sábado, 29 de maio de 2010

Razões para uma manifestação


Ao longo deste mês, o Governo - e com ele também o PSD - foi adicionando razões para o protesto de hoje na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Foram elas:
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Intelectuais contra o PEC

1. O Programa de Estabilidade e Crescimento 2010-2013 (PEC) não é uma lei nem virá a sê-lo. O que foi aprovado na AR, com os votos favoráveis do PS e a abstenção complacente do PSD, é uma resolução. Cada uma das medidas terá que ser discutida e votada quando o governo apresentar a respectiva proposta de lei. O PEC não é inevitável, a orientação política que consagra não é a única possível.
2. Numa Europa prisioneira, também ela, da crise dos modelos monetaristas e neo-liberais, e incapaz de uma estratégia de desenvolvimento, o PEC amarra Portugal a uma política económica subordinada à redução abrupta do défice orçamental, e que só levará à estagnação económica e ao agravamento das injustiças sociais, ao alargamento da distância que separa o nosso país dos países económica, cultural e socialmente mais desenvolvidos.
Estagnação económica: As medidas contidas no PEC insistem num modelo errado que pretende basear o crescimento, numa política de baixos salários e no aumento das exportações. As novas privatizações previstas traduzir-se-ão, tal como no passado, na alienação pelo Estado de importantes fontes de receitas, de instrumentos económicos e alavancas de uma política económica. A sua venda, num contexto de desvalorização bolsista, não reduzirá a dívida pública que, pelo contrário, continuará a crescer, enquanto baixará o nível de satisfação dos direitos e necessidades dos trabalhadores e das populações.
Portugal é já um dos países mais desiguais da União Europeia. As medidas propostas no PEC implicam o agravamento das desigualdades sociais. Significam congelamento dos salários e das pensões; uma política fiscal injusta que atinge os trabalhadores por conta de outrem e mantém intocados os elevados lucros da banca e as mais-valias provenientes da especulação bolsista; a redução do poder de compra das prestações sociais; o das dificuldades de acesso ao subsídio de desemprego.
As privatizações, e as políticas de desinvestimento público inserem-se numa lógica de desresponsabilização do Estado em relação às suas funções económicas, sociais e culturais, e agravam os importantes défices existentes em todas as dimensões do desenvolvimento nacional, sejam no plano económico, sejam nos planos social, educativo e cultural.
3. É urgente um programa económico que assente:
Em uma política que valorize salários e pensões com base numa mais justa e equilibrada distribuição da riqueza e a dinamização do mercado interno.
Na defesa da produção nacional, com o fomento de uma indústria baseada em produtos de alto valor acrescentado, que promova a qualificação e incorpore trabalhadores mais qualificados.
No reforço do investimento público, do sector empresarial do Estado e do cumprimento pelo Estado das suas funções sociais.
Em uma política fiscal que contribua para a justiça social, a satisfação das necessidades do Estado e o equilíbrio das contas públicas.
Na criação de emprego, o combate ao desemprego, o apoio aos desempregados, como forma de protecção e dignificação do trabalho.
Na iniciativa política do Estado português, junto da União Europeia, visando a renegociação do calendário de diminuição da dívida pública e a diminuição das comparticipações nacionais nos programas co-financiados, tendo em vista a potenciação das verbas disponíveis.
Na consolidação orçamental com base no crescimento económico.

Os signatários, trabalhadores intelectuais que desenvolvem as suas actividades no campo do ensino e da investigação científica, das artes e das letras, da saúde e da comunicação social, da arquitectura e da engenharia manifestam o seu compromisso com a construção de uma política democrática; a sua posição contra a repetição dos erros passados e pela concretização, para a qual este PEC em nada contribui, do projecto nacional que a Constituição da República Portuguesa consagra.

Para continuar a acompanhar esta causa, aqui.

domingo, 23 de maio de 2010

Touradas, apesar de Hemingway e de Lorca

As imagens da impressionante cornada sofrida pelo toureiro Julio Aparicio, na passada sexta-feira, na praça de touros de Las Ventas, em Madrid, continuam a correr mundo e a fixar-se de plasmar-se de forma indelével na memória internâutica.

Apesar de Ernest Hemingway e de Frederico Garcia Lorca, o género está longe de atrair-me, mesmo numa perspectiva estética - que é a primeira de tantas desculpas... - e causa-me repulsa. Há muito que o sofrimento de animais e de homens para gáudio da populaça deveria ter sido banido. É uma questão de Civilização e uma questão de Decência.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

No Dia da Diversidade Cultural, os direitos dos autores

No Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, que hoje se assinala, é importante recordar o Artigo 8.º da Declaração Universal aprovada pela UNESCO em 2 de Novembro de 2001:

"Face às mudanças económicas e tecnológicas actuais, que abrem vastas perspectivas para a criação e a inovação, deve-se prestar uma particular atenção à diversidade da oferta criativa, ao justo reconhecimento dos direitos dos autores e artistas, assim como ao carácter específico dos bens e serviços culturais que, na medida em que são portadores de identidade, de valores e sentido, não devem ser considerados como mercadorias ou bens de consumo como os demais."

terça-feira, 18 de maio de 2010

Museus: problemas de preço e de "intimidação"

A pretexto do Dia Nacional dos Museus que hoje se assinala, a jornalista Alexandra Lucas Coelho publica hoje no "Público" uma interessante peça sobre a eventual gratuitidade das entradas nos museus em estudo no Ministério da Cultura. Há, no texto, prós e contras respeitáveis e identifica-se um efeito (e há múltiplas consequências...) - a baixa frequência dos museus.

Certamente que o custo dos ingressos pesa e é um problema sério no orçamento das famílias que cultivem o hábito e o gosto de visitar museus, ou que gostariam de cultivá-lo, o que contribui bastante (quanto?) para a indução desse efeito. Mas há uma outra causa que não é nada negligenciável: a intimidação. Dito de outra maneira: há muita gente que simplesmente "não consegue" entrar num museu ou numa biblioteca, que se sente intimidada, que os sente fora do seu alcance - intelectual, afectivo... E este é um problema cultural de monta.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desvios de atenção

O Presidente da República promulgou hoje o Decreto da Assembleia da República que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Entendo que não devo contribuir para arrastar inutilmente este debate, o que acentuaria as divisões entre os Portugueses e desviaria a atenção dos agentes políticos da resolução dos problemas que afectam gravemente a vida das pessoas", justificou, na sua comunicação ao país. Mas a verdade é que a intervenção de S. Exa. desviou, e muito, a atenção de questões essenciais. Como esta. Já se sabe que são coincidências.

sábado, 15 de maio de 2010

Aliança PS/PSD+patrões+banqueiros

"E, ao longo da semana, foram ouvidas várias personalidades, incluindo economistas, patrões e banqueiros"

(No "Jornal de Notícias" de hoje, sobre os bastidores da negociação extra-parlamentar entre o PS e o PSD  do acordo para o chamado plano de austeridade)

Crise ibérica


















Cotação do vestuário, hoje, na feira de Vila Nova de Cerveira

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Com a bênção da Igreja

"As medidas de austeridade e de simplicidade de vida são medidas que nós há muito tempo dizíamos que eram precisas (...) Todos os portugueses são chamados a ser responsáveis nesta hora e nós na história temos dado provas de que não temos medo das crises, nem dos momentos difíceis, mas sabemos encará-los"

Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social (da igreja católica), citado pela agência Lusa

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Sacrifícios adicionais"

Por muito que nos embalem com chavões, "os sacrifícios adicionais" de que fala o presidente do PSD nunca serão "distribuídos de forma justa e equilibrada". Não é preciso explicar, pois não?

OBS: as expressões entre aspas são atribuídas na imprensa de hoje a Pedro Passos Coelho

terça-feira, 11 de maio de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

O dia inicial inteiro e limpo


25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo





Sophia de Mello Breyner
(O Nome das Coisas, 1977)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

"A Revolução está na rua!", ou 7 dias que abalaram o Porto


As movimentações militares e populares no 25 de Abril de 1974 na cidade do Porto são o tema da exposição fotográfica “A Revolução está na rua!” que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) inaugura na próxima sexta-feira, dia 23 de Abril, às 21h30, no Ateneu Comercial do Porto.
As imagens, captadas pelos jornalistas Pereira de Sousa e Bruno Neves entre a manhã da Revolução e os festejos do 1.º de Maio de 1974, na Avenida dos Aliados, marcam um período singular na história do Porto e de Portugal. Após 48 anos de censura à imprensa, os jornalistas puderam cumprir livremente a sua função de informar.
A exposição, que vai estar patente ao público entre o dia 23 de Abril e 2 de Maio, retrata o golpe militar, com a ocupação do Aeroporto do Porto, do Rádio Clube Português, e a movimentação do Povo, que foi tomando conta das ruas.
Momento significativo, já no dia 26 de Abril, foi a ocupação da delegação da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Os populares, que se concentravam nos Aliados, dirigiram-se ao edifício, na Rua do Heroísmo, dispostos a libertar os presos políticos que ainda lá se encontravam. Os militares foram obrigados a intervir, libertando os prisioneiros e evacuando os agentes da polícia, depois de algumas horas de grande tensão.
Numa altura em que a consciência política dos portuenses explodia, os instantâneos de Pereira de Sousa e de Bruno Neves revelam sobretudo a alegria popular pela deposição do regime fascista. Um dos momentos altos deste período foi o 1.º de Maio, na Avenida dos Aliados, uma das maiores concentrações populares de que há memória no Porto.
A abertura da exposição, que pode ser visitada nas salas do Ateneu entre as 14h00 e as 23h00, de sexta a domingo, será assinalada por um encontro entre o historiador Gaspar Martins Pereira e o jornalista Manuel Dias que, além do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, contará também com a presença dos autores das imagens.
O encontro, com entrada livre, será na Sala de Leitura do Ateneu Comercial do Porto, no dia 23 de Abril, às 21h30. Pretexto para uma reflexão sobre aqueles sete dias que abalaram o Porto, quando a Revolução chegou às ruas.
(Transcrito daqui)

Segredo de Justiça e liberdade de imprensa

“Segredo de Justiça e a Liberdade de Imprensa” é o tema em debate na tertúlia marcada para o dia 21 de Abril, às 22 horas, no Chapitô, em Lisboa, e na qual participo, com a Produradora Distrital de Lisboa, Francisca Van Dunen, o procurador António Cluny e o presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados, José António Barreiros.
A Iniciativa insere-se simultaneamente no programa “Outras quartas” do Chapitô e numa série de conferências e outras iniciativas que o Sindicato dos Jornalistas está a organizar nos meses de Abril e Maio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Privatização da RTP: Não, e não - e nunca!

O recentemente eleito presidente do Partido Social Democrata, Pedro Passos Coelho, parece estar apostado na privatização da RTP e o assunto parece um dos mais sólidos da sua agenda política, que confunde meros negócios com Serviço Público.
Hoje, o Sindicato dos Jornalistas foi dizer ao Governo uma coisa muito simples: o Estado deve continuar a assegurar um Serviço Público de Televisão (e de Rádio) através de uma empresa de capitais exclusivamente públicos.
É certo que vem aí uma revisão ordinária da Constituição da República e que muitas coisas podem acontecer, face à actual correlação de forças e ao eterno problema da negociação política. Em matéria de direitos fundamentais e do património democrático e cívico que a CRP encerra, vai ser necessário estar muito atento.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Dia Mundial da Saúde

Hoje é o Dia Mundial da Saúde. Celebrado desde 1950 para assinalar a criação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948, visa formentar a consciência para os problemas da saúde no Mundo.
Sob o lema "1000 Cidades, 1000 Vidas", com iniciativas em todo o Mundo até ao dia 11, a celebração deste ano é dedicada à urbanização e saúde, recordando que mais de metade da população do Planeta vive em zonas urbanadas, percentagem essa que será de 70% em 2050.

O país na ponta das objectivas do Kameraphoto

Durante o ano em curso, o colectivo Kameraphoto anda a correr o país num desafio simultâneo aos seus membros e aos frequentadores do seu projecto "Diário da República". A acompanhar com muita atenção: há muito mais Portugal por revelar do que supomos...


terça-feira, 6 de abril de 2010

Letras e contas quanto baste e para quem devem ser

Para terem uma ideia da restrita utilidade das letras...
"Sou por um mestre, já não digo em cada terra, que seria ciência supérflua e perigosa, porquanto os livros se propagam o bem também propagam o mal, mas ao menos uma escola em cada vila onde os senhores morgados, os fidalgos, e mesmo aqueles que dispõem de alguns teres, vão aprender a ler, escrever e a fazer as contas dos gastos e receitas da suas casas."

Aquilino Ribeiro, "Casa do Escorpião" (Da fala do Morgado de Fraião)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alerta para o confisco de direitos de autor dos jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) divulgou hoje um alerta para a tentativa de confisco dos direitos de autor dos jornalistas no Grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão. Através de um acordo absolutamente leonino, o patrão da Impresa quer apropriar-se definitivamente de tudo quanto os jornalistas produzam. É claro que pretende ganhar entre portas o que não conquistou na última revisão do Estatuto do Jornalista. E chega ao ponto de colocar fortes restrições à mera edição de compilações de trabalhos pelos próprios autores.
É preciso impedir este ataque e é preciso não permitir que a onda alastre!   

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ruy Luís Gomes

Há naves que nos fazem viajar para memórias e histórias de resistências. Ruy Luís Gomes, antifascista de fibra tantas vezes esquecido, dá nome a uma delas, assinada por Jorge Rezende. 

domingo, 28 de março de 2010

Fraquezas

O "Jornal de Notícias" de hoje publica o caso singular de uma magistrada do Ministério Público punida disciplinarmente com dois anos de suspensão da sua actividade, por ter sido apanhada a furtar duas peças de roupa - uma gabardina e uma camisa - num estabelecimento comercial.
As singularidades ilustram como é tão frágil o ser humano, mesmo quando possui, como é o caso, o enorme poder de perseguir e conduzir perante a Justiça os que prevaricam e agem à margem dela ou contra ela. Não me surpreendeu. Levo anos de vida e de experiência(s) suficientes para conhecer debilidades e fraquezas. E, todavia, não deixo de acreditar na Justiça nem nos seus agentes.

sábado, 27 de março de 2010

Dia Mundial do Teatro

Bom dia! Hoje é o Dia Mundial do Teatro. Criado no 9.º Congresso Mundial do Instituto Internacional do Teatro, reunido em Junho de 1961 em Viena, na Áustria, celebra-se desde a data de abertura da temporada de 1962 do Teatro das Nações de Paris, em 27 de Março.

quinta-feira, 25 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Não à privatização da RTP

... nem agora nem quando a situação financeira da empresa estiver reequilibrada!
É aliás muito urgente que o Governo e o Partido Socialista esclareçam as afirmações de hoje do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na Assembleia da República, segundo as quais a RTP não foi incluída na lista de empresas a privatizar anunciada no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) apenas porque é necessário que "primeiro se reequilibre financeiramente a empresa, antes de se pôr essa hipótese de privatização", segundo a Lusa.
O que é necessário que o Governo e o PS digam não é se não pensam no assunto por agora, mas se no futuro mais ou menos próximo, ou mais ou menos longínquo, essa possibilidade se coloca ou não. Mas também é necessário dizer que nem hoje, nem amanhã, nem nunca tal hipótese se colocará!
Já agora, para que conste e avivemos a memória, lembremos o que dizia o programa do PS, aliás trasladado para o Programa de Governo:

No que concerne ao serviço público de rádio e de televisão, será prioridade do PS:
Garantir, de acordo com o modelo europeu de serviço público, a diversificação de serviços da RTP, incluindo serviços a pedido, e a utilização de novas plataformas de distribuição, na perspectiva da sua evolução para um serviço público global de media;
Cumprir o acordo de reestruturação financeira da RTP, mantendo um financiamento público de base plurianual, de montante adequado e regular, que permita ao serviço público o cabal cumprimento da sua missão;
Rever o contrato de serviço público de rádio, afirmando a RDP como rádio de referência fundada numa programação diversificada e inovadora, na promoção da língua e da cultura portuguesa, em especial da sua música, e no pluralismo e rigor da informação;
Reforçar a legitimação social do serviço público, promovendo a adopção de práticas internas de estudo e reflexão que permitam o apuramento sistemático do cumprimento das exigências de qualidade e diversidade da programação e assegurar o pleno cumprimento das respectivas obrigações legais e contratuais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia Mundial da Água

Hoje é o Dia Mundial da Água.
Instituído em 1993 pela Organização das Nações Unidas, com o objectivo de chamar a atenção para a importância da água doce e a defesa a defesa da gestão sustentável dos recursos. 
Este ano comemorado sob o lema "Água limpa para um mundo saudável", é uma oportunidade para recolocar na agenda temas como a poluição ou os modelos de exploração deste recurso de todos.
"A luta pelo reconhecimento da água como bem público, universal e comum e a exigência de manter sob propriedade e gestão públicas e sem fins lucrativos os serviços públicos de água e saneamento são condições essenciais para garantir o acesso de todos à água como direito de cidadania", recorda a Associação Água Pública.

domingo, 21 de março de 2010

Dia Mundial da Floresta


Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou ao dormitório da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta. Acudiram os pássaros, os insectos, os roedores de toda a ordem a povoá-Ia. No seu solo abrigado e gordo nasceram as ervas, cuja semente bóia nos céus ou espera à tez dos pousios a vez de germinar. De permeio desabrocharam cardos, que são a flor da amargura, e a abrótea, a diabelha, o esfondílio, flores humildes, por isso mesmo troféus de vitória. Vieram os lobos, os javalis, os zagais com os gados, a infinita criação rusticana. Faltava o senhor, meio fidalgo, meio patriarca, à moda do tempo.

Aquilino Ribeiro, "A Casa Grande de Romarigães"
Bom dia! Hoje é o Dia Mundial da Floresta

Dia Mundial da Poesia

O Poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto, in "Obra Poética II", Caminho, Lisboa, 1995 (2.ª edição)
Hoje, é Dia Mundial da Poesia.

Celebrando-se desde 21 de Março de 2000, o Dia foi proclamado em 1999 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como forma de reconhecimento e valorização do papel da poesia no mundo contemporâneo.

Dia da Eliminação da Discriminação Racial

Hoje é Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial.
Proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1966, o Dia Internacional comemora a tragédia de 21 de Março de 1960, em Sharpeville, na África do Sul, quando a Polícia reprimiu violentamente uma manifestação pacífica de estudantes contra as leis de segregação racial do Apartheid, abrindo sobre eles e matando sete dezenas de manifestantes.
"É indispensável que nas escolas se ensine o respeito pelo próximo, o apreço pela riqueza da variedade de culturas do Mundo e a tolerância pelas diferenças", apela a directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Irina Bokova, na sua mensagem alusiva à data. "Na falta desses valores, é impossível preservar os direitos humanos e as liberdades fundamentais", acrescenta.

quinta-feira, 18 de março de 2010

561.315 desempregados

Oficialmente, são 561.315, os desempregados em Portugal.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ainda que mal pergunte...

... ou sou eu que ando muito distraído e ainda não dei conta de que o que pergunto é disparate, ou esta proposta de Pedro Santana Lopes apanhou muito mais gente distraída do que aponta o Vítor Dias?
Os distraídos são evidentes: os militantes do PSD, incluindo os candidatos que se apressaram a condenar a alteração estatutária quando a bronca surgiu mas que simplesmente se tinham esquecido de ler atempadamente a proposta e os Estatutos em vigor e de intervir sobre elas no Congresso; e todos quantos se têm entretido a perorar sobre o assunto sem terem feito o trabalho de casa (lá está, ler os Estatutos em vigor e as alterações propostas/aprovadas...).