domingo, 19 de janeiro de 2014

Os direitos da/os trabalhadora/es vistos de cima dos saltos

A RTP1 acaba de exibir uma reportagem - muito oportuna e necessária - sobre a justa ascensão das mulheres a postos de chefia nas empresas e instituições, que muito dispensava o título (posso dizer sexista?...) "Líderes de salto alto".
É pena não ter esclarecido bem a visão e a prática que as mulheres imprimem à organizações que chefiam em matéria de direitos laborais, e especialmente no que se refere à protecção da maternidade e da paternidade.
Por exemplo, fiquei preocupado pelo real significado, alcance e consequências de uma frase dita com grande galhardia por uma "líder de saltos altos": "Na minha equipa, ninguém me telefona a dizer que precisa de faltar porque tem de tratar do filho doente (cito de memória).
Assim como receio que reiterados elogios à "flexibilidade" de horários e à possibilidade de as mulheres (suponho que os homens também...) poderem trabalhar ora na empresa ora em casa (ao serviço da empresa, claro), pois "o que interessa são os objectivos", estejam a escamotear que, a pretexto dessa flexibilidade, elas sejam submetidas a jornadas de trabalho efectivo afinal bem maiores e mais pesadas, tanto em carga de trabalho para a empresa como para a casa.
Arrepiou-me também concluir - talvez precipitadamente, espero que sim... - que referências a "facilidades" concedidas por empresas sirvam para desvalorizar ou mesmo denegar direitos e garantias das trabalhadoras e dos trabalhadores, nessa onda modernaça de apresentar como "regalias" ou "liberalidades" das empresas aquilo que são conquistas legítimas que muito custaram a alcançar.
Se estou enganado, façam o favor de desculpar, pois não quis ofender ninguém.   
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