quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cantigueiro

Se a cantiga é uma arma, a blogsfera pode ser uma trincheira. No Cantigueiro, há um combate do Samuel que não cessa. Recomendo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A devida comédia

A Devida Comédia do Miguel Carvalho frequenta bons sítios e inquieta-se com eles, com pessoas, com factos e com ideias. Recomendo, ao lado, nas minhas naves.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Caminhos da memória

Para que a memória não se apague, usemos este atalho - Caminhos da Memória.

a propósito de contingências informáticas

Computador no lixo

Eis um computador
no lixo. E todavia
o crânio de lata teve memória dentro
- gigabytes dela! -,
aceitou versos
no seu imaculado
branco virtual.

Agora já não soma
nem subtrai,
nem geme poemas, nem sublinha
erros de ortografia.
Os pingos de solda, precários
metálicos neurónios,
perderam a memória.

Já que te emancipaste,
companheiro,
diz-me como é não funcionar.

E se a ferrugem dói.

(A. M. Pires Cabral, "Como se Bosch Tivesse Enlouquecido", 2004, compilado em "Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI", Selecção, organização, introdução e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora, 2009)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ano pergolesiano








Ao longo desta semana, a Estante dos Discos Novos, de Maria Augusta Gonçalves, na Antena 2, refrescou com novidades sobre gravações de obras de Giovanni Battista Pergolesi. Em início de ano pergolesiano, assinalando o tricentenário do compositor.
(A foto foi obtida no sítio da Fundação Pergolesi Spontini).

Escrita em dia

Nem sempre posso, que o tempo não chega para tudo. Mas, de vez em quando,  mato saudades da irreverência ácida do Carlos Narciso - aqui. E recomendo, claro.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dias imperfeitos

Recomendo e afixo ao lado, no rol de outras naves, o Dias Imperfeitos.

Eleições no Sindicato dos Jornalistas

Decorrem hoje, no Sindicato dos Jornalistas, as eleições para os seus órgãos nacionais e para a Direcção Regional da Madeira.
Aos órgãos nacionais concorre apenas uma lista, que se apresentou sob o lema "Reforçar o Sindicato, defender os Jornalistas, valorizar o Jornalismo" e que assume os seguintes compromissos, entre outros:
  • Valorizar o SJ nas redacções e melhorar o contacto com os jornalistas
  • Intensificar a defesa dos direitos dos jornalistas, lutando em particular contra a precariedade e por carreiras dignas
  • Lutar pela valorização social da profissão de jornalista, batendo-se por salários mais justos
  • Lutar pela revisão do Estatuto do Jornalista e de outros diplomas que afectam o exercício livre da profissão
  • Defender e valorizar a Caixa de Previdência e Abono de Família dos Jornalistas
  • Empenhar-se na realização do 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses
O mandato 2010-12 será o meu derradeiro na Direcção do SJ.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Almanaque Republicano

Em ano centenário, uma nave recomendável: Almanaque Republicano.

República e Resistência

A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Portuguesa (1910-2010) anunciou um vasto programa para as celebrações centenárias. Aguardo com muita expectativa a inauguração de uma grande exposição sobre a Resistência, no dia 31 de Janeiro.
Mais informação sobre o programa no sítio da CNCCRP.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O silêncio dos media e a memória nas redacções

Leio, atrasado, uma interessante (e muito importante) reflexão do Professor Manuel Pinto sobre o silêncio dos media que arreda do espaço público vozes que seria importante ouvir, pessoas que seria muito gratificante conhecer, testemunhos que nos enriqueceriam, factos que permitiriam ponderar o Mundo de outras maneiras.
Anoto os exemplos que aponta, concordando aliás que "nem são dos mais sintomáticos", e destaco a morte do advogado portuense Rui Polónio Sampaio, que serve para equacionar e possibilidade de ensaiar hipóteses de resposta à pertinente pergunta de Manuel Pinto ("Ninguém deu conta; ninguém achou importante. Meros critérios editoriais? Generalizados?"), justamente porque se trata de uma personalidade bem conhecida de muitos jornalistas, especialmente do Porto.
Sendo "do tempo" em que o conhecimento do falecimento de uma personalidade destas geraria o natural impulso para a notícia, até com pretexto para conversa de Redacção sobre a memória de episódios e feitos que cada um viveu mais ou menos de perto com ela, não arrisco pronunciar-me em definitivo sobre as causas - sim, seguramente não haverá apenas uma... - da omissão mediática. Mas poderia avançar uma hipótese. Por exemplo: a erosão da memória nas redacções e fora delas.
A erosão da memória colectiva das redacções não resulta apenas da intensa juvenilização da classe observada especialmente na última década, pois é uma consequência muito evidente da significativa sangria (despedimentos, rescisões mais ou menos de mútuo acordo, etc.) de jornalistas mais velhos, isto é, com memória - que é o atributo individual que mais conta para o caso - e por isso capazes de aferir imediatamente da importância de notícias envolvendo personalidades que conheceram mais ou menos de perto.
Isto, na eventualidade de a notícia ter chegado às redacções. Porque a informação sobre o falecimento do Dr. Rui Polónio Sampaio pode não ter chegado, de facto, às redacções. Por falta de iniciativa de quem poderia fazê-la chegar; ou porque quem poderia fazê-lo já não conhece ninguém nas redacções - o que também tem a ver com a perda de memória, com a perda de referências e com a consequente ruptura entre a realidade acontecida e a realidade percepcionada...


Aproveito para fazer a sugestão diária para Outras naves: o blogue colectivo do Projecto Mediascópio, da Universidade do Minho, Jornalismo e Comunicação, cuja visita revigorante recomendo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sobre um eventual referendo

Mais de 90 mil pessoas foram mobilizadas, pelos vistos num "tempo recorde" de três semanas, segundo a imprensa, para subscreverem uma petição à Assembleia da República, com vista à realização de um referendo sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
As pessoas que animam esta iniciativa e os cidadãos que a subscrevem têm todo o direito a ter uma opinião, a expressar uma posição sobre um assunto como este e a transmiti-las ao poder político e em particular aos grupos parlamentares.
Mas já me preocupa que pretendam tornar o poder legislativo refém de um eventual referendo sobre uma matéria que requer uma decisão parlamentar clara, sem ambiguidades nem desculpas. O primeiro referendo sobre a descriminalização da interrupção voluntária da gravidez e o único sobre regionalização já serviram de exemplo.
Eu gostaria que todos os deputados tivessem a coragem de decidir se sim ou não legislam sobre o assunto, arrumando-o de vez e assumindo as consequências políticas das suas decisões.

Teatro Anatómico

A acidez contida com que o jornalista e escritor M. Jorge Marmelo disseca o quotidiano, nas mais miúdas notícias e na observação das coisas e das pessoas, pode ser sorvida no seu Teatro Anatómico.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fuga de Peniche


Passam hoje 50 anos sobre a histórica fuga de Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme de Carvalho, Pedro Soares, Carlos Costa, Francisco Martins, Rogério de Carvalho e José Carlos da prisão fascista do Forte de Peniche.

Em defesa de uma Rede livre

Autores e juristas espanhóis lançaram um importante manifesto em defesa de uma Rede livre também dos interesses económico-financeiros. Transcrevo três significativos trechos:
En el actual orden mundial, las propiedades intelectual e industrial se han convertido en un instrumento de acumulación de capital más eficaz que ninguna industria o comercio.

La explotación del derecho de autor, lejos de responder a su teórico objetivo, el sustento de los creadores, se ha utilizado como elemento de dominación, como arma al servicio de la casta cultural más acomodaticia con el sistema establecido.
(...) Defendemos la democratización de la cultura porque la creación la hacen las colectividades a través de determinados individuos y no al revés, como se suele pensar. (...) La cultura libre debe estar inserta en un movimiento colectivo que vaya más allá de las rentas de un tipo u otro de empresario. Son muchos los creadores que se definen como trabajadores de la cultura y aspiran a una remuneración que les permita mantenerse y no a seguir ganando más allá del esfuerzo realizado. El problema no radica en cómo seguir cobrando derechos, sino en la manera de hacer que las contribuciones intelectuales, artísticas o científicas pertenezcan realmente a toda la sociedad y no sólo a quienes tienen el privilegio de explotarlas.
Aproveito para sugerir a visita ao sítio do jornalista Pascual Serrano, voz que importa ler sobre Jornalismo e outras andanças, e que por isso junto às minhas "Outras naves" na coluna à direita.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A angústia ética de Noronha do Nascimento

Com a devida vénia, transcrevo, de um texto do meu camarada Nuno Miguel Maia sobre a conversa de almoço ("Almoços JN") com o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, publicado hoje no "Jornal de Notícias":


"Nunca quis julgar crime". Apesar disso, sempre quis ser magistrado. Juiz há 42 anos, foi há cerca de 30 que, por opção, deixou de contactar diariamente com o Direito Penal. E porquê? "Coloca problemas éticos muito grandes...", diz.
Na singeleza de um texto jornalístico que provavelmente revela menos do que a densidade de uma refeição profissional mais ou menos "intimista", redescobre-se o outro lado de um magistrado que, aparentemente, não liga bem com a sua imagem construída mediaticamente.

Tenho tido divergências públicas com o presidente do STJ, mas julgo ter conhecimento pessoal suficiente para assegurar que a sua dimensão humana é muito mais interessante do que aparentam certas querelas de consumo mediático.

Dias desenhados

Dias e lugares desenhados, com reflexões pertinentes do Eduardo Salavisa no Desenhador do Quotidiano.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dia Mundial da Paz

Hoje é o Dia Mundial da Paz.
Proclamado em 8 de Dezembro de 1967 pelo papa Paulo VI, não se confunde com o Dia Internacional da Paz, instituído pela ONU e que se assinala em 21 de Setembro.
Em Portugal, a jornada revestiu um significado muito especial nos tempos da do fascismo e da guerra colonial.
Através dela, inúmeros católicos progressistas (sacerdotes incluídos) deram importantes e decisivas contribuições para o despertar das consciências para a injustiça da guerra e para o compromisso entre a Igreja e o regime.

O clima em 2009

Nota atrasada: o clima está mesmo a mudar em Portugal?

Prognósticos

Prognosticam* o "Borda d'Água" e "O Seringador", reportórios anuais vetustos (o primeiro vai no 82.º ano, o segundo no 145.º) mas ainda úteis a agricultores, jardineiros, amadores de flores e árvores e outros curiosos, que, neste ano de 2010, "vai abundar água". E que o Inverno será rigoroso, pesado e húmido; que a Primavera será ventosa e molhada; que o Verão será pelo menos um pouco húmido mas agradável; e que o Outono será seco e ameno.

* Para todos os efeitos, prognósticos não são previsões meteorológicas.

Sobre a democratização do espaço público

"A Rede é o sistema nervoso nervoso da nossa revolução, como o telégrafo o foi para a revolução russa. A rede proporciona um novo tipo de unidade instantânea e global. E unidos venceremos. Não podemos perder a batalha: somos muitos mais e melhores."

Carlo Fabreti, Contra el império, cit. por Vicente Romano, A Formação da Vontade Submissa, Porto, Deriva Editores, 2006 (Tradução e notas de Rui Pereira)


OBS: Fica assim indicada a origem da citação que consta do subtítulo do cabeçalho. E a recomendação de um belo livro

Via Dupla

A imagem do cabeçalho deste blogue é um fragmento, escolhido e "tratado" por mim, de uma fotografia do João Paulo Coutinho, que, na sua enorme generosidade, autorizou-me a usá-la para este fim.
O J. Paulo Coutinho é um grande fotojornalista que tão pouco aproveitado tem sido e um repórter de rara sensibilidade. Com esta menção, inauguro as referências à construção da lista de blogues "Outras Naves" colocada à direita.
Com um enorme gosto, a minha primeira sugestão de navegação vai para o blogue Via Dupla. Com pena de que não seja mais actualizado.

Manifesto

  1. Este blogue não é um diário, apesar do título. Tratará das coisas grandes, das coisas médias, das coisas pequenas, das coisas minúsculas, e até das coisas microscópicas sempre que me apetecer e a disponibilidade me autorizar, ocorram nos dias presentes, tenham ocorrido no passado ou anunciem-se para o futuro.
  2. Este blogue não tem um Programa. Tratará dos temas, dos lugares, das pessoas, das ideias e das conjecturas que me apetecer, embora alguns me sejam especialmente caros.
  3. Este blogue é um espaço de liberdade. Tratarei dos assuntos que entender por minha iniciativa e com a maior independência pessoal, embora tenha consciência de que, em relação a algumas matérias, a minha liberdade individual deve ceder perante certos deveres que assumi.
  4. Este blogue respeitará os direitos dos outros. Comprometo-me designadamente a respeitar as diversidade de opiniões, abstendo-me de criticá-las de forma ofensiva. Assim como não me apropriarei de criações alheias, incluindo imagens, procurando mencionar com a maior exactidão possível a origem das que usar.
Alfredo Maia