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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Salvador Allende

Por favor agendar


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

A Paz em debate

Por favor agendar


segunda-feira, 14 de maio de 2018

Provocações e repressão

A provocatória transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém teve hoje uma expressão sangrenta (pelo menos 52 palestinianos mortos e mais de 1500 feridos pela tropa israelita em Gaza). Infelizmente, é o início da confirmação das graves consequências de uma decisão que os seus próprios aliados contestam.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Sobre a delação premiada contra Lula


O juiz-conselheiro Luís Noronha Nascimento, ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça português, publica hoje, no "Jornal de Notícias", um pequeno artigo muito interessante, a pretexto do processo contra o antigo Presidente do Brasil Lula Silva, mas tocando em aspectos centrais dessa perigosa perversão que é a chamada "delação premiada".

sábado, 5 de maio de 2018

Sobre o sentido actual de Marx

Pensando no sentido da pergunta que circula por aí – “Que sentido faz Karl Marx hoje?” –, estou a pensar no sentido que, ainda hoje, milhões e milhões de homens e de mulheres encontram na luta organizada que conduzirá à derrota dos opressores e ao fim da exploração do homem pelo homem.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Opções contra classe


Estou ainda a pensar, matutando na actualidade de Marx, nascido passarão amanhã 200 anos, numa recente troca de cumprimentos de circunstância.
— Então, esse 1 de Maio?
— Lá tive de trabalhar... Na fábrica, fizemos um protocolo para trocar o feriado pela passagem de ano. Ainda esteve para ser o S. João, mas a maioria não quis...


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Brasil: agora, um golpe contra o pluralismo

EBC 2

Chama-se a isto mais um golpe, e um golpe muito duro contra o direito à informação pluralista. É preciso recordar que a Agência Brasil foi criada pelo Governo de Lula Silva para garantir exactamente esse direito, rompendo a hegemonia dos grandes meios, obviamente privados e comprometidos com a Direita.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Sobre o 25 de Abril e o Poder Local Democrático


Intervenção, em nome do Grupo Municipal da CDU na Assembleia Municipal da Maia, na sessão solene comemorativa do 44.º aniversário da Revolução de 25 de Abril, realizada hoje:

Da Liberdade

Foto de Maia Alfredo.

No 44.º dia 25 de Abril em que os jornalistas portugueses podem escrever em liberdade, a minha enorme gratidão aos militares que o realizaram e a todas as mulheres e a todos os homens que, durante quase meio século, lutaram e sofreram os mais inimagináveis sacrifícios, criando condições para que a Revolução fosse possível.

terça-feira, 24 de abril de 2018

No 44.º aniversário do 25 de Abril


Intervenção proferida no Jantar-convívio comemorativo do 44.º aniversário do 25 de Abril, por amável convite da Associação Conquistas da Revolução - Porto

  


sexta-feira, 2 de março de 2018

Ainda é preciso travar a Altice!


É certo que a Autoridade da Concorrência está a fazer uma investigação aprofundada, etc., etc., mas não devemos baixar a guarda. Toca a assinar a petição em linha. É mesmo necessário travar a Altice!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Os media e as armas nucleares


Por estes dias, o Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC) está a dinamizar uma importante campanha de angariação de subscritores de uma petição com vista à assinatura (e ratificação), por Portugal, do Tratado de Proibição das Armas Nucleares, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 7 de Julho passado.
A iniciativa não tem tido acolhimento nos media, seguramente muito ocupados com outros temas e pouco inclinados a promover a discussão de assuntos de importância vital para a comunidade, mas cuja utilidade imediata – e imediatamente mensurável em audiência – não vislumbrarão.
Foi transitório o interesse mediático (aliás sem grande entusiasmo) pelo tema quando, a 6 de Outubro, foi anunciada a atribuição do Prémio Nobel da Paz à Campanha Internacional pela Abolição das Armas Nucleares (ICANW, no acrónimo em Inglês), cujo trabalho empenhado e decisivo deve ser justamente destacado.
Setenta e dois anos depois do lançamento das bombas nucleares sobre Hiroshima (6 de Agosto de 1945) e Nagazaki (três dias depois), no Japão, com a morte imediata, ou nos meses seguintes, de 215 mil pessoas, não obstante o apelo à eliminação das armas nucleares aprovado pela então jovem ONU, em 24 de Janeiro de 1946 (menos de seis meses após a tragédia) e apesar de o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (1 de Julho de 1968) impor o desarmamento geral e a eliminação total dos arsenais nucleares, o risco de uma catástrofe é real e nenhum passo decisivo foi dado para cumprir aqueles objectivos.
Nove países (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte) possuem um total de cerca de 15 mil ogivas nucleares. Além daqueles, cinco outros (Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia) têm estacionadas armas nucleares nos respectivos territórios. E outros 23 – Portugal, Coreia do Sul e Japão incluídos – fazem parte de “alianças nucleares”, com a NATO à cabeça, que os colocam nas rotas destes dispositivos de morte cuja eficácia a imaginação do cidadão comum não alcança.
Uns dois terços dos países do mundo – praticamente o hemisfério sul – estão livres de armas nucleares, mas só por ingenuidade se pode crer que estarão ao abrigo de uma conflagração nuclear, seja pela detonação deliberada de um engenho, seja por erro ou por acidente.
Desde praticamente os alvores da era nuclear militar que os movimentos de cientistas, com os físicos Frédéric Joliot-Curie, Albert Einstein e Joseph Rotblat e o filósofo e matemático Bertrand Russel à cabeça, aos quais se juntaram inúmeros outros intelectuais, alertaram para os elevados riscos que impendem sobre a humanidade e se empenharam contra a bomba nuclear.
Dos artigos publicados imediatamente após o lançamento da bomba de Hiroshima e dos programas de rádio, nomeadamente de Russel, ao Apelo de Estocolmo (1950), passando por inúmeros artigos e entrevistas, debates e manifestos, milhares de intelectuais não cessaram de avisar para a elevada probabilidade de destruição maciça e em larguíssima escada – seja por impacto direito da deflagração, seja pelo transporte de cinzas e poeiras radioactivas, transportando radioisótopos que permanecerão activos por milhares e até dezenas de milhares de anos.
Embora se registe uma (ainda muito incompleta) redução das armas nucleares (eram mais de 20 mil em 2010 e mais de 70 mil nos anos 1980), a crescente sofisticação dos arsenais, à força de vultuosos investimentos, a mobilidade e a capacidade de propulsão são surpreendentes e muito perigosas. Estima-se, por exemplo, que dois terços das 300 ogivas francesas estejam embarcadas em mísseis balísticos em submarinos e podem alcançar dez mil quilómetros de distância.
Independentemente de quem possui as armas nucleares, não há a menor dúvida de que constituem uma ameaça real à segurança e ao futuro da humanidade e de que, apesar da retórica desculpabilizadora baseada na invocada necessidade de dissuasão tão frequente e hipocritamente usada no discurso “diplomático” dos detentores de armas e dos seus seguidores, estamos perante uma séria questão de ética da legitimidade.
Não são apenas as convenções de direito internacional humanitário que proíbem os ataques indiscriminados, ou as armas que, pela sua natureza, possam causar danos supérfluos ou ferimentos desnecessários e que impõem o princípio de que o direito dos países em conflito a escolher os métodos e meios de combate não é ilimitado.
É sobretudo a exigível sã consciência de que qualquer ser humano deve possuir acerca dos limites ao seu poder, de que a ninguém é lícito decidir sobre a vida ou a morte dos povos e o destino da própria humanidade, assim como, por maiores que sejam as divergências, não há uso benigno possível para o poder de destruição tão letal e tão extenso hoje ao alcance do homem.
Porém, os media não proporcionam o mínimo debate sobre um tema tão decisivo na vida dos povos. Pode ser por indiferença – o que é deplorável –, ou até pode ser por um critério de prioridades na agenda – o que é preocupante –, mas a escassez ou mesmo ausência de discussão e reflexão no espaço público deixam os cidadãos e os próprios jornalistas desarmados perante o arsenal argumentativo dos detentores de armas nucleares e seus vassalos e seguidores.
É assim que pouco ou nada se questiona a posição seguidista do Governo português, que esteve fora das negociações do novo Tratado e evidentemente não quer assinar (e muito menos fazer ratificar) o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, com o singelo argumento segundo o qual esse acto, «que declara ilegais as armas nucleares» não seria compaginável com a circunstância de ser membro da NATO, que «é uma aliança nuclear». Esta é aliás o maior detentor de ogivas do mundo: além das 6800 dos Estados Unidos, 300 da França e 215 do Reino Unido, sem contar com as 80 do amigo Israel[1].
Ou que se come e cala, numa obediente «independência» jornalística, incensando acriticamente a doutrina da NATO (herdeira ideológica da doutrina de hegemonia planetária que os Estados Unidos deixaram tragicamente plasmada nos ataques a Hiroshima e Nagazaki, quando já era mais do que evidente, desde 1944, que a Alemanha nazi não possuía a bomba atómica), ou se questiona o poder ilegítimo que a Aliança Atlântica outorga a si própria de impor a sua paz ao mundo, aliás bem patente no seu comunicado de 20 de Setembro, a propósito da abertura às assinaturas do Tratado de Proibição das Armas Nucleares.
Continuaremos a calar?


[1] Usa-se aqui, tal como em relação aos restantes detentores de arsenais nucleares, a informação regular do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI, no acrónimo em Inglês), que não consta como insuspeita quanto ao independência, pelo menos nos media mainstream…, mas é mencionada, por vezes, a hipótese de Israel possuir realmente umas 200 ogivas. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Os jornalistas e as armas nucleares



Correspondendo ao amável convite do Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC), participei hoje num debate sobre o Tratado de Proibição das Armas Nucleares, cuja assinatura e ratificação urgente, especialmente pelos países detentores de arsenais nucleares e pelos membros da NATO, defendi.
Sabendo-se muito bem quem tem armas nucleares – 15 mil ogivas detidas por nove países, com os Estados Unidos e a Federação Russa à frente, e incluindo a China, o Reino Unido, a França, Israel ou o Coreia do Norte, com potências e capacidades de propulsão extraordinárias – e o gravíssimo risco que uma deflagração representa para a Humidade, discordei do argumento central usado pelas potências nucleares e a carneirada da NATO (Portugal incluído) para recusar o Tratado: o da preservação do equilíbrio mundial.
Com nove países dotados de um poder extraordinário de uso indiscriminado de armas de aniquilamento de cidades e decidir sobre a vida de povos inteiros, é claramente manifesto o desequilíbrio, com pelo que argumentar pelo “equilíbrio” tresanda a desonestidade insustentável e a hipocrisia insuportável.
Por outro lado, tanto o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares de 1968 como o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, adoptado em 7 de Julho passado mas que ainda carece de ratificação por pelo menos 50 estados, propugnam um desarmamento geral, multilateral e, evidentemente, simultâneo. Só esse processo garantirá o equilíbrio prometido.
Nas actuais condições, é imperioso que os intelectuais reforcem o valor do seu papel central na desmistificação da propaganda belicista, bem como na desmontagem do discurso desculpabilizador dos que teimam em manter os seus arsenais com a alegação de que com isso o mundo estará mais seguro. 
Na verdade, as armas com o potencial de destruição indiscriminada – com a morte e o sofrimento de centenas de milhar ou até milhões de pessoas inocentes – não são boas ou más consoante as mãos em que se encontram.
Todos somos poucos para exigir atitudes concretas. Assinar a petição exigindo às autoridades portuguesas a assinatura e ratificação do Tratado ajudará muito.

(A foto é do perfil de Ilda Figueiredo, presidente do CPPC, a quem agradeço o convite)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Os jornalistas e a Paz


Um dos monumentos mais impressionantes visitáveis na Península Ibérica é a basílica-cripta de Santa Cruz do Vale dos Caídos, em San Lorenzo del Escorial, província de Madrid, dominando, com ostensiva grandiosidade a Serra de Guadarrama.
Além da expressão da soberba faraónica do caudilho fascista espanhol – Francisco Franco – e do expoente de uma estética do poder violentamente antidemocrático e opressor, é chocante o seu significado.
Embora viesse a ser local de inumação – entre os 36 mil soldados que ali foram enterrados – de alguns combatentes republicanos mortos na Guerra Civil de Espanha (1936-39), cujas famílias declararam por eles o seu «arrependimento», mas também como espécie de sinal de «conciliação nacional» imposto por países estrangeiros depois da II Grande Guerra (1939-45), o Vale dos Caídos foi concebido por Franco para sua própria glorificação como vencedor e em honra dos combatentes falangistas.
Na sua concepção e arquitectura e na estética das obras de arte que alberga, assim como no significado que encerra, o Vale dos Caídos – aliás construído com base na mão-de-obra escrava de milhares de combatentes republicanos, comunistas e outros democratas vencidos e encarcerados – representa uma ofensa à memória de todos quantos lutaram e derramaram o seu sangue por uma Espanha livre, justa, fraterna e em paz e a todos quantos continuam ainda a bater-se na defesa dos valores da liberdade, da igualdade, do progresso e convivência pacífica entre os povos.
Por muito que tentem reduzi-lo a um local de interesse meramente turístico, o Vale dos Caídos adquire especial importância nesta altura.
Por um lado, porque o tema do seu significado intrínseco regressou recentemente à ordem do dia em Espanha, com a decisão parlamentar de exumar Francisco Franco e José Antonio Primo de Rivera, fundador do partido Falange Espanhola e do fascismo espanhol, em torno do qual se juntaram as forças que derrubaram pela força e com o sinistro apoio nazi a II República Espanhola.
Por outro, porque convoca a necessidade de uma reflexão sobre os intelectuais e a paz, bem a propósito de um interessante debate promovido no passado dia 8 pelo Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC) e a Organização da Bienal Internacional de Arte Gaia 2017[1].
Uma primeira abordagem poderia tratar dos limites éticos e de consciência moral que os artistas certamente enfrentam, quando se questionam sobre ao serviço de quem e de que causas e objectivos empregam as suas capacidades e o seu engenho criador, ou mesmo que ditames subjugam a sua liberdade.
Uma segunda poderia questionar de um modo muito particular os jornalistas e o jornalismo, designadamente sobre os inevitáveis embaraços deontológicos – entendida e deontologia, precisamente, como a ética dos deveres – quando o seu ofício de informar é, ou pode ser, traído pela instrumentalização e pela manipulação da palavra; ou, sobretudo, quando é capturado por interesses e agendas de interesses obscuros.
Uns e outros só podem estar ao serviço do bem comum, do progresso, do bem-estar espiritual e material, da felicidade do homem e da Humanidade, sendo de esperar deles um compromisso indeclinável com a paz e o respeito pela autodeterminação dos povos e o direito à plena soberania das nações.
Tantos anos volvidos sobre o fim da II Grande Guerra (aconteceu há 72 anos) e o longo e sinistro rasto de destruição e morte que deixou no Mundo, é hoje impossível ignorar os sinais dramáticos de uma perigosa escalada na retórica belicista, nas suas diversas expressões, especialmente a partir do Imperialismo e dos Estados Unidos da América, a par de uma preocupante corrida armamentista, não só em termos de armas convencionais, mas sobretudo de arsenal nuclear, com o aumento extraordinário da capacidade de propulsão dos engenhos de morte massiva.
Nove países – com os Estados Unidos na dianteira – possuem, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, cerca de 15 mil ogivas nucleares, muitas vezes mais potentes do que as bombas de Hiroxima (6 de Agosto de 1945; 145 mil mortos) ou de Nagazaki (três dias depois; 78 mil mortos).
Muitas delas estão carregadas, ou prontas a embarcar em mísseis balísticos intercontinentais capazes de atingir distâncias até cinco mil, oito mil ou mesmo mais de dez mil quilómetros.
Cinco outros países não são os donos delas, mas têm estacionadas nos seus territórios armas nucleares ao abrigo dos programas de «cooperação» militar e estratégicos da NATO – incluindo a Turquia, nas proximidades da Síria, numa região do globo especialmente sensível.
Outros 23 outros países – incluindo Portugal – mantêm alianças «nucleares» com os Estados Unidos e/ou a NATO e podem, a qualquer momento, ter em trânsito armas nucleares, seja no contexto de navegação de «rotina» nos mares e ar nacionais, seja no quadro de manobras ou mesmo de eventual ofensiva em regiões já em tensão aberta, como é o caso da Península da Coreia, ou em tensão crescente, no Leste da Europa, onde dizem que cresce a «ameaça russa».
Essa retórica belicista justifica-se claramente pelo afã do domínio imperialista, mas também pela abundância de lucros crescentes a que aspira o complexo militar industrial dos países grandes produtores e exportadores de armas, que explicam as razões pelas quais os Estados Unidos mantêm alta a «parada» na Península Coreana, em tão perigosa tensão.
Ao continuar a rejeitar, ostensiva e altivamente, a proposta sino-russa de um roteiro de paz e diálogo assente na suspensão dos testes balísticos e nucleares da Coreia do Norte, por um lado, e das manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, por outro, com o objectivo de desnuclearizar a região e baixar a temperatura da confrontação, Washington está bem ciente dos proventos que vai facturando.
De facto, os Estados Unidos são o maior exportador de armas, com nada menos de um terço do bolo deste comércio em todo o mundo, com quase dez mil milhões de dólares facturados no ano passado, só à sua conta.
Não admira que países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, a Coreia do Sul e a Turquia estejam entre os países que mais armas importam, nem que o presidente Donald Trump esteja a pressionar cada vez mais os seus seguidores na NATO a aumentar as respectivas despesas militares em pelo menos 2% do Produto Interno Bruto nacional. Note-se que meia centena de países gasta em defesa 2% ou mais do seu PIB e alguns bem acima.
Apesar da suas obrigações, designadamente no âmbito do Tratado de Não Proliferação de armas nucleares (1968) e do Tratado Estratégico de Redução de Armas com a Rússia (2010), os EUA, estão a «reduzir» o seu arsenal em número de ogivas, mas enveredaram por um perigoso programa de modernização, ainda no mandato de Barack Obama, de 400 mil milhões de dólares entre 2017 e 2026, que não ficará por aqui.
De facto, com a sua fanfarronice bem conhecida, o sucessor de Obama na Casa Branca gabou-se, há poucas semanas, de que tinha «dado ordens» para tornar o programa nuclear militar norte-americano ainda «mais moderno e mais forte», e não se cansa de ameaçar usar todos os meios – contra a Coreia, mas também noutras latitudes.
Muitas pessoas estranham o que parece ser uma estranha obsessão dos jornalistas por números, designadamente quanto aos valores envolvidos nestas gigantescas operações de intimidação e especialmente quanto ao aprovisionamento, produção e comércio «estratégico» de armas.
Alguns textos mais ou menos «especializados» em temas de defesa, em geral, e em indústria de defesa, em particular, parece revelarem uma estranha frieza e uma objectividade desumanizada, rendidos à linguagem neutra – dizem… – da Economia e indiferentes ao sofrimento causado ou potencial.
É possível que assim seja nalguns casos, mas também devemos reconhecer que são frequentes as abordagens jornalísticas sustentadas em números absolutos ou dados estatísticos que apontam o dedo ao problema da proliferação de armas, à corrida armamentista e à resistência suicida à abolição das armas de destruição maciça e especialmente das armas nucleares.
De facto, não devemos ignorar – e muito menos excluir – o valor intrínseco dessa informação se podemos usá-la ao serviço da tomada de consciência e da promoção de olhares mais informados sobre o problema e transformar os dados sobre gastos com armamento em unidades de medida de inviabilização da felicidade humana.
Por exemplo: quantas vacinas para muitas doenças ainda letais, quantos livros, quantas pinturas ou esculturas, quantas escolas, quantas bibliotecas e quantos teatros ou museus, quantos hospitais vale uma bomba?  
É seguro, citando o ex-vice-secretário-geral das Nações Unidas Jan Eliasson, que «não há mãos certas para armas erradas», mas talvez seja bem mais provável que uma notícia «errada» possa ser revertida e servir causas certas.


[1] O presente artigo retoma, adaptando-a, parte da comunicação inicial do autor no debate, sob o tema «Artistas pela Paz», bem como notas resultantes da rica troca de impressões com o público.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Eu e Fidel Castro



Conheci Fidel Castro no dia 12 de Novembro de 1999, quando O Comandante foi à Aula Magna da Universidade de Havana presidir à cerimónia de encerramento do VIII Congresso da Federação Latino-Americana de Jornalistas (FELAP, no acrónimo em Espanhol) e de abertura do VI Encontro Ibero-Americano de Jornalistas.
Muito mais importante do que a memória pessoal das breves palavras de cortesia e de circunstância que com ele troquei no átrio da Aula Magna, envolvido, à chegada, pela Direcção da União de Jornalistas de Cuba e pelos representantes das delegações das organizações participantes (Fidel estava muito curioso por conhecer “os dois portugueses” – eu próprio e o meu camarada Martins Morim), foi o magnífico discurso que proferiu depois perante o auditório.
Sem papéis – nem sequer um pequeno papel com os tópicos essenciais do que pretendia transmitir-nos, Fidel discorreu sobre os extraordinários desafios que, naqueles tempos muito difíceis, se colocam a todos os intelectuais.
“O nosso dever é ajudar a mudar este mundo, quanto antes melhor”, disse, para, dirigindo-se aos jornalistas os tornar cientes de que, mais do que qualquer outra profissão, tinham nas mãos um importante poder transformador. “Vós tendes a vacina contra o embrutecimento: é a verdade dirigida à razão e ao coração do homem.”
Tenho pensado muito nestas palavras ao longo dos anos, mas muito especialmente nestes dias de despedida e de saudade, sobretudo lendo certas análises e previsões quanto ao significado e consequências do desaparecimento físico de Fidel Castro, geralmente desprovidas de informação suficiente sobre a história da Revolução Cubana e a realidade muito concreta do seu povo heróico, para não falar do preconceito e do anti-comunismo que as contaminam.

Viva Fidel!   

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Esmagadora votação contra o bloqueio a Cuba


Estou a pensar nos equívocos benévolos que a votação de hoje, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, poderá gerar quanto aos "sentimentos" dos Estados Unidos da América em relação ao bloqueio tirano e desumano contra Cuba.
Abstendo-se numa votação de uma resolução que voltou a ser de esmagadora condenação (191 países a favor, duas abstenções - dos EUA e de Israel), Washington apenas reconhece o fracasso das suas medidas de isolamento, mas não desiste de tentar impor uma reviravolta à Revolução Cubana.
Entre tais equívocos está a ideia, pelos vistos talvez generalizada, de que, com as votações crescentemente de condenação do bloqueio e com os progressos, apesar de tudo, na normalização das relações entre Washington e Havana, Cuba está "a abrir-se ao Mundo".
Ora, o que está a acontecer é exactamente o contrário: sobretudo ao longo dos últimos 25 anos, é o Mundo que está a abrir-se a Cuba. E os Estados Unidos também, a começar pelos grandes interesses económicos...
É por isso que a Revolução deve preservar-se com muita prudência, muita determinação e sólidas convicções.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Proibições e auto-determinação

A foto pertence à notícia ligada


A islamofobia das autoridades francesas, mal disfarçada ora com alegações de “segurança”, ora com a invocação da laicidade, levada ao extremo com o patrulhamento das praias à caça de mulheres muçulmanas com burquinis só dará resultados péssimos.
Além de restringir inaceitavelmente direitos, liberdades e garantias e aumentar a tensão xenófoba, agrava a segregação de uma comunidade, particularmente das mulheres. 
A norma é tão estúpida que, longe de garantir-lhes condições de autodeterminação, incluindo para usar ou não usar tais vestes, expulsa-as de lugares – e logo a praia! – onde essa autodeterminação se pode ir adquirindo e afirmando.


sábado, 13 de agosto de 2016

Fidel Castro, 90 anos!


Longa vida ao Comandante!


Proibini



E se fosse um burkini desenhado por um reputado criador de moda, poderia ser usado?

(A propósito desta notícia)

O que procuro colocar em discussão é a sustentação dos preconceitos. Por isso propunha que equacionássemos uma hipótese limite: é se um estilista mais ou menos famoso - ou uma marca de vestuário conhecida - transformassem em moda o que é estranho à cultura dominante? Arrisco uma resposta: talvez o vestuário tão criticado fosse aceite, sem que isso signifique necessariamente um avanço da tolerância e do convívio entre povos.
A questão das proibições é de facto crucial, por atingir direitos. A proibição do burquíni, cujo uso é muitas vezes imposto, não contribui para a emancipação das mulheres. Proibidas de ir à praia, ficam ainda mais isoladas.

domingo, 29 de maio de 2016

Uma questão de género artesanal


E não se arranja uma cozinha do Manuel, ou do Carlos, ou do Fernando, ou do Joaquim?...