terça-feira, 5 de maio de 2015

Sobre a Ordem da Liberdade para a cidade de Santarém

Embora tarde, um comunicado que se impunha.



Car@s associad@s
Para conhecimento, junto envia-se Comunicado emitido pela Direcção da A25A, a propósito da atribuição da Ordem da Liberdade à cidade de Santarém
Cordiais saudações
Vasco Lourenço
 

COMUNICADO
Neste 25 de Abril de 2015 assistimos à atribuição da Ordem da Liberdade à cidade de Santarém.
Os deputados eleitos pelo distrito propuseram, o Presidente da República decidiu, a autarquia aplaudiu e agradeceu.
Tudo com o pano de fundo de uma homenagem ao capitão Fernando Salgueiro Maia e à unidade de onde saiu em 25 de Abril de 1974, para ajudar a derrubar a ditadura e a abrir as portas à Liberdade.
Não entraremos no facto de o ser berço da Escola Prática de Cavalaria justificar por si só a distinção, independentemente do apoio que a cidade prestou a essa unidade e aos seus militares.
Nem entraremos igualmente na discussão sobre qual a cidade ou cidades que mereceriam mais a atribuição da Ordem da Liberdade.
Desde logo, porquê Santarém e não Lisboa, onde tropas suas intervieram decisivamente e o seu povo teve papel preponderante no apoio aos militares do MFA?
E porque não Mafra, Vendas Novas, Estremoz, Santa Margarida, Porto, Lamego, Figueira da Foz, Aveiro, Viseu, Tancos, Pontinha, Carregueira, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Vila Nova de Gaia ou Guarda?
Passando por cima dessa questão e admitindo que Santarém possa ser a primeira a ser condecorada, tudo seria muito simples, tudo poderia estar certo, se não se verificassem dois "pormenores", que nos levam a não concordar com o que se passou e a dar conhecimento da nossa perplexidade pelos acontecimentos.
Por um lado, é interessante constatar que é a pessoa que, enquanto primeiro-ministro, recusou uma pensão a Salgueiro Maia, ao mesmo tempo que a atribuía a dois agentes da PIDE/DGS – com o argumento de que as acções na guerra colonial se consideravam altos serviços prestados à Pátria e a acção do 25 de Abril de 1974 não justificava essa qualificação –, vem agora atribuir a condecoração a uma cidade, apenas porque dali saíram as tropas que consumaram a rendição da ditadura, comandadas por esse herói de Abril!
Por outro lado, é também no mínimo interessante que uma cidade, com os responsáveis autárquicos rejubilantes, seja galardoada apenas porque tinha no seu território a unidade militar de onde saíram as referidas tropas. Que melhor maneira essa cidade teria de homenagear Salgueiro Maia e os seus homens do que dar às instalações da sua Escola Prática de Cavalaria um aproveitamento digno da sua gesta de há 41 anos?
Ao não fazê-lo, ao permitir a total depredação das suas instalações, depois de assistir à saída da unidade da cidade, tornou-se indigna de explorar esses actos que implantaram a Liberdade em Portugal.
E porque quem atribuiu a condecoração não é digno do Portugal de Abril, não podemos calar a nossa indignação e o nosso protesto por mais uma utilização indevida da figura de Salgueiro Maia e da generalidade dos militares de Abril.
Lisboa, 4 de Maio de 2015