Mostrar mensagens com a etiqueta Comportamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Comportamento. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cancro e charlatanismo


Estou a pensar nos sofrimentos, nas angústias e nas dúvidas e incertezas, tantas vezes desesperança, por que passam doentes oncológicos e familiares, sempre que transpõem os portões do IPO, nas longas horas ou dias e noites que nele permanecem.
Graças aos extraordinários e contínuos avanços da Ciência, já não há dúvidas em relação aos assinaláveis progressos no diagnóstico, na terapêutica e no acompanhamento dos doentes, assim como quanto à expressiva redução da mortalidade e ao aumento das taxas de sobrevivência e da esperança de vida.
Estou a pensar nisto a propósito do charlatanismo que ainda vai campeando, mesmo junto dos acessos aos hospitais especializados (na foto, o portão principal do IPO-Porto), tentando apanhar à falsa-fé, como salteador de estrada, aqueles precisam de acreditar em tudo e agarrar-se a tudo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Onde está o gato



Pensando nesta silhueta felina que, ao descer para a "Baixa" portuense, me trava frequentemente o passo para uma breve contemplação, estou a matutar no que me dizem as notícias sobre as noções de confiança e lealdade entre as pessoas. Vão difíceis, os dias...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Uma besta carregada de livros

Escusam de andar a estimular tanto os universitários com essas "cenas" dos voluntariados e das responsabilidades sociais. Um tipo que faz mesmo questão de postar-se, estratégica e ostensivamente, à frente de quem já esperava o transporte colectivo, de ser o primeiro a entrar e de não dar sequer a passagem a uma idosa de muletas só merece este nome: besta inútil carregado de livros (com perdão das propriamente ditas).
.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Da Lealdade, em memória de Oscar Mascarenhas


Já está à venda O Grande Livro dos Pensamentos & das Citações, de Oscar Mascarenhas, numa edição da Marcador.
Confesso: Não sou apreciador do género e sou dos que desconfiam dos que afectam erudição com excessos de citações, tantas vezes metidas a martelo na prosa, sem nexo nem contexto. E ocorre-me a memória do vulto de um certo redactor – ao tempo com alguma nomeada – permanentemente curvado sobre a gaveta da secretária onde guardava, em sorrateiro sigilo, um caderno de citações.
Comprei, evidentemente, o livro do Oscar. Porque lhe conheço a profunda e cultivada cultura, o prazer imenso da leitura e o invejável talento na escrita. Porque, ao longo dos anos, testemunhei a delicada e certeira invocação de episódios e citações com que tecia a suas crónicas, as suas intervenções e as suas conversas.  E porque lhe tinha uma enorme estima e tenho dele uma saudade imensa.
Antes mesmo de procurar outras entradas óbvias (a obra está organizada por entradas temáticas), como Amizade, Ética, Jornalismo, Lei, etc., procurei Lealdade – uma das palavras e uma das noções que lhe era mais cara.
Nela, ao contrário da maioria das entradas, nas quais verteu inúmeras citações, apresenta apenas uma, de G.k. Chesterton. 
Transcrevo:
“Estamos todos num mesmo barco, em mar tempestuoso, e devemos uns aos outros uma terrível lealdade”

.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A gente vai aprendendo


e já não dá para certos peditórios...
.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Meet do Colombo, o dia seguinte


Como era inevitável, os jornais de hoje estampam a respectivas narrativas sobre a brincadeira cibernética de ontem. Quanto ao "acontecimento", assumem dois eixos essenciais:
1.º - O anunciado "Meet" do Colombo foi uma brincadeira para provocar os media e a polícia; e
2.º - Como quer que seja, aquele e outros centros comerciais estão a reforçar a segurança.
E duas linhas de reflexão (ou contribuições para) sobre:
1.ª - Os riscos de uma deriva securitária alimentada pelos media, potenciada pela hipervalorização dos acontecimentos (e os não-acontecimentos transformados em factos mediáticos); e 
2.ª - A necessidade de análises qualificadas e sem preconceitos acerca destes fenómenos, suas causas e modos de os integrarmos num sistema - incluindo de políticas públicas - mais inclusivo e mais tolerante.
Um dia destes volto ao tema.
.
  

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sobre o valor notícia da imbecilidade na rede

O título deste artigo na "Marianne" - "Desafios na Internet: Hidrocussão de inteligência colectiva?" - é muito sugestivo e não pode deixar de por-nos a pensar, e muito, sobre o assunto.
Problematizando de forma muito singela a "moda" dos chamados "banhos públicos" (tradução que suponho apressada de "ice bucket challenge" à qual eu prefiro algo como "desafio da baldada gelada"), Elodie Emery chama a atenção para a imbecilidade que toma conta da rede e contamina também os Media, rendidos ao disparate estival.
Até um dia? Até ao dia, avisa, em que ocorrer um acidente mortal com estas baldadas. Nessa altura, porém, receio, os Media encontrarão um novo ângulo para o tema. Chama-se a isso reverter o valor notícia da imbecilidade.
. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

O que, em publicidade, pode dizer um beijo na presença de crianças

1. O carro (novo) desliza suavemente, a música é serena, romântica, o casal sorri, feliz.
2. O carro imobiliza-se, aparentemente à porta de casa.

3. Enlevado e feliz, o casal prepara-se para trocar um beijo.


4. De repente, um ruído de protesto surge do banco traseiro; duas crianças exigem um esgar entre o espanto e o nojo, surpreendido com a expressão do amor (supõe-se) e da felicidade (parece evidente) dos pais.

É certo, é um anúncio a um novo modelo de uma marca de automóveis. Mas não é apenas um anúncio. Diz talvez muito do modo como o criativo olha para a expressão dos afectos. E diz-nos que é provável que não esteja sozinho nesse modo tão recuado como encara as manifestações de carinho dos pais na presença dos filhos.
Ainda bem que são uma minoria. A maior parte dos casais e das crianças que eu conheço não é assim.
.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

domingo, 15 de setembro de 2013

Obscenidades

As agências, os jornais em linha, as rádios, as televisões abriram noticiários ou interromperam o alinhamento programado dos noticiários para anunciar a renovação do contrato de um jogador de futebol, que passa a ganhar 17 milhões de euros por ano.
Por mais "genial" que o jogador seja, e por mais milhões que a indústria do futebol de alta competição movimente, a quantia é obscena.
.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Não cuspo onde?

Entre as frases reaccionárias que mais abomino está aquela que um jogador de futebol de grandes nomeada e rendimentos usou por estes dias: "não cuspo no prato em que como". 
Explico em breves e directas palavras: associo-as à subserviência vil e rasteira por pessoas "prontas para o preciso", como dizia um velho amigo meu.
Desculpem lá a embirração. Espero que seja mais feitio do que defeito...
.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O individualismo é tramado

Em “Terra de Catarina – Do Latifúndio à Reforma Agrária, Ocupação de Terras e Relações Sociais em Baleizão” (Celta, Oeiras, 2006), Margarida Fernandes discute, entre outros aspectos interessantes, as razões pelas quais a colectivização “falhou”, propondo-nos também uma reflexão sobre o problema do individualismo, muito útil para a abordagem à falência de outras experiências colectivas.
No essencial, resulta a noção de que a acção colectiva, designadamente através das cooperativas e que talvez pudéssemos estender aos sindicatos, só é válida e importante na medida em que permite concretizar e satisfazer objectivos e anseios individuais, e enquanto estes durarem.
Nesse sentido, a dimensão colectiva resulta meramente instrumental da satisfação de necessidades e objectivos individuais imediatos e transitórios, circunstancialmente comuns a um de indivíduos. Uma vez colocados perante uma ameaça externa ou na expectativa de que os fins individuais serão alcançados, estarão na disposição de “unir-se”. Transitoriamente…
Ainda que não partilhe dessa possibilidade tão sombria, ocorreu-me isto a propósito da mais ou menos recorrente evocação da “unidade da classe” como aquisição de “outros tempos”, bem como de certas reflexões que venho fazendo sobre os concretos obstáculos à materialização de alguns projectos colectivos.
.  

sábado, 8 de junho de 2013

Desistência cívica

Talvez um dia destes desenvolva este tópico:
É urgente a atenção à desistência cívica que vai erodindo a democracia e as suas organizações, que são os seus alicerces, e para a indiferença pelo o seu desmoronamento, que tão prestes estará se não formos capazes de fazer da divergência e do debate o cimento que a suporta e da efectiva participação democrática a energia que a robustece.

.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Luto académico

A Universidade do Porto decretou luto académico pelo estudante assassinado na madrugada de sábado. Com a indiferença da diversão pela diversão que a tragédia da madrugada não beliscou, o cortejo da queima lá hoje andou pelas ruas do Porto. Dizem que a vida continua. E os negócios da Queima também. O resto são formalidades.
.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Frase letal em democracia

"Eu vejo um mundo onde a tecnologia permite que cada pessoa tenha tudo o que quiser. Já não está nas mãos dos políticos."

Cody Wilson, 25 anos, estudante norte-americano de Direito, fabricante de uma pistola de plástico que dispara munições normais, em declarações à BBC citada pelo "Diário de Notícias" em linha.
.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Suicídios e media: regresso à pergunta

A pergunta é antiga e houve tempos em que parece ter havido uma resposta consensual: devemos noticiar os suicídios? Em regra não, porque o exemplo do êxito pode motivar outras pessoas com "tentações" suicidas; a excepção deve muito bem ponderada e justificável aos olhos dos leitores.
A pergunta volta a fazer sentido. Ainda ontem, uma mulher lançou o filho de uma janela de hotel e lançou-se ela, depois, acompanhando-o na morte. Os jornais de hoje publicam pormenores suficientemente abundantes para serem suficientemente explícitos quanto ao drama. E repetem outros casos - um no passado dia 25; outro em Dezembro passado; outros cinco no ano que passou - de morte de crianças pelas mães, que põem termo à vida também elas.
Um deles - o "Público" - enfatiza o problema no título com uma pergunta: "Há mais uma criança morta pela mãe. Será que os media estão a ajudar?". Dando a voz, no corpo de notícia, ao psiquiatra Nuno Gil, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidiologia, responde: a cobertura mediática "pode funcionar como um precipitante".
Seguramente que o propósito de noticiar este caso e de recordar os casos é mais o de por-nos a pensar no desespero que atormenta tantas mulheres, certamente agravado pela crise económica e social que lança tantas e tantas famílias na amargura e na desesperança. Mas a pergunta não pode deixar de interpelar as nossas consciências: devemos noticiar?
. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Cancro e alternativas com as devidas cautelas...

Não há hoje nenhuma dúvida acerca dos extraordinários avanços da medicina nomeadamente em oncologia, com progressos muito significativos no diagnóstico e terapêutica do cancro, dos quais são referência os centros regionais do Instituto Português de Oncologia do Porto, Coimbra e Lisboa. 
A enorme complexidade da doença e os prognósticos por vezes pouco animadores, assim como o desespero e a impotência perante o sofrimento e a incerteza abrem as portas às mais diversas e até fantasiosas "alternativas", que saem ao caminho dos doentes e dos seus familiares, por vezes nas barbas das instituições. 
Há alguns progressos nas promessas dessas "alternativas": é que não deixam de recomendar que os tratamentos convencionais sejam mantidos... Na foto, um folheto "alternativo" junto da entrada principal do IPO-Porto.
.

sábado, 6 de outubro de 2012

O bispo da Internet falou assim

José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda (foto oficial)

"Há pessoas que comunicam constantemente, no seio de uma família, através das redes sociais, sejam elas de telemóvel, da Internet ou do Facebook, do Twitter ou de outras formas, e depois já aconteceu estar com essas pessoas à mesa e não havia comunicação entre elas.". Estas palavras são de José Cordeiro. 
Apresentadas assim, não assumem qualquer relevância. Qualquer um de nós poderia proferi-las e isso não seria seguramente notícia. Mesmo que lhe acrescentássemos o tratamento honorífico Dom para passarmos a escrever "D. José Cordeiro", ou que precisássemos que este Dom se refere a um bispo, pouco acrescentaríamos de relevante. Qualquer padre, mesmo bispo, medianamente atento à dobadoira do mundo e às quotidianas coisas chãs do seu tempo saberia fazer tão sábia advertência, incorrendo porém no naturalíssimo risco de virem acoimá-lo de de geronte e outros nomes até menos simpático.
Dá-se o caso de esse tal José Cordeiro, sendo - já se percebeu - um bispo católico, não é um bispo qualquer. E não foi acaso que o título escolhido na versão em linha do "Diário de Notícias" o apresentou como o "bispo da Internet". É sabido: José Cordeiro, 45 anos, bispo de Bragança-Miranda, o mais jovem prelado português (foi ordenado há um ano, no dia 2 de Outubro), é um confesso e praticante entusiasta da Internet e das redes sociais e suponho (não confirmei) que é o único bispo católico português seguido no Facebook e o único a indicar um endereço pessoal de correio electrónico. O que me leva a supor que sabe do que fala.
.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A greve dos médicos do SNS ouvida numa clínica privada

Já vou falei várias vezes do meu amigo Manuel.
Encontrei-o há dias ensimesmado e cheio de ideias de reflexões profundas sobre o interesse laboratorial, para a Sociologia, dos espaços colectivos de Saúde (urgências hospitalares, salas de espera de centro de saúde, etc.), nos quais se vertem e decantam os mais variados problemas e as mais diversificadas e inesperadas angústias das pessoas.
Dá-se o caso de o Manuel andar a fazer fisioterapia numa clínica da especialidade que presta tal serviço tanto a doentes "da privada" como municiados do indispensável "P1" do serviço Nacional de Saúde. Atento e inquieto, anda contente como um grilo com a inesperada expressão democrática desses espaços, tal a variedade de personagens que tem conhecido, observado e minuciosamente registado ("tenho material em barda, menino!", exulta).
Voltei a encontrá-lo hoje, primeiro dia de uma fantástica greve dos médicos do SNS. Nem de propósito, disse-me o Manuel. E logo tratou de contar-me o caso da manhã, entre o desolado e o empolgado. Num primeiro instante, explicou-me, as terapeutas lá cortaram na casaca dos médicos, que, aqui-d'el-rei, faziam greve e deixavam os-coitados-dos-doentes-à-espera-deles-em-vão; num segundo momento, andavam a murmurar pelos cantos que afinal já têm mais um dia a menos nas férias, antecipando o novo Código do Trabalho. Deu-se o caso de a clínica ter decidido encerrar no Carnaval, mas descontou o feriado nestas férias.
Moral da história: suponho que um dia destes o Manuel estará a agitar as massas entre as terapeutas da clínica...
.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Demagogia e sobranceria

O presidente da Comissão Liquidatária dos Serviços Públicos de Comunicação Social*, Miguel Relvas, levou hoje longe de mais a demagogia do Governo relativamente à RTP e à Lusa, ao tentar comparar os custos da primeira com os custos de hospitais de capital importância (de Santa Maria, em Lisboa, e de S. João, no Porto), e ao valorar as transferências do Estado para a segunda.
Pelo caminho, ao responder, na Comissão para a Ética, a Sociedade e a Cidadania da Assembleia da República, a uma pergunta de uma deputada da oposição** sobre se tem condições para liderar o processo de privatização da RTP, o ministro evidenciou uma intolerável sobranceria ao responder-lhe que não foi a ela nem ao respectivo partido que os portugueses escolheram para liderar tal processo.
A mim, que sou incompetente em Ciência Política, sempre me parece que os parlamentares foram todos escolhidos pelos portugueses que votaram, ainda que eu tenha pena que os resultados não fossem diferentes e que inúmeros portugueses não se tenham dado ao trabalho de ir fazer as suas escolhas nas urnas. Por isso são titulares de um órgão de soberania, aliás fiscalizador do Governo, merecedores - todos, independentemente da representatividade dos respectivos grupos parlamentares - do respeito dos titulares de outros órgãos.

OBS:
* Estou a parafrasear o deputado António Filipe, do Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português, o qual, citado pela agência Lusa (essa mesma, que o ministro quer privatizar), acusou o ministro Relvas de "apresentar-se como liderando uma comissão liquidatária do serviço de comunicação social público".
** Refiro-me a Catarina Martins, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda    
.