práticas são alheias aos valores éticos e deontológicos da profissão e exemplificam os efeitos da instrumentalização do jornalismo, da ausência de participação dos jornalistas na orientação editorial dos meios e da falta de perspectiva crítica sobre o trabalho editado.
Alguns dos directos televisivos e radiofónicos no decurso da leitura da sentença e os debates emitidos no rescaldo das condenações constituem peças exemplares que servem para demonstrar o que não é jornalismo.
O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas exorta todos os jornalistas a reflectirem sobre o trabalho que todos produzimos e a integrarmos como prática dois juízos, um crítico e outro deontológico, que validem a actividade profissional de cada um.
Apela também às instituições que regulam as empresas de comunicação social ou que as representam que suscitem, no quadro das suas competências, o debate e a reflexão sobre a observância dos estatutos editoriais e sobre as causas que condicionam a criação e funcionamento dos conselhos de redacção.
Não basta quebrar o silêncio, é também necessário agir. E não basta estudar a realidade se nada for feito para a melhorar.
Lisboa, 17 de Setembro de 2010
O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas
Pode ser encontrado aqui.
.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

As "raízes do problema"

O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Bruto da Costa, considerou ontem que as políticas e programas de luta contra a pobreza em Portugal são ineficazes porque não vão às raízes do problema, por causa da "limitação que têm, de não poderem afectar privilégios, nem o padrão de desigualdade que caracteriza a sociedade portuguesa". Por isso, acrescentou, citado hoje pelo "Jornal de Notícias", tudo quanto se faz neste domínio é periférico e não toca nas causas da pobreza".
.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CD critica recurso ao estatuto de assistente em processo

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas (CD) considera que o recurso ao estatuto de assistente em processos judiciais, por parte dos jornalistas, questiona o exercício profissional e os princípios éticos e deontológicos.
.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Fwd: Colóquio Internacional: Da virtude e fortuna da República ao republicanismo pós nacional

Ora aí está uma iniciativa muito interessante:

Colóquio Internacional
Da virtude e fortuna da República ao republicanismo pós nacional


bannerpensamento 490 x 235.jpg

Organização
Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República
Ius Gentium Conimbrigae (FD-UC)

Coordenação
Professor Doutor Gomes Canotilho e Professor Doutor Vital Moreira

30 de Setembro de 2010
Coimbra, Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra

Resumo: A Comemoração do Centenário da Implantação da República em Portugal não poderia passar sem uma suspensão reflexiva em torno do tema da "renovação republicana". Entendem os organizadores que a República é passado e futuro. Também o presente convoca desesperadamente o republicanismo crítico como modo de reintroduzir no discurso político os velhos temas da "virtude cívica", da "dedicação à causa pública" e da participação política activa como forma de defesa dos próprios direitos fundamentais.

O aprofundamento da aludida revivificação republicana justifica o convite a dois dos maiores cultores mundiais da problemática histórica, sociológica, política, jurídica e económica dos ideais republicanos. Impunha-se assim a presença de J.G.A. Pocock, o autor de trabalhos imprescindíveis sobre a história da tradição republicana atlântica, e de J. Habermas que, em vários livros, desenvolve uma poderosa reflexão crítico-filosófica sobre a teoria política do republicanismo.

O sopro cosmopolita republicano que estes dois autores republicanos transportam para o nosso país carecia de parceiros de diálogo portugueses com sabedoria para a contextualização discursiva das comunicações a cargo dos mestres pensadores J. Pocock e J. Habermas. Estamos a referir-nos a Fernando Catroga, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Aroso Linhares, da Faculdade de Direito desta mesma Universidade e a Ricardo Leite Pinto, da Universidade Lusíada de Lisboa. A apresentação pessoal de J. Pocock ficará a cargo do professor espanhol da Universidade de Vigo, Eloy Garcia, responsável pela tradução para castelhano da obra maior daquele autor, The Machiavellian Moment: Florentine Political Thought and the Atlantic Republican Tradition, 1975. Um dos coordenadores do Colóquio, J.J. Gomes Canotilho, encarregar-se-á da apresentação do Professor Jürgen Habermas.

Inscrições e Informações:
Ius Gentium ConimbrigaeCentro de Direitos Humanos/Human Rights Centre
Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
Pátio da Universidade
3004 - 545 COIMBRA
T: (+351) 239 824478
F: (+351) 239 823353
 .

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ofensa a jornalistas, injúria à magistratura

"Seria grave e imerecida ofensa para os nossos jornalistas e homens de letras considerá-los incapazes de escreverem em regime de liberdade responsável . E seria também grave e impensável injúria à magistratura portuguesa considerá-la inapta ou incapaz de assegurar o respeito pela lei num regime de imprensa livre”

Francisco Salgado Zenha, Fevereiro de 1967
(in “O Estatuto da Imprensa - Debate” in Cadernos de Hoje n.º 6, Lisboa: Prelo, 1968).
.

domingo, 12 de setembro de 2010

Artigo 288.º da CRP

O Partido Popular Monárquico (PPM) anunciou hoje que vai pedir encontros com o PS, o PSD e o CDS para propor a revisão do Artigo 288.º da Constituição da República Portuguesa, a fim de que seja possível submeter a referendo a forma republicana ou monárquica de governo. Cada um é livre de propor aos partidos o que entender. Mas claro que se espera que todos os mencionados partidos digam simplesmente que declinem a sugestão. 

Artigo 288.º
Limites materiais da revisão


As leis de revisão constitucional terão de respeitar:
a) A independência nacional e a unidade do Estado;
b) A forma republicana de governo;
c) A separação das Igrejas do Estado;
d) Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos;
e) Os direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais;
f) A coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
g) A existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista;
h) O sufrágio universal, directo, secreto e periódico na designação dos titulares electivos dos órgãos de soberania, das regiões autónomas e do poder local, bem como o sistema de representação proporcional;
i) O pluralismo de expressão e organização política, incluindo partidos políticos, e o direito de oposição democrática;
j) A separação e a interdependência dos órgãos de soberania;
l) A fiscalização da constitucionalidade por acção ou por omissão de normas jurídicas;
m) A independência dos tribunais;
n) A autonomia das autarquias locais;
o) A autonomia político-administrativa dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
.

sábado, 11 de setembro de 2010

Ainda o Processo Casa Pia e a RTP

Em aditamento a este postal, segue o parecer do Provedor do Telespectador da RTP sobre a "mediatização de Carlos Cruz", que pode ser encontrado aqui, e, a seguir, a resposta de José Alberto Carvalho: 

JULGAMENTO E SENTENÇA DO “CASO CASA PIA”

1. Efectivamente, têm sido recebidas dezenas e dezenas de mensagens a protestar contra a forma como a RTP tem tratado a notícia do julgamento e sentença do “caso Casa Pia”. Em particular porque entendem os Telespectadores estar a ser dado um “tratamento preferencial” de defesa perante a opinião pública ao Sr. Carlos Cruz, antigo profissional desta empresa.
2. Alguns Telespectadores reclamam também pelo facto do Provedor não ter, ainda, manifestado a sua opinião sobre este assunto.
3. Devo esclarecer que, normalmente, não me precipito a reagir a estas questões de grande melindre social. Todavia, já enviei uma nota interna para o Director de Informação da RTP, dando conta dos protestos dos Telespectadores.
4. Da minha parte discordo e lamento que o tratamento deste assunto não esteja a obedecer a parâmetros de equidade, privilegiando, com efeito, o Sr. Carlos Cruz, provavelmente por critérios editoriais. Reconheça-se porém que, no relevo mediático, que este caso sempre teve, desde o surgir da primeira notícia, Carlos Cruz, indevidamente, foi sempre a pessoa mais visada.
5. É óbvio que Carlos Cruz é a figura mais mediática neste processo. Mas essa qualidade, por lhe dar direito e condições singulares à livre expressão de opinião em sua defesa e nas críticas que emite em relação ao processo, ao julgamento e sentença, não lhe confere o direito de ser excepcionado relativamente aos outros arguidos / condenados, às vítimas e seus advogados ou assistentes.
6. Esse “tratamento diferenciado” coloca a RTP sobre a acusação de parcialidade e de exercer um “proteccionismo corporativo” descabido.
7. Obviamente a RTP não pode fazer silêncio sobre um assunto de grande mediatismo e de enorme impacto na opinião pública.
8. Por sua vez, a RTP, instituição de serviço público, não deve ser veículo dos ataques deferidos à instituição Justiça, sem dar lugar ao contraditório da parte dos magistrados e investigadores envolvidos neste processo, aliás, nas circunstâncias processuais, impedidos de o fazerem.

Lisboa, 9 de Setembro de 2010

O Provedor do Telespectador,

J. M. Paquete de Oliveira


Em resposta ao parecer do Provedor do Telespectador sobre o Processo Casa Pia, recebeu o provedor uma reflexão do Director de Informação que a seguir se publica.

.

El pueblo unido jamás será vencido

11 de Setembro de 1973, Santiago do Chile - Um golpe militar leva ao poder o ditador sanguinário Augusto Pinochet, derrubando o presidente Salvador Allende, morto durante os bombardeamentos do Palácio de la Moneda, e ao Governo de Unidade Popular, e pondo fim a uma importante experiência de tentativa de construção do socialismo.
Desse período de esperança e sobretudo do ânimo da resistência que teve de dispersar-se, exilando-se, sobretudo pela Europa, ficou de forma bem vincada e universalizada a canção de intervenção "El Pueblo Unido Jamás Será Vencido", de Sergio Ortega e do grupo Quilapayun, criada em Junho de 1973. Quase um ano mais tarde, o seu refrão - haveria de ser gritado por milhares, por centenas de milhar de vozes juntas nas avenidas pela renovada esperança libertadora. 




El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido...

De pie, cantar
que vamos a triunfar.
Avanzan ya
banderas de unidad.
Y tú vendrás
marchando junto a mí
y así verás
tu canto y tu bandera florecer.
La luz
de un rojo amanecer
anuncia ya
la vida que vendrá.

De pie, luchar
el pueblo va a triunfar.
Será mejor
la vida que vendrá
a conquistar
nuestra felicidad
y en un clamor
mil voces de combate se alzarán,
dirán
canción de libertad,
con decisión
la patria vencerá.

Y ahora el pueblo
que se alza en la lucha
con voz de gigante
gritando: ¡adelante!

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido...

La patria está
forjando la unidad.
De norte a sur
se movilizará
desde el salar
ardiente y mineral
al bosque austral
unidos en la lucha y el trabajo
irán,
la patria cubrirán.
Su paso ya
anuncia el porvenir.

De pie, cantar
el pueblo va a triunfar.
Millones ya,
imponen la verdad,
de acero son
ardiente batallón,
sus manos van
llevando la justicia y la razón.
Mujer,
con fuego y con valor,
ya estás aquí
junto al trabajador.

Y ahora el pueblo
que se alza en la lucha
con voz de gigante
gritando: ¡adelante!

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido...

Alcafache, há 25 anos

Passam hoje 25 anos: em 11 de Setembro de 1985, duas composições colidiram perto da estação da Alcafache, Mangualde. Mais de 120 pessoas morreram.

.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A mediatização de Carlos Cruz, a ERC e a RTP

O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social criticou hoje especialmente a RTP, além da generalidade dos órgãos de informação, pela "mediatização" a um dos condenados no processo Casa Pia. O Director de Informação, José Alberto Carvalho, já tinha sido interpelado pelo Provedor do Telespectador e produziu uma reflexão sobre o assunto. A acompanhar.
.