domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por uma homenagem à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (1969-1974)

Cento e cinquenta cidadãos subscreveram uma petição à Assembleia da República, reclamando o reconhecimento público da contribuição da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (CNSPP) na luta contra a ditadura fascista e pela liberdade e pela democracia, assinalando o 40.º aniversário desta corajosa iniciativa cívica que se manteve activa até ao 25 de Abril.
Constituída por membros e activistas da CNSPP, a Comissão Promotora já apresentou a iniciativa ao presidente da Assembleia da República, na qual participaram os primeiros signatários da Comissão - Frei Bento Domingues, Levy Batista, Manuela Bernardino, Maria Eugénia Varela Gomes, Maria Lucinda Miranda Santos, Mário Brochado Coelho, Nuno Teotónio Pereira, que pertenceram ao núcleo fundador da CNSPP.
"Criada em finais de 1969, a CNSPP enfrentou corajosamente a natureza repressiva do regime, alertando a opinião pública nacional e internacional para os graves problemas ligados à situação dos presos políticos em Portugal e nas Colónias, proclamando a necessidade de pôr cobro a esta situação desumana e auxiliando por todas as formas os presos políticos e os seus familiares", lê-se numa nota publicada no sítio da iniciativa, onde a petição está disponível para subscrição.
"A sua acção só foi possível, em plena ditadura, pelo amplo conjunto de personalidades com diversas orientações políticas que a constituíam, unidas na defesa dos presos políticos antifascistas, e devido ao amplo apoio que suscitou entre o povo português e no estrangeiro", acrescenta. "Esse apoio expressou-se na solidariedade prestada por associações e colectividades de índole diversa, por organizações humanitárias, sindicais e políticas de diversos países, em especial na Europa, bem como pelos principais meios de comunicação social internacionais", lê-se ainda.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Desculpem incomodar o vosso almoço...

"Desculpem incomodar o vosso almoço... Um resto de dia feliz. E bom fim-de-semana". Numa lenga-lenga delicada, o homem lá ia incomodando os comensais, correndo o restaurante de mesa em mesa. O blusão quente e vermelho e o molhe de revistas impecável e imaculadamente protegidas pelo invólucro de plástico não deixavam dúvidas quanto ao que vinha, certificando o pedido: "... se fizerem o favor de comprar a revista Cais".
O número de Janeiro (o de Fevereiro ainda não saiu) destaca a Taça do Mundo de Futebol dos Sem-Abrigo, os novos pobres dos Estados Unidos da América (atenção!), o fracasso da Cimeira de Copenhaga e a energia eólica.
A páginas tantas, porém, de um curto mas directo artigo do professor de Filosofia Política João Cardoso Rosas ("Difícil pluralismo"), salta aos olhos o destaque: "Em Portugal continua a ser difícil dar a cara por aquilo em que se acredita. A maior parte das pessoas prefere refugiar-se no anonimato para não ser incomodada, ou com medo de ser incomodada".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Madeira: entre a guerra da comunicação e a luta com a Natureza

Vai grande a azáfama à volta de magnas questões como o número preciso de vítimas da catástrofe que enlutou a Madeira no passado sábado ou os danos à imagem do arquipélago que a tragédia e a respectiva cobertura jornalística estejam a causar.
O Governo Regional - ou, mais precisamente, o seu presidente - afadigam-se a tentar ganhar uma guerra de comunicação. Por um lado, centraliza(m) no(s) próprio(s) toda a informação (ver o exemplo de comunicado desta manhã) e nem os Serviços de Protecção Civil respondem aos pedidos de informações feitos pelos jornalistas. Por outro, insiste numa peleja infantil em defesa da marca turística que sustenta a maior parte da sua economia.
Já em 1989, por ocasião da maré negra que manchou as praias de Porto Santo, senti profissionalmente esse problema e a insistência não me surpreende. Mas o problema para os que terçam armas por tal desígnio supremo é que, hoje, a capacidade de recolher, processar e difundir informação sobre o que se passa (incluindo boatos e rumores...) é incomensuravelmente maior do que há duas décadas.
Os tristes acontecimentos do passado sábado, a percepção dos riscos muito clara nas populações madeirenses desde sempre e a evidente consciência das vulnerabilidades da ilha que as próprias autoridades têm só podem impulsionar mais acção para compreender melhor os riscos e agir na prevenção e na minimização das consequências de acidentes e catástrofes.
Essa capacidade de "lutar" com a Natureza interessará prospectivamente muito mais aos visitantes - mas desde logo aos madeirenses - do que o estafado e infantil esforço de conunicação para evitar "estragos lá fora".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dia Europeu da Vítima

Hoje é o Dia Europeu da Vítima. Instituído pelo forum europeu de organizações não governamentais (26) de apoio às vítimas, como forma de promoção dos direitos das vítimas de crimes, serve para denunciar as estatísticas impressionantes.
Em 2009, só a Associação de Apoio à Vítima (APAV) assinalou:

  • 6.539 mulheres vítimas de crime (em média, 127 por semana e 18 por dia)

  • 610 crianças vítimas de crime (em média, 12 por semana e duas por dia)

  • 642 pessoas idosas vítimas de crime (em média, 13 por semana e duas por dia)
A violência doméstica continua a dominar as estatísticas.  
Para assinalar a data, a APAV organiza, na sua sede em Lisboa, um seminário sobre "As vítimas de crime e os órgãos de comunicação social", que conta com a participação do presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, Orlando César.  

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Dia Internacional da Língua Materna





Hoje é o Dia Internacional da Língua Materna. Instituído, em 1999, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e celebrado em cada 21 de Fevereiro desde 2000, destina-se a sensibilisar para a importância do reconhecimento da diversidade cultural e linguística e da educação multilinguística.
No âmbito das comemorações deste ano, a Unesco promove, amanhã e depois, em Paris, um simpósio internacional sobre tradução e mediação cultural.
Entre outras questões, será discutido o problema de saber se as tecnologias são amigas ou inimigas, quando se trata de preservar as línguas locais, segundo destaca a informação disponibilizada pela Unesco aqui



(A imagem foi retirada da página da Unesco)

À Espera de Godot

Recomendo as encantadoras esperas de Carlos Silva calcorreando o país. Está nas Outras Naves.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Concentração de meios de informação: de que estão à espera?


O "Diário de Notícias" dá hoje conta que o Governo e "ameaça" recuperar a lei sobre a não concentração da propriedade dos meios de informação vetada por duas vezes pelo Presidente da República.
"PS ameaça Cavaco com lei vetada sobre concentração dos media", titula o diário em manchete. A peça no interior, com o título "PS recupera lei vetada por Cavaco", esclarece, citando uma resposta escrita do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, que este "assumiu a temática da concentração dos meios não constituía a sua primeira prioridade".
"Todavia", acrescenta logo a referida resposta, "se o tema do pluralismo nos meios de comunicação social e da transparência na titularidade dos seus órgãos vier a ser identificado como relevante nas preocupações da Assembleia da República, o Governo saberá estar atento e agir em conformidade".
Ora, precisamente, o Governo já deveria ter "agido em conformidade", como já aqui foi sublinhado há mais de uma semana. Desde logo com o compromisso eleitoral do Partido Socialista, trasladado para o Programa de Governo, de proceder "à aprovação de regras sobre a transparência, não concentração e pluralismo dos meios de comunicação social".
Os deveres dos outros
Assim como os restantes partidos devem agir igualmente de acordo com as suas responsabilidades, conforme constam dos respectivos programas eleitorais, que a seguir se recorda, transcrevendo o que neles constava sobre o assunto:
PSD
Promoveremos a transparência na titularidade dos órgãos de comunicação social, prevenindo uma concentração excessiva que possa pôr comprometer o pluralismo inerente a uma sociedade democrática, sem deixar, porém, de atender à necessidade de grupos de comunicação social economicamente sólidos e competitivos, a nível nacional e europeu.
PCP
A defesa da democracia implica também a luta pela garantia da liberdade de imprensa. A concentração dos órgãos de comunicação social nas mãos de um reduzido número de grupos económicos põe em causa a liberdade de imprensa, o direito a informar e a ser informado, e os mais elementares direitos dos jornalistas.
Importa por isso adoptar legislação anti-concentração; garantir medidas de respeito pelo pluralismo e isenção dos meios de comunicação social e defender e afirmar os serviços públicos de rádio e de televisão; alterar o Estatuto dos Jornalistas, impondo o respeito pelos seus direitos profissionais e deontológicos. É ainda parte integrante de uma política alternativa a valorização do Serviço Público de Televisão e Rádio através de uma profunda reestruturação que estabeleça os princípios de uma gestão profissional, rigorosa e independente do poder político e as contrapartidas essenciais ao prosseguimento dos seus objectivos, bem como, a valorização e apoio efectivo à comunicação social regional e local.
CDS
A passada legislatura ficou marcada pela tentativa do Partido Socialista de aprovar uma lei sobre o (pluralismo e não-concentração) que levantava várias perplexidades junto dos agentes do sector, nomeadamente por representar um ataque à liberdade de imprensa e pluralismo de informação, com a tentativa de intervenção na Rádio Renascença por artificial "excesso " de concentração no sector das rádios; por criar sobreposições entre vários reguladores como a ERC, a Autoridade da Concorrência, a ANACOM, a CNVM, o Banco de Portugal e outras entidades a fazendo a regulação simultânea da actividade, complicando em especial o processo de aprovação de operações de concentração e impedindo o ganho de escala pelos grupos nacionais.
Felizmente, o Presidente da República vetou esta iniciativa legislativa, não só pelos limites que introduzia à actividade jornalística, mas também por representar um contra-senso face à aprovação, no seio da União Europeia, de directivas comuns, relativas ao que deve ser entendido como excesso de concentração.
Na próxima legislatura o CDS acompanhará o desenvolvimento desta questão na União Europeia, mantendo uma especial vigilância sobre a actuação dos reguladores, de modo a que não sejam utilizados para condicionar os grupos de comunicação social.
CADERNO DE ENCARGOS
(…)
2. Acompanhar o desenvolvimento da definição de não concentração ao nível da União Europeia.
3. Manter especial vigilância sobre a actuação dos reguladores, de modo a não serem utilizados para condicionar os grupos de media.
BE
Uma política de igualdade para a cultura tem de passar por uma regulação dos meios de comunicação social que assegure a pluralidade de expressões culturais, combatendo a concentração e o domínio das multinacionais de produção de conteúdos ou de edição e rejeitando a sobreposição dos seus critérios a critérios de difusão democráticos (ao nível, por exemplo, da difusão musical)
O controlo oligopolístico da comunicação social em todas as suas modalidades, conjugado com o extraordinário poder de influência, socialização e manipulação que os media adquiriam, é um risco para a democracia.
É essencial por isso impedir a concentração dos meios de comunicação social e de distribuição (imprensa escrita, agências noticiosas, rádio, televisão, cabo, distribuidoras, etc), impedindo posições dominantes que põem em causa a ideia de cultura, de informação e da comunicação enquanto bens públicos e democráticos.
(…)
A comunicação social é dominada em Portugal por cinco grandes grupos, quatro deles privados. Para além de todos os perigos inerentes a qualquer monopólio ou de abuso de posição dominante, no caso do sector da informação a concentração põe em causa o pluralismo, a liberdade de imprensa e a própria democracia.
Afirma a Constituição que «o Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico, impondo o princípio da especialidade das empresas titulares de órgãos de informação geral, tratando-as e apoiando-as de forma não discriminatória e impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas».
A Constituição não poderia ser mais clara. No entanto, assiste-se em Portugal a um quase vazio legal nesta matéria. Em 1992, o Parlamento Europeu recomendou aos Estados-membros «que ainda não possuam legislação específica relativa às operações de concentração no domínio da imprensa e do audiovisual a criarem esse instrumento o mais rapidamente possível». Em Setembro de 2008, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução sobre a concentração e pluralismo nos media, defendendo que só o pluralismo da sua titularidade defende os direitos e a autonomia profissional dos jornalistas.
Há mais de uma década, sobretudo desde a atribuição de licenças a rádios e televisões privadas, que a situação portuguesa evoluiu de uma forma preocupante. Está a ser construído em Portugal, tal como noutros países, um monopólio da opinião e os interesses que se movem na área das empresas de comunicação social influenciam de forma directa e já pouco discreta muitas das decisões do poder político.
O Bloco de Esquerda pretende travar o processo de concentração emergente e impedir a concentração horizontal, vertical e multimédia. Este objectivo não impede, por si só, a existência de sinergias positivas que permitam a convergência de meios de comunicação e a optimização de meios tecnológicos e tem em conta o reduzido mercado nacional.
A CONCENTRAÇÃO DA PROPRIEDADE DA COMUNICAÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL
Temos, neste momento, quatro grandes grupos privados de comunicação social: Cofina, Impresa, Media Capital e Global Notícias. Isto, deixando de fora a Igreja Católica e a Impala, com características um pouco diferentes. O outro grupo é o que corresponde ao serviço público (RTP e RDP). Se olharmos para a Cofina, Impresa, Media Capital e Global Notícias, então temos um cenário preocupante.
A Cofina tem participações na revista "Máxima ", no jornal "Record ", no "Jornal de Negócios", "Correio da Manhã" e nas distribuidoras VASP e Deltapress (estas duas empresas detêm mais de 90 por cento do mercado da distribuição).
A Impresa tem também uma participação na VASP.Detém o jornal "Expresso " e as revistas "Visão ", "Caras " e "TV Mais ", num total de quase 30 títulos. Detém ainda o canal generalista SIC e os canais de cabo SIC Notícias, SIC Radical e SIC Mulher, tendo um acordo com a TV Cabo que lhe dá prioridade na criação de canais de língua portuguesa neste meio. Detém ainda uma participação de 25% na agência LUSA, uma empresa maioritariamente de capitais públicos.
A Media Capital detém o canal de televisão TVI, a Rádio Comercial, Rádio Cidade e as revistas "Fortuna " e "Expansão".
O quarto grupo é o que resulta da venda das participações da PT na comunicação social, originando a actual dimensão da Global Notícias, detentora de títulos como o "Diário de Notícias ","Jornal de Notícias ","Notícias Magazine ","24 Horas ","Diário de Notícias" (Funchal), num total de 20 publicações. Detém ainda a participação dominante na TSF, numa gráfica e numa distribuidora.
Assim, para combater a concentração privada dos meios de comunicação social, o Bloco propõe:
• Impedir participação de uma entidade privada em mais do que um canal de difusão por meios hertzianos analógicos;
• Uma empresa que tenha a propriedade da rede fixa de telefone ou de um canal de distribuição por cabo, ou da Televisão Digital Terrestre, não pode ter participação num canal de TV com sinal aberto;
• Obrigar a TV Cabo a aceitar a transmissão das emissões, em igualdade de circunstâncias, de todos os canais que se candidatem a elas, desde que garantam viabilidade económica e técnica;
• Garantir a independência da agência noticiosa nacional em relação aos grupos privados de comunicação social;
• Impedir posição dominante no mercado das rádios de âmbito nacional;
• Prevenir a concentração ou as compras hostis no mercado local de imprensa;
• Impedir posição dominante no mercado de jornais nacionais generalistas e na imprensa especializada mais relevante (economia e desporto);
• Aumentar a independência da imprensa especializada face às empresas do sector respectivo;
• Separar as empresas da distribuição das empresas de comunicação social.
• Alterar profundamente o funcionamento da entidade reguladora, dando-lhe poderes efectivos e retirando ao poder político os poderes de licenciamento que hoje tem, meios para exercer eficazmente as suas funções e uma forma de nomeação que lhe confira autoridade política e técnica.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Soberania sobre a palavra

O bloguer, comentador e deputado José Pacheco Pereira afixou ontem no Abrupto o que julgo serem as perguntas e respostas integrais a um inquérito feito, em Janeiro, a várias personalidades sobre a utilização da Rede pelos políticos.*
Não é a primeira vez que uma personagem da vida pública dá publicidade ao teor integral das perguntas que lhe foram feitas e das respostas que deu (ou escreveu) a jornalistas. O que tem vários significados possíveis, não necessariamente alternativos.
De todos os significados possíveis, há especialmente um que me interessa - o que tem a ver com a soberania sobre a palavra. A quem cabe - ao jornalista mediador do processo?, ou ao agente que profere uma afirmação, enuncia uma ideia, elabora um pensamento? E por que razões tal soberania é assim afirmada - por insatisfação com o espaço concedido ou com o tratamento jornalístico dado às respostas?, ou por necessidade de recentragem individualizada nas respostas?, ou por necessidade de recolocação das respostas no exacto contexto da formulação das perguntas (implicando uma sequência e uma lógica)?
O problema não é novo. Colocar-se-á mais vezes e teremos de viver com ele. 

* O caso é apontado como mero exemplo verificável e não envolve qualquer crítica ou apreciação sobre a conduta concreta de JPP, pois o que interessa é a reflexão que sobre o assunto possa ser feita.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O que deixou de dizer o pivô

É pena que o pivô tenha deixado de dizer já nos idos de Julho. Mas, para que se saiba que dizia de uma forma diferente e inteligente o que não pode deixar de ser dito, aqui fica mais uma recomendação na minha muito incompleta lista de outras naves. Vale pelo que já lá está dito; e vale pelo muito que, espero, virá a dizer.

Liberdade de imprensa: dicas práticas para deputados

Vários deputados membros da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República mostraram, ontem, interesse em saber o que podem fazer para contrariar a precariedade dos jornalistas, aumentar a sua independência e defender a liberdade de imprensa.
Deixo aqui várias dicas, que aliás constam (com mais detalhe) de uma "Proposta de 'agenda' para os partidos" concorrentes à Assembleia da República que lhes foi enviada pelo Sindicato dos Jornalistas em 18 de Setembro de 2009:
  • Revisão imediata do Estatuto do Jornalista, revogando as normas sobre direitos de autor que criam condições para a censura e a manipulação, reforçando a protecção do sigilo profissional, aprofundando a garantia de protecção da cláusula de consciência
  • Medidas legislativas contra a precariedade e a exploração do trabalho gratuito de estudantes, designadamente revendo a portaria que regula o acesso à profissão
  • Legislação urgente, estabelecendo limites claros à concentração da propriedade dos meios de informação
  • Revisão do diploma legal sobre o registo de órgãos de informação, designadamente obrigando ao registo de todos os interesses dos titulares numa ou mais empresas do sector e em sociedades gestoras de participações 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A propósito das "escutas", uma questão central

Desculpem lá insistir numa questão central que as revelações do "Sol", nas suas duas últimas edições, levantam e que não me recordo de ter visto ainda discutida:
   

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Concretamente

Desculpem lá a insistência nisto
4. Concretamente, importa esclarecer com urgência o país se o primeiro-ministro deu ou não deu instruções a alguém para que fosse desencadeada uma dupla operação de controlo editorial de empresas de comunicação social e de afastamento de jornalistas do seu eventual desagrado; ou se de alguma maneira consentiu na sua realização.
5.Concretamente, deve ficar cabalmente esclarecido se houve ou não intervenção das personalidades às quais são publicamente atribuídos actos e assacadas responsabilidades no alegado “plano” do Governo para controlar órgãos de informação e perseguir jornalistas.

que já aqui estava pedido desde sexta-feira e para o qual ainda não vislumbrei respostas claras, transparentes, irrefutáveis.
Bem sei que tenho estado demasiado ocupado com muitos outros afazeres, e posso estar até um bocadinho distraído com outras prioridades, mas nenhum dos meus amigos me avisou que podemos ficar descansados. 

domingo, 31 de janeiro de 2010

O 31 de Janeiro

Assinala-se hoje o 119.º aniversário da Revolta republicana do Porto. Derrotada em breves horas, a República proclamada em 31 de Janeiro de 1891 foi um passo inspirador das consciências ao longo de décadas de resistência. Nunca a celebração de um fracasso terá tido tanta utilidade cívica.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Os media e as alterações climáticas

A convite do Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM), participei, ontem à noite, na tertúlia inaugural de um ciclo que esta associação vai realizar este ano no Forum FNAC Café de Braga, dedicada à forma como os media trataram a Cimeira de Copenhaga.

Na minha "charla", tentei reflectir sobre três tópicos:
  • O carácter messiânico da conferência, tendo em conta as enormes expectativas sobre um acordo com compromissos e metas concretas para a redução dos gases com efeito atmosférico de estufa, as pressões e exigências de actores políticos, organizações não governamentais e opinião pública, e o dramatismo crescente dos respectivos discursos, com o registo por vezes quase apocalíptico dos cenários enunciados para justificar as decisões esperadas/exigidas.
  • A contaminação da agenda mediática por tais expectativas, pressões e exigências, levando os media a absorver o dramatismo crescente em torno da conferência e a incorporar o tema na sua "missão", valorizando o discurso dominante e o consenso amplamente estabelecido sobre os mecanismos e as consequências das alterações climáticas, com risco de poder estar subrepresentado o chamado cepticismo climático.
  • O aprofundamento de agendas alternativas, ou formas de contra-agenda mediática, traduzidas no recurso, por organizações e cidadãos, a sítios e blogues (nalguns casos criados especificamente para a ocasião), para a produção e distribuição de: i) informação alternativa à disponibilizada pelos meios de informação, nalguns casos conseguindo antecipar-se na divulgação de documentos em discussão; ii) informações e opiniões disponibilizadas directamente ao público à margem da agenda dos media e dispensando mesmo a mediação jornalística; iii) comentários e críticas à cobertura dos media - e à sua própria agenda - num exercício de escrutínio directo e não mediado do trabalho dos jornalistas e das empresas.   
Do conjunto muito interessante de perguntas do auditório, destaco três:
1.ª - Se os media falharam;
2.ª - Se é problema a existência de cépticos;
3.ª - Se as alterações climáticas são o problema mais importante.

Em síntese, eis o que respondi:
1.ª - Os media não falharam, mas... Ou seja: a) Cumpriram a sua missão, conseguindo ir muito além do mero relato da conferência, fornecendo aos cidadãos criações jornalísticas de informação e enquadramento sobre inúmeros temas directa ou indirectamente relacionados com as alterações climáticas; b) Mas não devem deixar de continuar a trabalhar o assunto, mantendo-o assim na sua própria agenda.
2.ª - A existência de cépticos não é um problema; é uma vantagem: inúmeros avanços do conhecimento e da Ciência só foram possíveis pelo inconformismo, pela interpelação às pretensas certezas "científicas" que permaneceram nalguns casos ao longo de séculos, ou que até há pouco tempo nos eram apresentadas como aquisições definitivas. E não podemos ignorar que se o consenso é suportado por um escol cientistas e peritos de larga escala, o cepticismo também é representado por cientistas com créditos, ainda que em número muito mais reduzido.
3.ª - As alterações climáticas são uma das consequências do principal problema - a dificuldade do homem em reconciliar-se com a Natureza.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dia do Holocausto


Passam hoje 65 anos sobre a libertação do campo de extermínio nazi de Auschwitz-Birkenau, criado em 1940 no sul da Polónia, onde morreram 1,1 milhões de seres humanos - um milhão dos quais eram judeus.


(Foto obtida no sítio do Museu)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Fwd: Apoios à petição 'Antes da dívida temos direitos!'


Apelo recebido por correio electrónico:
A petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" continua a juntar milhares de pessoas contra as injustiças impostas aos trabalhadores a falsos recibos verdes. Milhares de pessoas que, com a sua assinatura, levarão em breve ao parlamento a exigência inadiável de justiça nas contribuições para a Segurança Social e contratos de trabalho para todos os trabalhadores a falsos recibos verdes.   
Divulgamos agora este vídeo com importantes testemunhos de apoio à petição. São 5 personalidades amplamente reconhecidas em diversas áreas da vida social:

Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP
Sandra Barata Belo, actriz
Chullage, músico e activista contra a exclusão e pelos direitos dos imigrantes 
Diana Andringa, jornalista
Miguel Guilherme, actor

Vê o vídeo e assina a petição em:
http://www.antesdadividatemosdireitos.org

A petição recolheu já cerca de 10 mil assinaturas! Vamos juntar as nossas vozes para combater esta injustiça, porque a força desta proposta será tanto maior quanto maior for o número de subscrições.
divulga a petição aos teus contactos!
Também podes recolher assinaturas em papel (download aqui, imprimindo frente e verso) e enviar para:
Apartado 7008  4051-901 PORTO (podes enviar mesmo as folhas que não estejam completas).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Associação José Afonso

Um lugar de memórias, cantigas e não só é o que é o sítio da Associação José Afonso. Uma das minhas naves. Passa a figurar ao lado.

Parque Nacional da Peneda-Gerês


Os povos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) continuam descontentes com o Estado. Têm uma história muito antiga de resistência. Umas vezes por boas razões, outras por incompreensões, outras por erros. Seja porque o regime florestal a que foram submetidos à força os seus baldios no tempo do fascismo representou um confisco brutal dos seus direitos e da sua subsistência; seja porque a criação do Parque Nacional não terá os terá acautelado da melhor forma; seja porque os instrumentos de gestão desta área protegida não são do seu agrado; seja porque trauma da imposição nunca foi ultrapassado.
A conciliação dos interesses das populações e da conservação da Natureza e as dificuldade de relacionamento entre os habitantes das áreas protegidas e os respectivos órgãos de gestão e os Estados não são um problema novo nem único no PNPG ou em Portugal. Mas seria bom que o Estado Português encontrasse formas de melhorar o diálogo com as populações e os seus representantes. Ganharia a conservação da Natureza e ganharíamos todos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Apesar do sol

Enfim um domingo cheio de sol e tanta gente - famílias inteiras - enfiada no "shopping"...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fwd: FW: HOJE INAUGUROU O CONTROLO NA VIA VERDE

São frequentes mensagens "amigas" como a que vai abaixo e circula nos correios electrónicos (da qual suprimi apenas uma menção a uma marca). Nunca saberei qual é o propósito de quem põe em circulação mensagens como esta. Mas julgo poder ter uma certeza: é que, com esta, a velocidade excessiva nos pórticos com "via verde" deverá abrandar. Façam, pois, o favor de reenviar a dita. E boa viagem! 

 Controlo por radar - Via Verde
 

Atenção Foram hoje inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as vias verdes.                                                
Não esquecer que o LIMITE de VELOCIDADE é 60 Kms/hora!!!


Senão... carta apreendida e 150.00 euros.

PS: Passem esta informação... aos amigos é claro




Liberdade de expressão: A Justiça tarda, mas...

Há quem diga que a Justiça tarda, mas faz-se. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem acaba de condenar o Estado Português por "entrave injustificado" à liberdade de expressão, num processo que envolveu o jornalista António José Laranjeira.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Na Marinha Grande, há 76 anos


Operários vidreiros da Marinha Grande revoltaram-se contra o fascismo e foram violentamente reprimidos. Foi há 76 anos, em 18 de Janeiro de 1934. A Câmara Municipal e o Sindicato dos Vidreiros comemoram a efeméride desde o dia 14, com um conjunto de iniciativas até 24. A memória guarda-se na Casa-Museu 18 de Janeiro. (Imagem das comemorações oficiais)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sobre as formas de tráfico de pessoas



Algumas conclusões do X Encontro de Agentes Sócio-pastorais das Migrações, que terminou hoje em Fátima:
  • O tráfico de pessoas não se reduz à prostituição e à violência de género e à imigração irregular;
  • Há tráficos consoante a forma de exploração: migrantes irregulares para trabalho, pessoas exploradas sexualmente, crianças subjugadas por familiares para a adopção, seres humanos para o comércio de órgãos e crentes manipulados para fins religiosos, uma realidade emergente;
  • Na última década, muitos dos grupos de trabalhadores imigrantes, chegados a Portugal do Leste Europeu de forma maciça e irregular, foram vítimas de tráfico; como também portugueses traficados para trabalhar nomeadamente em Espanha; 
  • As pessoas vítimas do tráfico passam por um processo de: recrutamento, transferência, uso de formas de coerção, fraude ou engano, abuso do poder e aproveitamento da vulnerabilidade social; 
  • Para além das redes criminosas transnacionais, o tráfico acontece nas redes informais e familiares e é aí que este crime mais é favorecido.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Quando a vítima se rebela

O título do "Diário de Notícias" diz tudo:
Matou companheiro que
a agredia há cinco anos
"Maria" (nome fictício atribuído pelo DN) tem apenas 22 anos e o companheiro tinha somente 21. Teria sido uma fonte da Polícia Judiciária a graduar a duração do martírio - cinco anos disse ela.
Cinco anos é muito tempo na vida de um casal tão jovem. Bastariam cinco meses, ou cinco dias, ou cinco horas, ou cinco minutos. É sempre imperdoável a duração da violência doméstica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sobre o acordo entre o PS e a direita

Alguém sabe em que cartório notarial vai ser depositado o acordo entre o Partido Socialista e a direita para a aprovação do Orçamento de Estado, já que não será publicado no "Diário da Assembleia da República"?
Alvíssaras por uma resposta!

O tempo das cerejas

Estou entre as 100 mil pessoas diferentes que visitam O Tempo das Cerejas do Vítor Dias. E recomendo.

Fwd: Biblioteca Digital da Unesco

Mão amiga fez-me chegar uma mensagem que circula no correio electrónico enaltecendo o lançamento, na Rede, da "Biblioteca Digital Mundial da Unesco".
A mensagem informa que a biblioteca virtual "reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta".
Segundo uma citação do coordenador do projecto, Abdelaziz Abib atribuída ao jornal espanhol La Razon, a iniciativa tem sobretudo um "valor patrimonial" não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Russo,Espanhol e Português".
Entre as preciosidades disponibilizadas está o "Hyakumanto darani" (séc. XVI), "um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história".
A biblioteca começa com 1200 documentos, acrescenta a mensagem, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.
É possível fazer a busca por épocas, regiões geográficas, tipo de documento e instituição, sendo as imagens dos documentos acompanhadas por explicações nos idiomas escolhidos.
Mas atenção ao rigorzinho: esta biblioteca digital não é "da Unesco". No próprio sítio, pode ler-se: que "foi desenvolvida por uma equipe da Biblioteca do Congresso dos EUA, com contribuições de instituições parceiras em muitos países, o apoio das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO);  e o apoio financeiro de uma série de empresas e fundações privadas".
É importante notar o conjunto de instituições já associadas ao projecto - muito apreciável, até pelas virtuais que abre para inúmeras bibliotecas e arquivos, mas ainda muito incompleto.
Biblioteca Nacional de Portugal é uma das instituições associadas, mas, se fiz bem a consulta hoje, nenhuma das 13 peças sobre Portugal disponíveis na BDM lhe pertence. Por exemplo, o espécime do Plano geral da cidade de Lisboa ali reproduzido pertence à Biblioteca Nacional do Brasil e o do mapa do Reino do Algarve pertence à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre a dispensabilidade dos jornalistas

Como proposta de reflexão sobre a por vezes insinuada dispensabilidade dos jornalistas, especialmente no terreno, cito, com a devida vénia, do Webmanário:
Virou clichê, nas grandes tragédias, incensar o Twitter e seu poder de instantaneidade e mobilização. É quando o jornalismo cidadão, essa prática tão saudável de apurar/analisar/difundir notícias (preceitos idênticos ao do jornalismo profissional), é notado.

No devastado Haiti, porém, o cidadão foi bem menos jornalista do que os profissionais: foram coleguinhas com experiência na condução de transmissões ao vivo que seguraram o grosso dos relatos e imagens in loco sobre o terremoto de 7 graus na escala Richter.
E aproveito para recomendar, no espaço Outras Naves, este blogue do jornalista e professor brasileiro Alec Duarte.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O inglês que não sabe história pátria

"Não senhor, não é americano, que nesses já se espera. É inglês! Ora, os ingleses sabem bem o que é Portugal, tão ligados a nós, então com o vinho do Porto!"
Foi assim, sumária e firmemente, que o empregado do bar do comboio me explicou a paciente e educada querela geográfica que acaba de ter com um passageiro que teimava ser este luso rectângulo território de Espanha.

Escutas telefónicas, onde as há...

Sei, com certeza, onde há escutas telefónicas. No Alfa-Pendular e Intercidades, no Metro,  nos autocarraro, nos restaurantes, nas salas de espera de consultórios médicos, na rua... É só ouvir, mesmo que a gente não queira.
Já escutei de tudo - conversas entre (envolvendo) magistrados, advogados, dirigentes partidários, empresários, vendedores, dirigentes de organismos públicos, secretárias, amigos, namorados, esposos, amantes...