sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Crianças, figurantes de campanha


Faz-me muita impressão as visitas de políticos em campanha eleitoral a lares de idosos e a creches e jardins de infância, acompanhados por batalhões de jornalistas e expondo estes figurantes involuntários. 
Os utentes dos primeiros serão talvez eleitores, mas encaro as visitas desde logo como uma perturbação da tranquilidade dos idosos e sobretudo como uma invasão da sua privacidade, à qual têm direito mesmo estando num equipamento colectivo. 
E já nem vou tecer considerações sobre a instrumentalização que tais visitas podem representar, embora me custe que sirvam para colorir as imagens da acção, como figurantes (involuntários?) de uma representação alheia.
Mas não consigo perceber as razões pelas quais se visitam em campanha creches e jardins de infância, cujos utentes não são, evidentemente, eleitores. E se não alcanço o alvo, pior encaro a instrumentalização da infância. Além do mais, calculo que nem sequer seja pedida autorização aos pais (ou outros titulares da respectiva tutela) das crianças, para que estas possam ser expostas na "acção de campanha" de A ou de B e, em consequência, surgirem em imagens de televisão e de jornais.
Na campanha interna do PS, que tanto promete em mudar coisas, António José Seguro foi ao Refúgio Aboim Ascenção, onde se fez fotografar e filmar rodeado de crianças entregues à tutela desta instituição. Estiveram mal o assim chamado candidato a primeiro-ministro; a Direcção do Refúgio; e o jornal "Sol", que publicou a foto sem vendar ao menos o rosto das crianças (as vendas na foto foram apostas por mim). Esqueceram os direitos das crianças.
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