quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Marcelo, o ungido pelos Media

Sampaio da Nóvoa esteve cheio de razão, esta noite, no debate, na SIC, com Marcelo Rebelo de Sousa, quando lhe disse, olhos nos olhos, que a democracia – e a criação de condições para a participação democrática – custa dinheiro e que a ditadura era mais barata.
Marcelo Rebelo de Sousa mereceu ouvir isto, por causa do completo e insustentável despudor com que tem criticado os “custos exorbitantes” (“milhões”, diz ele) das campanhas eleitorais; assim como tem merecido ouvir de Edgar Silva que ele, além de beneficiar da extensa e permanente exposição mediática de tantos anos, foi (supõe-se que generosamente) pago por ela.
Ainda hoje, aliás, foi divulgado um estudo do ISCTE segundo o qual o estatuto de celebridade televisiva está a beneficiar o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP.
Mais: parece muito claro que Marcelo segue em direcção ao Palácio de Belém ao colo da comunicação social, que em inúmeras peças e comentários o dá, há muito, como vencedor, dispensando as sondagens e parecendo dispensar o essencial, que é a própria decisão popular.
E há afloramentos – acredito que involuntários – da escolha mediática. Justamente esta noite, ao terminar o debate, a moderadora, Clara de Sousa, rematou com uma pergunta expressamente dirigida a Marcelo:
“Esta parte final é para o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa: Qual é marca de água que quer deixar em Belém e qual é a primeira coisa que quer fazer quando chegar (e, agora, muito baixinho, quase imperceptível) se for eleito?”
Já nem pergunto por que razões quase não se ouviu a parte final (“se for eleito”), porque é provável que não tenha aguentado a respiração, mas pergunto por que razões não fez a mesma pergunta a Sampaio da Nóvoa (não tenho presente se a SIC a fez, antes, a outros).