"A Rede é o sistema nervoso da nossa revolução, como o telégrafo o foi para a revolução russa. A rede proporciona um novo tipo de unidade instantânea e global. E unidos venceremos. Não podemos perder a batalha: somos muitos mais e melhores."
Carlo Fabreti, Contra el império
No actual estado e com a actual orientação, o Parque das Serras do Porto está longe de corresponder à velha aspiração - de que também a CDU tem sido porta-voz e interveniente - de uma verdadeira área protegida da região compatível com a fruição pública do "pulmão do Porto".
Mimosa, pormenor - folhas e flores.
(Foto em 15 de Fevereiro de 2019, na Maia)
Nos primeiros meses do ano, pinta de amarelo encostas e bordas de estradas. Inspirou poetas, teve honras de festa minhota (a Festa da Mimosa, em Viana do Castelo, até aos anos 1980) e ainda hoje colhe simpatia popular. Mas a mimosa (acacia dealbata) é uma das piores plantas invasoras no país, incluindo em áreas protegidas.
Texto da apresentação no encerramento das comemorações do 40.º Aniversário do NDMALO – Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro – Grupo Ecológico, realizada hoje no salão nobre da ex-Junta de Freguesia de Massarelos, no Porto:
Com a diferença quanto ao tema muito mais complexo da fiscalidade verde - e julgo ter algumas credenciais "ecologistas" para o dizer - , parece-me muito bem a ideia de taxar os eucaliptais sugerida na "Causa Nossa". Desde logo pela área completamente inaceitável que os eucaliptos já ocupam na impropriamente chamada floresta portuguesa, mas também por serem pasto evidente de grandes áreas ardidas em espaços florestais.
A criação de portagens de acesso às principais cidades como forma de dissuadir o transporte individual e diminuir as emissões de poluentes é uma discussão antiga, especialmente na Europa.
Por muita simpatia ambientalista que a medida suscite, há problemas que é necessário resolver a montante, diminuindo a necessidade de transportes pendulares (casa-trabalho-casa) e criando atempadamente alternativas atractivas para as situações em que é necessário fazer deslocações.
Quanto ao problema das deslocações pendulares, convém recordar que elas resultam do progressivo, drástico e grave afastamento entre os locais de residência e de trabalho e os serviços. A situação presente aconselha uma profunda revisão das políticas públicas de ordenamento e gestão do território, invertendo essa lógica predadora de tempo e de recursos.
As políticas públicas devem assentar numa oferta adequada, em quantidade e qualidade do serviço, do material circulante, dos preços, do conforto e da eficiência dos sistemas de transportes colectivos públicos. O que implica o recuo do Governo nas intenções de privatizar os transportes públicos.
"Tenho 17 anos, sou uma criança - a vossa criança", apresentou-se. Brittany Trifold, estudante neozelandesa escolhida por 350 organizações não governamentais para falar na primeira sessão plenária da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que decorre no Rio de Janeiro até sexta-feira, enfrentou os senhores do Planeta (193 países participam no Rio+20), olhos nos olhos, para pedir-lhes contas das promessas feitas há 20 anos (Cimeira da Terra, 1992): "Fizeram enormes promessas, que eu li e me fizeram ter esperança".
De facto, "os senhores e os vossos governos prometeram reduzir a pobreza e tornar o ambiente sustentável; prometeram combater as alterações climáticas; assegurar água limpa e segurança alimentar...", enfim, promessas que "nem sequer foram quebradas, mas estão esvaziadas", ia dizendo, o olhar claro enfrentando com firmeza a plateia, interpelando-a.
"Nós, a próxima geração, exigimos mudanças, exigimos acção, porque queremos ter futuro.". Nas calmas, como se fosse a síntese de milhões de desesperançados, Brittany fixa a agenda dos poderosos: "Têm 72 horas para decidir a sorte dos vossos filhos, dos meus filhos, dos filhos dos meus filhos. Inicio o relógio: tic, tac, tic..."
E também o mandato concreto: "Confiamos em vós" para que "nas próximas 72 horas ponham os nossos interesses antes de todos os outros interesses". Afinal, "estão aqui para salvar a face ou estão aqui para salvar-nos?".
Algumas chancelarias podem estar exultantes e muitos delegados à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável podem estar a respirar de alívio, mas o "consenso" sobre a proposta de texto a apresentar formalmente à cimeira de alto nível representa a mais completa desilusão, ao:
Não estabelecer objectivos e metas concretas;
Confirmar que não será aceite a criação do fundo para o desenvolvimento sustentável;
Confirmar a rejeição de criação de uma agência da ONU para o Ambiente.
Só não se percebe por que razões o Brasil canta vitória - com a "vitória do multilateralismo" - quando os resultados não chegam, para já, e não se crê que venham a chegar, à sombra dos de há 20 anos...
Portugal encerra uma extraordinária rede de áreas protegidas e uma colecção infindável de paisagens que muitos portugueses - talvez a maior parte - desconhecem, ou não conhecem suficientemente bem. Talvez culpa de uma certa cultura, digamos turística, que instalou, alimenta e perpetua o paradigma dos extremos - praias "tórridas" (?!) no Verão e Serra da Estrela cheia de neve no Inverno.
Não admira, por isso, o ar desolado com que os tourists portugueses chegam à Torre - seguramente o lugar menos interessante da Serra da Estrela, embora porventura o mais frequentado - em dias de Inverno sem neve, como o de hoje. Como baratas tolhidas por uma frustração súbita, vagueiam pelo recinto desnorteadas, como se a Serra se resumisse ao bilhete postal e não fosse muito, mas muito, mais - e durante todo o ano - do que a tristonha rotunda à volta da qual circulam à espera que o céu derrame o seu algodão de cristais.
Se os resultados da 17.ª Conferência de Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas foram pouco animadores, o anúncio do Canadá de que vai abandonar o Protocolo de Quioto - o instrumento internacional coercivo que impõe aos estados que o ratificaram a redução das emissões de gases com efeito atmosférico de estufa (GEE) - é uma péssima notícia para a Terra.
É certo que os Estados Unidos da América e a China, que somam mais de metade das emissões de GEE do Planeta, já há muito deveriam estar no clube dos países empenhados em suster e inverter o problema. E é certo que há quem acalente a esperança de chegar, daqui a quatro anos, a uma plataforma muito mais ampla. Mas Quioto constitui um programa de tal modo importante que não admite qualquer retrocesso.
Devagarinho, como não quer a coisa, com uma entrevista aqui, um debate ali, o lóbi nuclearista português lá vai fazendo o seu trabalho. Há sinais. Qualquer dia, Mira Amaral, Sampaio Nunes e outras personagens lá convencerão o pagode da inevitabilidade da opção...
São 19 horas de 14 de Setembro na Cidade do México, México, 01h00 do dia 15 em Portugal continental. A volta ao Mundo da Realidade climática proposta pelo antigo vice-presidente norte-americano e Nobel da Paz, Al Gore, está a começar.
Até logo, à meia noite em Portugal continental, 19 horas em Nova Iorque, a iniciativa "24 Horas de Realidade" une 24 cidades em 24 zonas horárias com palestras e debates (além de 30 minutos de um novo vídeo de Gore) sobre os efeitos da crise climática sobre a qual há um largo consenso mundial mas uma acção insuficiente no concerto das nações. Há também negacionistas, mas também para eles o debate está aberto.
Um referendo sobre várias questões importantes para os italianos e para o Mundo dá-nos várias boas notícias. A começar pela afluência às urnas, já a suplantar 57% e por isso suficiente para tornar vinculativa consulta, o que não acontecia há quase duas décadas. Depois, a rejeição dos programas de privatização da água e regresso da energia nuclear. E ainda, e não menos importante, negação da pretendido imunidade de Silvio Berlusconi. Será que a Itália vai finalmente mudar?
Ao tomar conhecimento deste importante apelo em defesa da água pública, que também se decide no próximo dia 5 de Junho, ocorreram-me estas sábias palavras do Chefe Seattle:
"Como se pode comprar ou vender o firmamento, ou ainda o calor da terra? Tal ideia é-nos desconhecida.
Se não somos donos da frescura do ar nem do fulgor das águas, como poderão comprá-los?"
Resposta do Chefe Seattle ao Grande Chefe Branco (1854), divulgada em 1977 pela Comissão Nacional do Ambiente sob o título "...Por Fim, Talvez Sejamos Irmãos!"
(Versão de opúsculo sob o mesmo título, edição do antigo Instituto Nacional do Ambiente, s/data) .
Sugestão para a agenda de quarta-feira, dia 30, com um tema bem actual:
Às 21:30, na sede da Associação Campo Aberto, na Rua de Santa Catarina, 730-2.º andar, Porto, Maria José Varandas continua a apresentação (2.ª parte) do seu livro “Ambiente Uma Questão de Ética”
“O Princípio da Responsabilidade, Éticas Ambientais e sua relação com as políticas do ambiente, Ética da Terra e Movimento Conservacionista, Ética e políticas europeias para o ambiente, direito ambiental, são alguns dos temas em foco”, informa a Campo Aberto.
Maria José Varandas, presidente da Sociedade de Ética Ambiental, é licenciada em Filosofia e Mestre em Filosofia da Natureza e do Ambiente, e investigadora do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa em ética e valores. Autora de várias obras como “O Valor do Mundo Natural” (2003) e “Vida: Propriedade do Organismo ou do Planeta?” (2004).
“The situation at the Fukushima Daiichi plant remains very serious”, segundo o comunicado de hoje da Agência Internacional da Energia Atómica. “A crise está longe do fim”, disse o director-geral da AIEA, Yukiya Amano, em entrevista telefónica ao diário norte-americano “The New York Times”. Um milhar de japonses manifestou-se em Toquio e Nogoya contra a manutenção da opção nuclear.
O partido democrata cristão alemão (CDU) poderá perder o poder no estado federado de Baden-Württemberg, segundo a sondagem à boca das urnas nas eleições regionais de hoje. Uma coligação formado pelos Verdes e pelo SPD (social-democrata) deverá vender as eleições numa região onde a maioria da população exige o encerramento das centrais nucleares.
Ecologistas espanhóis e portugueses concentraram-se hoje junto da central nuclear de Almaraz, na Estremadura espanhola, a 100 quilómetros da fronteira portuguesa, para exigir o seu encerramento.
A Agência Lusa distribuiu hoje um telegrama com declarações do engenheiro Pedro Sampaio Nunes, administrador de uma empresa que, desde 2005, pretende construir uma central nuclear em Portugal, segundo as quais com a crise da central japonesa de Fukushima “ficou provado que (a energia nuclear) é seguríssima”.
Antecipando-se a garantias que nem a Agência Internacional de Energia Atómica consegue dar (“The situation at the Fukushima Daiichi plant remains very serious”, lê-se, logo a abrir, no comunicado do início desta tarde sobre o ponto de situação), o especialista ouvido pela Lusa garante que “a crise está controlada” e sustenta que “Fukushima é uma demonstração de capacidade, é uma ‘prova dos nove’”.
Depois de mencionar as já consabidas condições a que a central foi submetida, superiores àquelas para que foi projectada (resistência a terramotos de grau sete quando o de 11 de Março foi de grau nove e tsunamis com ondas de cinco metros, quando as desse dia foram de dez), como se não tivesse havido o pequeno problema da dramática falha no arrefecimento dos reactores desligados, acrescenta: “Se ainda assim conseguimos escapar sem uma fatalidade, é porque é (uma forma de energia) extremamente segura”.
Não sendo especialista e estando longe de sê-lo, posso declarar que, infelismente, estamos ainda muito longe de garantir o que quer que seja em relação a fatalidades piores do que o que aconteceu até agora: uma vasta região evacuada, níveis muito elevados de radioactividade no ar, na água, nos solos e chegada já à cadeia alimentar e uma margem muito grande incerteza relativamente aos efeitos na saúde – imediata e futura – de milhões de pessoas.
Em suma, confirma-se que o nuclear é uma forma de energia ainda experimental. Com a agravante de ser experimental à escala humana.
O Japão e o Mundo inteiro estão com o coração nas mãos. Além da enorme e indescritível tragédia do terramoto de sexta-feira, é muito preocupante a ameaça nuclear. E não são apenas as três explosões já verificadas na central nuclear de Fukushima - é o aparato electronuclear da hiper-sofisticada nação nipónica, nada menos de quatro centrais nucleares que infundem sérios receios.
E, todavia, quando se pensava que o lóbi nuclearista ficaria quedo e mudo perante mais este desaire e a comprovação de que, por muito sofisticado e mais seguro que se apresente, a opção nuclear está longe de poder dar garantias cabais, eis reaparece… em Portugal, segundo o “Público”. .