Assinala-se hoje o 119.º aniversário da Revolta republicana do Porto. Derrotada em breves horas, a República proclamada em 31 de Janeiro de 1891 foi um passo inspirador das consciências ao longo de décadas de resistência. Nunca a celebração de um fracasso terá tido tanta utilidade cívica.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Os media e as alterações climáticas
A convite do Grupo de Alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (GACCUM), participei, ontem à noite, na tertúlia inaugural de um ciclo que esta associação vai realizar este ano no Forum FNAC Café de Braga, dedicada à forma como os media trataram a Cimeira de Copenhaga.
Na minha "charla", tentei reflectir sobre três tópicos:
- O carácter messiânico da conferência, tendo em conta as enormes expectativas sobre um acordo com compromissos e metas concretas para a redução dos gases com efeito atmosférico de estufa, as pressões e exigências de actores políticos, organizações não governamentais e opinião pública, e o dramatismo crescente dos respectivos discursos, com o registo por vezes quase apocalíptico dos cenários enunciados para justificar as decisões esperadas/exigidas.
- A contaminação da agenda mediática por tais expectativas, pressões e exigências, levando os media a absorver o dramatismo crescente em torno da conferência e a incorporar o tema na sua "missão", valorizando o discurso dominante e o consenso amplamente estabelecido sobre os mecanismos e as consequências das alterações climáticas, com risco de poder estar subrepresentado o chamado cepticismo climático.
- O aprofundamento de agendas alternativas, ou formas de contra-agenda mediática, traduzidas no recurso, por organizações e cidadãos, a sítios e blogues (nalguns casos criados especificamente para a ocasião), para a produção e distribuição de: i) informação alternativa à disponibilizada pelos meios de informação, nalguns casos conseguindo antecipar-se na divulgação de documentos em discussão; ii) informações e opiniões disponibilizadas directamente ao público à margem da agenda dos media e dispensando mesmo a mediação jornalística; iii) comentários e críticas à cobertura dos media - e à sua própria agenda - num exercício de escrutínio directo e não mediado do trabalho dos jornalistas e das empresas.
Do conjunto muito interessante de perguntas do auditório, destaco três:
1.ª - Se os media falharam;
2.ª - Se é problema a existência de cépticos;
3.ª - Se as alterações climáticas são o problema mais importante.
Em síntese, eis o que respondi:
1.ª - Os media não falharam, mas... Ou seja: a) Cumpriram a sua missão, conseguindo ir muito além do mero relato da conferência, fornecendo aos cidadãos criações jornalísticas de informação e enquadramento sobre inúmeros temas directa ou indirectamente relacionados com as alterações climáticas; b) Mas não devem deixar de continuar a trabalhar o assunto, mantendo-o assim na sua própria agenda.
2.ª - A existência de cépticos não é um problema; é uma vantagem: inúmeros avanços do conhecimento e da Ciência só foram possíveis pelo inconformismo, pela interpelação às pretensas certezas "científicas" que permaneceram nalguns casos ao longo de séculos, ou que até há pouco tempo nos eram apresentadas como aquisições definitivas. E não podemos ignorar que se o consenso é suportado por um escol cientistas e peritos de larga escala, o cepticismo também é representado por cientistas com créditos, ainda que em número muito mais reduzido.
3.ª - As alterações climáticas são uma das consequências do principal problema - a dificuldade do homem em reconciliar-se com a Natureza.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Dia do Holocausto
Passam hoje 65 anos sobre a libertação do campo de extermínio nazi de Auschwitz-Birkenau, criado em 1940 no sul da Polónia, onde morreram 1,1 milhões de seres humanos - um milhão dos quais eram judeus.
(Foto obtida no sítio do Museu)
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Efemérides
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Fwd: Apoios à petição 'Antes da dívida temos direitos!'
Apelo recebido por correio electrónico:
A petição "Antes da Dívida Temos Direitos!" continua a juntar milhares de pessoas contra as injustiças impostas aos trabalhadores a falsos recibos verdes. Milhares de pessoas que, com a sua assinatura, levarão em breve ao parlamento a exigência inadiável de justiça nas contribuições para a Segurança Social e contratos de trabalho para todos os trabalhadores a falsos recibos verdes.
Divulgamos agora este vídeo com importantes testemunhos de apoio à petição. São 5 personalidades amplamente reconhecidas em diversas áreas da vida social:
Manuel Carvalho da Silva, Secretário-Geral da CGTP
Sandra Barata Belo, actriz
Chullage, músico e activista contra a exclusão e pelos direitos dos imigrantes
Diana Andringa, jornalista
Miguel Guilherme, actor
Vê o vídeo e assina a petição em:
http://www.antesdadividatemosdireitos.org
A petição recolheu já cerca de 10 mil assinaturas! Vamos juntar as nossas vozes para combater esta injustiça, porque a força desta proposta será tanto maior quanto maior for o número de subscrições.
divulga a petição aos teus contactos!
Também podes recolher assinaturas em papel (download aqui, imprimindo frente e verso) e enviar para:
Apartado 7008 4051-901 PORTO (podes enviar mesmo as folhas que não estejam completas).
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Causas
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Associação José Afonso
Um lugar de memórias, cantigas e não só é o que é o sítio da Associação José Afonso. Uma das minhas naves. Passa a figurar ao lado.
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Outras naves
Parque Nacional da Peneda-Gerês
Os povos do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) continuam descontentes com o Estado. Têm uma história muito antiga de resistência. Umas vezes por boas razões, outras por incompreensões, outras por erros. Seja porque o regime florestal a que foram submetidos à força os seus baldios no tempo do fascismo representou um confisco brutal dos seus direitos e da sua subsistência; seja porque a criação do Parque Nacional não terá os terá acautelado da melhor forma; seja porque os instrumentos de gestão desta área protegida não são do seu agrado; seja porque trauma da imposição nunca foi ultrapassado.
A conciliação dos interesses das populações e da conservação da Natureza e as dificuldade de relacionamento entre os habitantes das áreas protegidas e os respectivos órgãos de gestão e os Estados não são um problema novo nem único no PNPG ou em Portugal. Mas seria bom que o Estado Português encontrasse formas de melhorar o diálogo com as populações e os seus representantes. Ganharia a conservação da Natureza e ganharíamos todos.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Apesar do sol
Enfim um domingo cheio de sol e tanta gente - famílias inteiras - enfiada no "shopping"...
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Comportamento
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Fwd: FW: HOJE INAUGUROU O CONTROLO NA VIA VERDE
São frequentes mensagens "amigas" como a que vai abaixo e circula nos correios electrónicos (da qual suprimi apenas uma menção a uma marca). Nunca saberei qual é o propósito de quem põe em circulação mensagens como esta. Mas julgo poder ter uma certeza: é que, com esta, a velocidade excessiva nos pórticos com "via verde" deverá abrandar. Façam, pois, o favor de reenviar a dita. E boa viagem!
Controlo por radar - Via Verde Atenção Foram hoje inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as vias verdes. Não esquecer que o LIMITE de VELOCIDADE é 60 Kms/hora!!! Senão... carta apreendida e 150.00 euros. PS: Passem esta informação... aos amigos é claro |
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Comportamento
Liberdade de expressão: A Justiça tarda, mas...
Há quem diga que a Justiça tarda, mas faz-se. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem acaba de condenar o Estado Português por "entrave injustificado" à liberdade de expressão, num processo que envolveu o jornalista António José Laranjeira.
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Causas,
Jornalismo
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Na Marinha Grande, há 76 anos
Operários vidreiros da Marinha Grande revoltaram-se contra o fascismo e foram violentamente reprimidos. Foi há 76 anos, em 18 de Janeiro de 1934. A Câmara Municipal e o Sindicato dos Vidreiros comemoram a efeméride desde o dia 14, com um conjunto de iniciativas até 24. A memória guarda-se na Casa-Museu 18 de Janeiro. (Imagem das comemorações oficiais)
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Efemérides
domingo, 17 de janeiro de 2010
Sobre as formas de tráfico de pessoas
Algumas conclusões do X Encontro de Agentes Sócio-pastorais das Migrações, que terminou hoje em Fátima:
- O tráfico de pessoas não se reduz à prostituição e à violência de género e à imigração irregular;
- Há tráficos consoante a forma de exploração: migrantes irregulares para trabalho, pessoas exploradas sexualmente, crianças subjugadas por familiares para a adopção, seres humanos para o comércio de órgãos e crentes manipulados para fins religiosos, uma realidade emergente;
- Na última década, muitos dos grupos de trabalhadores imigrantes, chegados a Portugal do Leste Europeu de forma maciça e irregular, foram vítimas de tráfico; como também portugueses traficados para trabalhar nomeadamente em Espanha;
- As pessoas vítimas do tráfico passam por um processo de: recrutamento, transferência, uso de formas de coerção, fraude ou engano, abuso do poder e aproveitamento da vulnerabilidade social;
- Para além das redes criminosas transnacionais, o tráfico acontece nas redes informais e familiares e é aí que este crime mais é favorecido.
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Causas
sábado, 16 de janeiro de 2010
Quando a vítima se rebela
O título do "Diário de Notícias" diz tudo:
Matou companheiro que
a agredia há cinco anos
"Maria" (nome fictício atribuído pelo DN) tem apenas 22 anos e o companheiro tinha somente 21. Teria sido uma fonte da Polícia Judiciária a graduar a duração do martírio - cinco anos disse ela.
Cinco anos é muito tempo na vida de um casal tão jovem. Bastariam cinco meses, ou cinco dias, ou cinco horas, ou cinco minutos. É sempre imperdoável a duração da violência doméstica.
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Causas
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sobre o acordo entre o PS e a direita
Alguém sabe em que cartório notarial vai ser depositado o acordo entre o Partido Socialista e a direita para a aprovação do Orçamento de Estado, já que não será publicado no "Diário da Assembleia da República"?
Alvíssaras por uma resposta!
Alvíssaras por uma resposta!
O tempo das cerejas
Estou entre as 100 mil pessoas diferentes que visitam O Tempo das Cerejas do Vítor Dias. E recomendo.
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Outras naves
Fwd: Biblioteca Digital da Unesco
Mão amiga fez-me chegar uma mensagem que circula no correio electrónico enaltecendo o lançamento, na Rede, da "Biblioteca Digital Mundial da Unesco".
A mensagem informa que a biblioteca virtual "reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta".
Segundo uma citação do coordenador do projecto, Abdelaziz Abib atribuída ao jornal espanhol La Razon, a iniciativa tem sobretudo um "valor patrimonial" não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de património, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Russo,Espanhol e Português".
Entre as preciosidades disponibilizadas está o "Hyakumanto darani" (séc. XVI), "um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história".
A biblioteca começa com 1200 documentos, acrescenta a mensagem, mas foi pensada para receber um número ilimitado de textos, gravados, mapas, fotografias e ilustrações.
É possível fazer a busca por épocas, regiões geográficas, tipo de documento e instituição, sendo as imagens dos documentos acompanhadas por explicações nos idiomas escolhidos.
Mas atenção ao rigorzinho: esta biblioteca digital não é "da Unesco". No próprio sítio, pode ler-se: que "foi desenvolvida por uma equipe da Biblioteca do Congresso dos EUA, com contribuições de instituições parceiras em muitos países, o apoio das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO); e o apoio financeiro de uma série de empresas e fundações privadas".
É importante notar o conjunto de instituições já associadas ao projecto - muito apreciável, até pelas virtuais que abre para inúmeras bibliotecas e arquivos, mas ainda muito incompleto.
A Biblioteca Nacional de Portugal é uma das instituições associadas, mas, se fiz bem a consulta hoje, nenhuma das 13 peças sobre Portugal disponíveis na BDM lhe pertence. Por exemplo, o espécime do Plano geral da cidade de Lisboa ali reproduzido pertence à Biblioteca Nacional do Brasil e o do mapa do Reino do Algarve pertence à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
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Conhecimento
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Sobre a dispensabilidade dos jornalistas
Como proposta de reflexão sobre a por vezes insinuada dispensabilidade dos jornalistas, especialmente no terreno, cito, com a devida vénia, do Webmanário:
Virou clichê, nas grandes tragédias, incensar o Twitter e seu poder de instantaneidade e mobilização. É quando o jornalismo cidadão, essa prática tão saudável de apurar/analisar/difundir notícias (preceitos idênticos ao do jornalismo profissional), é notado.
No devastado Haiti, porém, o cidadão foi bem menos jornalista do que os profissionais: foram coleguinhas com experiência na condução de transmissões ao vivo que seguraram o grosso dos relatos e imagens in loco sobre o terremoto de 7 graus na escala Richter.
E aproveito para recomendar, no espaço Outras Naves, este blogue do jornalista e professor brasileiro Alec Duarte.
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Jornalismo
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O inglês que não sabe história pátria
"Não senhor, não é americano, que nesses já se espera. É inglês! Ora, os ingleses sabem bem o que é Portugal, tão ligados a nós, então com o vinho do Porto!"
Foi assim, sumária e firmemente, que o empregado do bar do comboio me explicou a paciente e educada querela geográfica que acaba de ter com um passageiro que teimava ser este luso rectângulo território de Espanha.
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Comportamento
Escutas telefónicas, onde as há...
Sei, com certeza, onde há escutas telefónicas. No Alfa-Pendular e Intercidades, no Metro, nos autocarraro, nos restaurantes, nas salas de espera de consultórios médicos, na rua... É só ouvir, mesmo que a gente não queira.
Já escutei de tudo - conversas entre (envolvendo) magistrados, advogados, dirigentes partidários, empresários, vendedores, dirigentes de organismos públicos, secretárias, amigos, namorados, esposos, amantes...
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Comportamento
Cantigueiro
Se a cantiga é uma arma, a blogsfera pode ser uma trincheira. No Cantigueiro, há um combate do Samuel que não cessa. Recomendo.
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Outras naves
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A devida comédia
A Devida Comédia do Miguel Carvalho frequenta bons sítios e inquieta-se com eles, com pessoas, com factos e com ideias. Recomendo, ao lado, nas minhas naves.
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Outras naves
domingo, 10 de janeiro de 2010
Caminhos da memória
Para que a memória não se apague, usemos este atalho - Caminhos da Memória.
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Outras naves
a propósito de contingências informáticas
Computador no lixo
Eis um computador
no lixo. E todavia
o crânio de lata teve memória dentro
- gigabytes dela! -,
aceitou versos
no seu imaculado
branco virtual.
Agora já não soma
nem subtrai,
nem geme poemas, nem sublinha
erros de ortografia.
Os pingos de solda, precários
metálicos neurónios,
perderam a memória.
Já que te emancipaste,
companheiro,
diz-me como é não funcionar.
E se a ferrugem dói.
(A. M. Pires Cabral, "Como se Bosch Tivesse Enlouquecido", 2004, compilado em "Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI", Selecção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora, 2009)
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Leituras
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Ano pergolesiano
Ao longo desta semana, a Estante dos Discos Novos, de Maria Augusta Gonçalves, na Antena 2, refrescou com novidades sobre gravações de obras de Giovanni Battista Pergolesi. Em início de ano pergolesiano, assinalando o tricentenário do compositor.
(A foto foi obtida no sítio da Fundação Pergolesi Spontini).
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Efemérides
Escrita em dia
Nem sempre posso, que o tempo não chega para tudo. Mas, de vez em quando, mato saudades da irreverência ácida do Carlos Narciso - aqui. E recomendo, claro.
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dias imperfeitos
Recomendo e afixo ao lado, no rol de outras naves, o Dias Imperfeitos.
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Outras naves
Eleições no Sindicato dos Jornalistas
Decorrem hoje, no Sindicato dos Jornalistas, as eleições para os seus órgãos nacionais e para a Direcção Regional da Madeira.
Aos órgãos nacionais concorre apenas uma lista, que se apresentou sob o lema "Reforçar o Sindicato, defender os Jornalistas, valorizar o Jornalismo" e que assume os seguintes compromissos, entre outros:
- Valorizar o SJ nas redacções e melhorar o contacto com os jornalistas
- Intensificar a defesa dos direitos dos jornalistas, lutando em particular contra a precariedade e por carreiras dignas
- Lutar pela valorização social da profissão de jornalista, batendo-se por salários mais justos
- Lutar pela revisão do Estatuto do Jornalista e de outros diplomas que afectam o exercício livre da profissão
- Defender e valorizar a Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas
- Empenhar-se na realização do 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses
O mandato 2010-12 será o meu derradeiro na Direcção do SJ.
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Jornalismo
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Almanaque Republicano
Em ano centenário, uma nave recomendável: Almanaque Republicano.
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Outras naves
República e Resistência
A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Portuguesa (1910-2010) anunciou um vasto programa para as celebrações centenárias. Aguardo com muita expectativa a inauguração de uma grande exposição sobre a Resistência, no dia 31 de Janeiro.
Mais informação sobre o programa no sítio da CNCCRP.
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República
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O silêncio dos media e a memória nas redacções
Leio, atrasado, uma interessante (e muito importante) reflexão do Professor Manuel Pinto sobre o silêncio dos media que arreda do espaço público vozes que seria importante ouvir, pessoas que seria muito gratificante conhecer, testemunhos que nos enriqueceriam, factos que permitiriam ponderar o Mundo de outras maneiras.
Anoto os exemplos que aponta, concordando aliás que "nem são dos mais sintomáticos", e destaco a morte do advogado portuense Rui Polónio Sampaio, que serve para equacionar e possibilidade de ensaiar hipóteses de resposta à pertinente pergunta de Manuel Pinto ("Ninguém deu conta; ninguém achou importante. Meros critérios editoriais? Generalizados?"), justamente porque se trata de uma personalidade bem conhecida de muitos jornalistas, especialmente do Porto.
Sendo "do tempo" em que o conhecimento do falecimento de uma personalidade destas geraria o natural impulso para a notícia, até com pretexto para conversa de Redacção sobre a memória de episódios e feitos que cada um viveu mais ou menos de perto com ela, não arrisco pronunciar-me em definitivo sobre as causas - sim, seguramente não haverá apenas uma... - da omissão mediática. Mas poderia avançar uma hipótese. Por exemplo: a erosão da memória nas redacções e fora delas.
A erosão da memória colectiva das redacções não resulta apenas da intensa juvenilização da classe observada especialmente na última década, pois é uma consequência muito evidente da significativa sangria (despedimentos, rescisões mais ou menos de mútuo acordo, etc.) de jornalistas mais velhos, isto é, com memória - que é o atributo individual que mais conta para o caso - e por isso capazes de aferir imediatamente da importância de notícias envolvendo personalidades que conheceram mais ou menos de perto.
Isto, na eventualidade de a notícia ter chegado às redacções. Porque a informação sobre o falecimento do Dr. Rui Polónio Sampaio pode não ter chegado, de facto, às redacções. Por falta de iniciativa de quem poderia fazê-la chegar; ou porque quem poderia fazê-lo já não conhece ninguém nas redacções - o que também tem a ver com a perda de memória, com a perda de referências e com a consequente ruptura entre a realidade acontecida e a realidade percepcionada...
Aproveito para fazer a sugestão diária para Outras naves: o blogue colectivo do Projecto Mediascópio, da Universidade do Minho, Jornalismo e Comunicação, cuja visita revigorante recomendo.
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Outras naves
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Sobre um eventual referendo
Mais de 90 mil pessoas foram mobilizadas, pelos vistos num "tempo recorde" de três semanas, segundo a imprensa, para subscreverem uma petição à Assembleia da República, com vista à realização de um referendo sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
As pessoas que animam esta iniciativa e os cidadãos que a subscrevem têm todo o direito a ter uma opinião, a expressar uma posição sobre um assunto como este e a transmiti-las ao poder político e em particular aos grupos parlamentares.
Mas já me preocupa que pretendam tornar o poder legislativo refém de um eventual referendo sobre uma matéria que requer uma decisão parlamentar clara, sem ambiguidades nem desculpas. O primeiro referendo sobre a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez e o único sobre regionalização já serviram de exemplo.
Eu gostaria que todos os deputados tivessem a coragem de decidir se sim ou não legislam sobre o assunto, arrumando-o de vez e assumindo as consequências políticas das suas decisões.
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