sábado, 2 de janeiro de 2016

Presidenciais: dois debates a reter


Acabei por conseguir ver apenas dois dos debates de ontem à noite - o de Edgar Silva e Henrique Neto; e o de Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sequeira, Vitorino Silva e Cândido Ferreira, embora este tenha abandonado o estúdio após a leitura de uma nota de justo repúdio pelo modelo de debates desenhado pelos operadores de televisão.
Do primeiro, saliento o desempenho de Edgar Silva (declaração de interesses: sou um modesto seu apoiante e mandatário concelhio na Maia), que explanou com segurança as razões e o sentido da sua candidatura e respondeu com elevação a um desafio de Henrique Neto, no sentido de esclarecer se a defesa que faz do aprofundamento da democracia participativa converge com a proposta de Neto, para que a escolha dos deputados seja feita nominalmente pelos cidadãos e não pelos "directórios partidários".
Observando que essa matéria não é da competência do Presidente da República, Edgar Silva não deixou de fazer notar que cada partido terá a sua experiência e a sua prática - o que deveria ser suficiente para deixar toda a gente a pensar no assunto. A começar pelos órgãos de informação, que tanta corda dão à demagogia e à mistificação sobre este assunto.
Do segundo, saltou à vista que o "debate" foi um agradável serão para Marcelo, temperando a conversa de sala com um indisfarçável tom "professoral" com a hábil camaradagem do consenso e uma generosa bonomia.
Mas tenho de salientar a prestação de Vitorino Silva, conhecido por Tino de Rans, cujas surpreendentes metáforas (ao calcetar as ruas, ele vê o povo, o país inteiro, exibindo às varandas a sua tristeza) não nos deixam indiferentes.
A dada altura, chamou a atenção para o facto de, nomeadamente ele próprio, não ter relevância para as sondagens, apesar de ser um cidadão igual em direitos. Nos inquéritos, o seu nome não surge - ele pertence à categoria dos "outros".
Este desabafo deveria fazer soar as campainhas cívicas e da Regulação. Mas cá deixo o desafio à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), para que publique os textos integrais dos inquéritos que as empresas de sondagens são obrigadas a depositar nos seus serviços.