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terça-feira, 4 de junho de 2019

Agustina Bessa-Luís e "O Primeiro de Janeiro"

Aspecto parcial do artigo que assino hoje no "Jornal de Notícias"
Conheci pessoalmente Agustina Bessa-Luís na ressaca das eleições presidenciais de 1986, nas quais estivéramos em campos opostos: a escritora, como mandatária de Diogo Freitas do Amaral, o candidato da Direita; eu, como apoiante anónimo de Salgado Zenha, primeiro, e modesto contribuidor, depois, para o derradeiro tempo de antena que, creio ainda hoje, foi decisivo para a vitória de Mário Soares na segunda volta (12 de Fevereiro).

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Não, não é pedir demasiado



São muito estimáveis os testemunhos de várias personalidades (Mário Cláudio em directo, em casa, outros por telefone pré-gravado, Isabel Pires de Lima em estúdio) das quais a RTP lançou mão para preencher a notícia da morte de Agustina Bessa-Luís, ocorrida hoje.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Evocação de Armando de Castro

É favor agendar, sem falta.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Salvador Allende

Por favor agendar


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

José Afonso

Estou a pensar na súbita, e pelos vistos contagiosa, necrofilia ansiosa que tenta colocar na ordem do dia a glorificação de mortos pátrios. 
Até José Afonso está posto na fila para ser alçado a honras de Panteão Nacional. Logo o Zeca!!! Então não querem mais nada, tirá-lo de entre o povo?!

domingo, 19 de agosto de 2018

Oscar esquecido


O "Diário de Notícias" de hoje (edição em papel) publica um trabalho sobre goeses em Portugal e, além de oficiais de outros ofícios, menciona dois jornalistas. Tenho tanta pena de terem esquecido o Oscar Mascarenhas (Goa, 1949 - Lisboa, 2015)!!...

sábado, 5 de maio de 2018

Sobre o sentido actual de Marx

Pensando no sentido da pergunta que circula por aí – “Que sentido faz Karl Marx hoje?” –, estou a pensar no sentido que, ainda hoje, milhões e milhões de homens e de mulheres encontram na luta organizada que conduzirá à derrota dos opressores e ao fim da exploração do homem pelo homem.

domingo, 8 de outubro de 2017

Che


Outro barbudo da Sierra Maestra, Ernesto "Che" Guevara, assassinado há 50 anos.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Na morte de Alípio de Freitas

Estou a pensar nessa idiossincrasia, que me ensinaram ser característica das notícias, que consiste em valorizarem, as mais das vezes, os acontecimentos negativos.
Entre as de hoje, surpreendeu-me a triste nova da morte do Alípio de Freitas – um resistente antifascista e um camarada como poucos. 
Li hoje tantas coisas, tão belas e tão acertadas sobre o Alípio, que não me atrevo a aditar mais do que: 
a) um sumaríssimo mas sincero registo da saudade da fala suave e doce com que o Alípio encantou os momentos – muitas vezes vezes breves – dos nossos encontros e da serenidade sábia com que participava nas reuniões do Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas; 
b) a expressão pública da gratidão imensa por o Alípio ter integrado, como membro do Conselho Geral, quase todos os mandatos dos órgãos do SJ nos quais tive a honra de ser eleito como cabeça de lista (faltou o último, porque estava algures no Brasil quando era necessário assinar a declaração de aceitação da candidatura).

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Abílio Marques PInto



Pensando nas apaixonadas advertências do Abílio Marques Pinto sobre o modo correcto de segurar na mão uma medalha, estou para aqui a matutar até que ponto muito do que somos devemos ao que foram as pessoas que fizeram parte da nossa vida. 
O A. Marques Pinto foi o meu primeiro chefe – primeiro, coordenador, que corresponde ao moderno cargo de editor de secção; mais tarde, chefe de Redacção – quando entrei no Jornalismo, ainda no velho “O Primeiro de Janeiro”, há mais de 36 anos.
Devo-lhe algumas coisas essenciais, como os reparos francos aos meus textos iniciais, o incentivo sincero aos meus progressos e a camaradagem luminosa das nossas jornadas de trabalho, com a partilha das suas memórias e experiências e as cavaqueiras sobre livros. 
Nunca esquecerei uma das suas recomendações para valer toda a vida: “um repórter nunca abandona o local da reportagem sem ter na cabeça o ‘lead’ da notícia”. E tenho uma imensa saudade das gargalhadas que coroavam as “larachas” que contava, sempre um sorriso largo e, amiúde, como nos filmes, com os polegares encravados nuns magníficos suspensórios.
Até sempre, chefe!

sábado, 6 de maio de 2017

Recordando o Oscar Mascarenhas

"A liberdade de que nós, jornalistas, desfrutamos não é um privilégio para nossa fruição exclusiva, é um serviço aos outros. 
(…)
“Nestas coisas do jornalismo, tenho uma intransigência verdadeiramente ideológica: quero que me contem, do mundo, pelo menos duas versões - e deixem-me escolher em paz.”
Oscar Mascarenhas (1949-2015)

Que grande falta nos fazes, Oscar!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Eu e Fidel Castro



Conheci Fidel Castro no dia 12 de Novembro de 1999, quando O Comandante foi à Aula Magna da Universidade de Havana presidir à cerimónia de encerramento do VIII Congresso da Federação Latino-Americana de Jornalistas (FELAP, no acrónimo em Espanhol) e de abertura do VI Encontro Ibero-Americano de Jornalistas.
Muito mais importante do que a memória pessoal das breves palavras de cortesia e de circunstância que com ele troquei no átrio da Aula Magna, envolvido, à chegada, pela Direcção da União de Jornalistas de Cuba e pelos representantes das delegações das organizações participantes (Fidel estava muito curioso por conhecer “os dois portugueses” – eu próprio e o meu camarada Martins Morim), foi o magnífico discurso que proferiu depois perante o auditório.
Sem papéis – nem sequer um pequeno papel com os tópicos essenciais do que pretendia transmitir-nos, Fidel discorreu sobre os extraordinários desafios que, naqueles tempos muito difíceis, se colocam a todos os intelectuais.
“O nosso dever é ajudar a mudar este mundo, quanto antes melhor”, disse, para, dirigindo-se aos jornalistas os tornar cientes de que, mais do que qualquer outra profissão, tinham nas mãos um importante poder transformador. “Vós tendes a vacina contra o embrutecimento: é a verdade dirigida à razão e ao coração do homem.”
Tenho pensado muito nestas palavras ao longo dos anos, mas muito especialmente nestes dias de despedida e de saudade, sobretudo lendo certas análises e previsões quanto ao significado e consequências do desaparecimento físico de Fidel Castro, geralmente desprovidas de informação suficiente sobre a história da Revolução Cubana e a realidade muito concreta do seu povo heróico, para não falar do preconceito e do anti-comunismo que as contaminam.

Viva Fidel!   

sábado, 15 de outubro de 2016

"Sérgio Valente, Um Fotógrafo na Revolução"


Agenda.
Uma bela notícia: a exposição do Sérgio Valente, "Um Fotógrafo na Revolução" vai manter-se no Museu do Aljube, Resistência e Liberdade, em Lisboa, até ao dia 27 de Novembro. Com uma visita com o próprio autor, já no próximo dia 20 deste mês e uma interessante conversa-debate no dia 25 de Novembro.

domingo, 18 de setembro de 2016

"O Detetive Historiador", arrimo de jornalistas e manual de escrutínio público



A minha apresentação esta tarde na Feira do Livro do Porto: 


Já não tenho palavras para re-agradecer à Natal Vaz a honra que me dá em voltar a apresentar este Detetive Historiador – Ética e Jornalismo de Investigação, de Oscar Mascarenhas.

Reincide a Natal no convite e nos riscos correspondentes; e reincido eu em aceitá-lo, apesar da escassa competência para tamanha empresa, como se não tivesse sido atrevimento bastante aceitar o generoso convite do autor para prefaciar a obra, publicada postumamente.

Agradeço também aos presentes, pela companhia e pelo interesse nesta iniciativa, que aliás compete com um soberbo domingo de fim de Verão.


O meu/nosso camarada José Gomes Bandeira, com quem também aprendi do que sou como jornalista e do que fui como dirigente sindical, nutria séria aversão àquela espécie de muleta da cortesia forçada, entretanto caída em desuso, mesmo entre os mais velhos: “Fulano de Tal, que faz o favor de ser meu amigo…”

Numa bela tarde, já lá irão quase três décadas, naquele riso escarninho com que pontuava algumas das suas observações incisivas sobre coisas da vida, o Zé Bandeira fez-me ver que tal expressão o irritava por remeter para a esfera calculista do negócio mesquinha o que imaculadamente tem de ficar no território franco da estima.

Ocorre-me esta lição sempre que me dou conta da enorme dívida de gratidão que tenho pela amizade franca e fraterna que o Oscar teve por mim e que eu, receio, não terei sido capaz de retribuir na mesma medida e, sobretudo, não terei expressado publicamente como era justo fazer.

Fazendo a apresentação deste livro no Porto, peço-vos licença para salientar uma das mais expressivas e públicas demonstrações dessa amizade, recordando a denodada defesa que de mim fez, em vigorosos artigos publicados no âmbito da polémica então instalada na Imprensa, quando, em 2002, a pretexto da minha presença nas listas da CDU para as legislativas por este círculo, se instalou uma estranha discussão sobre os limites à participação política dos jornalistas, em geral, e dos dirigentes do seu Sindicato, em particular.

Muito mais importante do que essa dimensão singular e pessoal da peleja em que o Oscar então se empenhou com indomável galhardia, eram, porém, o seu amor sem concessões à liberdade, a generosidade sem limites dos seus gestos, a comovente fraternidade que impregnava as suas relações de camaradagem e animavam as suas lutas, a sua vasta cultura e a sua profunda convicção na força transformadora do debate de ideias e da defesa de valores que distinguem os homens e as mulheres de carácter.

Foram essas características que deram aos jornalistas e ao seu Sindicato o privilégio da sua militância apaixonada e rigorosa e permitiram projectar no espaço público um vasto acervo de preocupações e de reflexões com a ética da vida, a deontologia profissional e as leis da arte do Jornalismo, granjeando prestígio para o Conselho Deontológico e afirmando reconhecida autoridade, plasmada até por tribunais superiores, para os pronunciamentos deste órgão sobre a conduta dos jornalistas, incluindo os não sindicalizados.


O Detetive Historiador – Ética e Jornalismo de Investigação integra o essencial da dissertação de mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa em Novembro de 2009, bem como elementos do programa seguido por Oscar Mascarenhas nas aulas de Ética e Deontologia do Jornalismo que leccionou na Escola Superior de Comunicação.

No entanto, a obra transcende em muito a barreira do labor académico do autor, ao condensar e ao densificar o produto apaixonante das suas reflexões e questionamentos sobre as práticas profissionais dos jornalistas, os problemas e também as armadilhas que o exercício exigente da profissão coloca, vertido em inúmeros comunicados do Conselho Deontológico de que foi redactor, intervenções em colóquios e debates, bem como em porfiadas discussões, em muitas das quais tive a honra de emparceirar.

Sobretudo num tempo em que a avidez das audiências, o rolo compressor da rentabilidade e o afã de êxitos mesquinhos tudo relativizam, fazendo baixar a guarda em relação aos padrões de exigência e de escrúpulo ético, este livro constitui um arrimo fundamental na jornada dos profissionais e um precioso auxiliar do escrutínio para o público.

Nesse sentido, gostaria de salientar, na obra escrita e na memória das intervenções de Oscar Mascarenhas, a centralidade do valor da Lealdade, como condição contratual irrevogável na relação dos jornalistas com as suas fontes, com as pessoas sujeito e objecto do seu trabalho e com o público.

O “manual de autodefesa” dos jornalistas que o Oscar tantas vezes mencionou está afinal plenamente configurado neste Detetive Historiador.

Não é apenas um Vade Mecum auxiliando a negociação do estatuto de fonte confidencial; suportando e fundamentando a defesa do sigilo profissional; reflectindo sobre meios e métodos leais de recolha de informações; ponderando a origem e as motivações de informações; e enunciando direitos “inesperados” e talvez controversos, como o do direito dos entrevistados a lerem as entrevistas antes da publicação.

Na verdade, o autor não desiste de convidar os jornalistas a prever e sobretudo a prevenir os efeitos, tantas vezes devastadores, das informações que colocam no espaço público.

“As normas deontológicas (…) só podem ser lidas através do filtro la lealdade, colocando-nos na pele do outro para antecipar o que vamos publicar”, escreve, exortando-nos a realizar sempre a “contraprova da lealdade e a interrogarmo-nos: ‘É leal?’”.

Uma das actividades jornalísticas em que tal problema se coloca de forma mais intensa é a cobertura de aspectos da vida de personalidades com projecção mediática, sacrificando com frequência a esfera da privacidade ou mesmo da intimidade, que Oscar Mascarenhas procura prevenir através daquilo a que chamou “contrato de visibilidade” implícito no estatuto de figura pública:

“São situações públicas as que, pela natureza intrínseca do acto, o seu autor sabe ou deve razoavelmente saber que é escrutinável por qualquer pessoa”.

Mas, afinal, o que é legitimamente escrutinável e o que resulta em sacrifício criticável desse reduto último da soberania da individualidade? Talvez ajude a reflexão recuperar do este amargo protesto de Miguel Torga, lavrado no “Diário”:

“Coimbra, 13 de Maio de 1990 – A imprensa, a rádio e a televisão dão-me às portas da morte. O telefone não pára de tocar. Os jornalistas, cruéis, teimam, insistem, não desanimam. Querem, sadicamente, saber pormenores. Se morro, se não morro. E vão adiantando diagnósticos. Enfarte, hemorragia cerebral, paralisia. Neste mundo desapiedado, não há mais lugar para o sofrimento íntimo, recolhido, que os bichos ainda podem sentir na toca. Agora já ninguém é dono de si e do seu pudor. Somos públicos e baldios. À hora menos pensada, por artes do primeiro bisbilhoteiro profissional que nos saia no caminho, perdemos toda a densidade humana e ficamos espectrais e sem duração na leviana fugacidade de uma notícia.” 

O problema da tensão (e será sempre inevitável?...) entre a protecção das esferas da privacidade e da intimidade e o direito-dever de informar é um tema muito presente nas reflexões e textos que o Oscar Mascarenhas produziu ao longo da sua empenhada jornada como dirigente sindical, como colunista, como provedor do leitor (“Diário de Notícias”) e como professor.

O produto amadurecido dessas reflexões está evidentemente vertido nesta obra, mas muito especialmente num dos estudos que a compõem. Significativamente intitulado “Ver sem olhar – o jogo de sedução na praia, lugar aberto ao público, espaço enorme de intimidade”.

Trata, fundamentalmente, dos limites do território da inviolabilidade, que os jornalistas tendem a julgar de geometrias susceptíveis de variações à medida das urgências da “cacha”, do vale tudo da luta pelas audiências e da escassez de escrúpulos.

Eis como, nessa metáfora da praia e num belíssimo axioma que não me canso de repetir, o Oscar arruma o assunto da ponderação das aparências de licitude e da ilusão do poder do jornalismo no embate com os direitos dos protagonistas:

“À medida que os corpos se despem na praia, menos públicos ficam, mais íntimos são”.   


Uma das mais interessantes abordagens neste Detetive Historiador, abrindo inovadoras perspectivas de debate e de reflexão sobre os direitos das pessoas objecto do trabalho jornalístico e as restrições ético-deontológicas dos profissionais, é a discussão do direito do visado a conhecer “mais completamente o que vai ser publicado”, quando o resultado da investigação jornalística vai ser fixado em livro ou em documentário.

Estamos perante um “sobressalto” não resolvido, não só acerca do problema do exercício do direito que o autor enuncia, mas também da enorme dificuldade material – senão impossibilidade – de aplicar às publicações unitárias e aos filmes o instituto do direito de resposta, nos tempos e nos modos legalmente prescritos para as publicações periódicas e para os serviços de programas de rádio e de televisão.

Mais do que uma questão jurídica muito interessante, estamos perante uma vicissitude ética no contrato de lealdade que vincula o jornalista às suas fontes e aos protagonistas dos seus trabalhos, qualquer que seja a natureza e a periodicidade do medium através do qual os exterioriza e difunde. É que, neste caso, corremos o risco de ruptura.

Como resolvê-la? Recoloquemos a pergunta retórica do Oscar – “É leal?”

Tal como a prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, é avisado, no Jornalismo, não temer excesso de cuidados. “Em matéria de garantias de lealdade, antes sobrem do que faltem”, escreve o Oscar, na medida em que “ética é lealdade e é uma garantia de que toda uma investigação respeitou as partes envolvidas”.

   
Nem de propósito, é notícia por estes dias a publicação próxima de um volume de memórias diarísticas de um ex-director de dois semanários, cujo conteúdo repelente, traindo à falsa-fé a confiança de confidentes, directos e indirectos, vivos e mortos, e estocando a honra de confidenciados – segundo as relevações já antecipadas por dois jornais – está a gerar justa inquietação e mesmo indignação.

Por que razões convoco um tema sujo nesta assembleia?

Não é seguramente para dar publicidade à coisa, embora reconheça que contribuo, a contragosto, para espicaçar a curiosidade.

É para manifestar a minha inquietação com a elevada cotação que, pelos vistos, vão alcançando no mercado dos escândalos as pelo menos alegadas confidências íntimas traiçoeiramente recebidas nos cadernos de arvorados directores de jornais.
       
Estou certo de que, se ainda estivesse cá, o Oscar haveria de proclamar, com todo o vigor da sua militância pela nobreza da profissão, que tal pessoa, erradamente apresentada como jornalista (não, não possui carteira profissional) não é dos nossos.


É também por estas que o Oscar nos faz tanta falta!             

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

"O Detetive Historiador " de Oscar Mascarenhas

Agenda
Dia 18 de Setembro, pelas 16 horas, na Feira do Livro do Porto



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dilma Rousseff, um discurso para a História

Dilma depondo hoje (Foto: Geraldo Magela/AgênciaSenado)

A menos que a lucidez e o amor à verdade alterem o rumo dos dramáticos acontecimentos, a aritmética conspirativa no Senado - é golpe, sim!!! - vai condenar a Presidente da República do Brasil por crimes de responsabilidade que não cometeu. Mas a História já está a absolver Dilma Rousseff.
O texto integral do depoimento inicial na inquirição como acusada no processo de destituição, hoje no Senado, está aqui.

sábado, 13 de agosto de 2016

Fidel Castro, 90 anos!


Longa vida ao Comandante!


domingo, 12 de junho de 2016

É por estas e por outras que o Oscar nos faz tanta falta


O que disse esta tarde, na Feira do Livro de Lisboa, na apresentação de O Detetive Historiador – Ética e Jornalismo de Investigação, de Oscar Mascarenhas, agora dado à estampa pela Âncora Editora:

1. Agradecimentos
Começo por agradecer à Natal (Vaz) o honroso convite para fazer a apresentação deste Detective Historiador, do nosso querido Oscar Mascarenhas.
Com esse convite, a Natal reincidiu nos riscos que o Oscar correu ao convidar-me para prefaciar o livro, convite que aceitei mais por vaidade e muito orgulho do que por competência, que é manifestamente pouca.
Agradeço também aos presentes, pelo gosto de rever muitos de vós – velhos amigos e camaradas – mas sobretudo pela oportunidade de partilharmos este momento, que é também de homenagem ao Oscar.

2. Promessa
Quando o Oscar me convidou para prefaciar este livro, perguntei-lhe que espaço me dava. Respondeu-me que teria o que quisesse: tinha era pressa.
Ao cabo de exasperante demora e várias insistências do Oscar, enviei-lhe a minha obrinha – modesta, mas abusando da sua generosidade em matéria de espaço, com umas densas 13 páginas A4.
No dia seguinte, o Oscar telefonou-me  a agradecer. Com o seu magnífico e tantas vezes afiado humor, observou-me: “Agora, escreves mas dois ou três capítulos e fazes tu um livro…”

3. Sobre o autor
Tenho o privilégio de ter sido o dirigente que mais tempo trabalhou com o Oscar Mascarenhas no Sindicato dos Jornalistas.
Da memória fundamental que dele guardo, destaco a sua vasta cultura, a sua camaradagem sem limites e, sobretudo, a sua generosidade imensa e o seu amor sem concessões à liberdade.
Entre amigos, por graça fraterna e por saudade, lembramos muitas vezes o seu especial gosto por uma boa polémica.
Ocorre-me, a propósito, o dito de uma saudosa amiga brasileira:
“Dou um boi para não entrar numa briga; mas, depois de lá estar, dou uma boiada para não sair!”
Dá-se o caso de, para além do manifesto prazer intelectual que delas extraía, as inúmeras polémicas que o Oscar suscitou, alimentou e travou resultaram em enorme proveito para todos nós.
Desde logo: pela inteligência aguda dos seus questionamentos, pela solidez dos seus argumentos, pela oportunidade e riqueza das suas reflexões e conclusões e pelas pontes de convergência de conseguia construir.
O sindicato, em particular, e os jornalistas, em geral, têm para com o Oscar Mascarenhas uma dívida imensa, pelo que nos ajudou a vislumbrar para além do que parecia óbvio e incontroverso.

4. Sobre o livro
É, justamente, o Oscar, nas suas dimensões humana, intelectual e cívica que vemos confirmado neste livro.
Deste Detective Historiador, gostaria de chamar a atenção para quatro temas que enformaram o pensamento e a acção do Oscar na sua tenaz, persistente e paciente militância – dentro e fora do Conselho Deontológico, nas suas colunas de opinião e na sua página de Provedor do “Diário de Notícias” e, certamente, nas suas actividades académicas.
O primeiro é a lealdade como condição essencial e absolutamente inseparável da Deontologia profissional – ideia omnipresente nesta obra e na qual quantas vezes insistiu ao longo da sua vida.
“As normas deontológicas (…) só podem ser lidas através do filtro da lealdade, colocando-nos na pele do outro para antecipar o que vamos publicar”, avisa Oscar Mascarenhas, convidando-nos a efetuar sempre “a contraprova da lealdade e a interrogarmo-nos: ‘É leal?’”, sem receio de que pareça excesso de cuidados.
“Em matéria de garantias de lealdade, antes sobrem do que faltem”, sugere, pois “ética é lealdade e é uma garantia de que toda uma investigação respeitou as partes envolvidas”.
O segundo tema, igualmente muito caro e em razão do qual sofreu algumas incompreensões, é o do problema da exigente ponderação ética da delimitação da esfera da intimidade, tantas vezes violada a pretexto da notoriedade desta ou daquele personagem, e tantas vezes ostensivamente postergada sob a invocação do sacrossanto direito à informação.
A propósito, chamo a vossa atenção para um interessante apenso à tese (que é a base do livro), na qual, recorrendo a uma metáfora – a da praia –, o desenvolve uma reflexão muito rica sobre os limites, em definitivo invioláveis, do território da intimidade, desaguando neste belíssimo axioma:
“À medida que os corpos se despem na praia, menos públicos ficam, mais íntimos são”.
O terceiro tema tem a ver com o complexo e exigente processo de negociação e aceitação do estatuto de fonte confidencial, que demasiadas vezes se tem como simples e vulgar.
Ora, se há evidência bem pesada para os jornalistas é a de que a atribuição desse estatuto só pode decorrer de fundada excepção, baseada na imperiosa necessidade de proteger a fonte de certos riscos, na obtenção de certas garantias, na assunção do ónus de ter de provar os factos e na corajosa recusa de tentativas de instrumentalização.
Infelizmente (e esta terá sido uma das frustrações do Oscar, não sendo por acaso que tanta batia nesta tecla), entre os que praticam nos jornais e os que até ensinam em universidades, há muito quem ignore essas regras ou alegremente as viole…
Finalmente, um tema que o Oscar teve oportunidade de colocar atempadamente neste livro, como nos projectos de livros de estilo que elaborou, é aquilo a que chamou o “direito do ouvido”.
Trata-se do reconhecimento do direito, nomeadamente do entrevistado, de verificar e rectificação das declarações previamente à sua publicação.
Generosa, muito generosa, mas condenada ao insucesso pelo menos na fase actual do Jornalismo, a ideia é suficientemente polémica para gerar posições muito diversas e até antagónicas.
No seu afã de convocar em permanência a lealdade, para presidir aos actos jornalísticos e reger as leis da arte do Jornalismo, o Oscar propõe, por exemplo, que se tenha em conta o legítimo direito ao deslize ou ao lapso, sem que o declarante tenha de ser exposto no pelourinho mediático e ridicularizado.
Como exemplo, costuma apontar o do Dr. Salgado Zenha, que, em certa declaração aos jornalistas sobre os preços dos combustíveis, anunciou a redução do preço “da gasolina que corre nos radiadores dos automóveis” (cito de memória).
A pretexto da preparação do meu texto de prefácio, questionei vários jornalistas sobre a hipótese da concessão de tal direito.
Resultado: Além de ter verificado que alguns jornalistas sabem menos de mecânica automóvel do que o antigo ministro das Finanças e da Justiça, conclui que são ainda muitos os que apreciam demasiado colecções de deslizes estéreis e nutrem o Jornalismo de frivolidades.

É por estas e por outras coisas que o Oscar nos faz tanta falta!

Viva a liberdade!        

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Que grande falta nos fazes, Oscar!


Passa hoje um ano. Sei que era de manhã, que andava no escritório à volta de uns escritos que ainda hoje tenho pendentes e que o telemóvel tocou. No ecrã, surgiu a imagem provocadora do Oscar – exactamente aquela que vos recordo na ilustração deste texto – a pré-anunciar-se.
Preparei-me para entrar na conversa com galhofa, como acontecia tantas vezes. Na véspera, tivéramos, por telefone, a derradeira das inúmeras conversas e apaixonadas reflexões sobre práticas profissionais, deontologia e liberdades.
Discutimos a tensão dialéctica entre deveres profissionais dos jornalistas, limites ao uso pessoal de redes sociais e risco de captura da liberdade de expressão dos jornalistas pelas empresas. 
Como noutras ocasiões, não estivemos completamente de acordo. Mas haveríamos de voltar ao tema. Como voltávamos de outras vezes, mesmo que não ficássemos completamente de acordo, ou que divergíssemos em aspectos que a ambos pareciam essenciais, mas que nos enriqueciam.
De modo que supunha que o Oscar voltava à liça. Porém, do outro lado da “linha” surgiu-me a voz da Carolina, dando-me a triste notícia da morte do pai. 

Penso muitas vezes nisto – no momento trágico da notícia, na conversa definitivamente inacabada e na imensa saudade que sinto –, ao observar o quotidiano do Jornalismo, na falta que o Oscar Mascarenhas nos faz e como nos empobrece tanto a sua ausência.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Da Lealdade, em memória de Oscar Mascarenhas


Já está à venda O Grande Livro dos Pensamentos & das Citações, de Oscar Mascarenhas, numa edição da Marcador.
Confesso: Não sou apreciador do género e sou dos que desconfiam dos que afectam erudição com excessos de citações, tantas vezes metidas a martelo na prosa, sem nexo nem contexto. E ocorre-me a memória do vulto de um certo redactor – ao tempo com alguma nomeada – permanentemente curvado sobre a gaveta da secretária onde guardava, em sorrateiro sigilo, um caderno de citações.
Comprei, evidentemente, o livro do Oscar. Porque lhe conheço a profunda e cultivada cultura, o prazer imenso da leitura e o invejável talento na escrita. Porque, ao longo dos anos, testemunhei a delicada e certeira invocação de episódios e citações com que tecia a suas crónicas, as suas intervenções e as suas conversas.  E porque lhe tinha uma enorme estima e tenho dele uma saudade imensa.
Antes mesmo de procurar outras entradas óbvias (a obra está organizada por entradas temáticas), como Amizade, Ética, Jornalismo, Lei, etc., procurei Lealdade – uma das palavras e uma das noções que lhe era mais cara.
Nela, ao contrário da maioria das entradas, nas quais verteu inúmeras citações, apresenta apenas uma, de G.k. Chesterton. 
Transcrevo:
“Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e devemos uns aos outros uma terrível lealdade”

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